ONDE DEUS PASSA, TUDO É GRAÇA

23 de maio de 2016
Capela na Casa de repouso em Crni Vrh - Eslovênia - visão do conjunto.

Capela na Casa de repouso em Crni Vrh – Eslovênia (visão do conjunto).

Na hóstia consagrada a Presença do ressuscitado é manifesta. As ruas das cidades tornam-se o caminho de nosso Senhor Jesus Cristo. A presença cristã junto à Presença de Cristo na Eucaristia é embelezada através dos tapetes e flores, das cores, e de toda a simbologia que nos recorda que Cristo está presente em toda a nossa realidade. Onde Deus passa, tudo é Graça.

O começo da festa

A festa litúrgica de Corpus Domini (Corpus Christi) tem seu inicio na reafirmação da presença real do Senhor no Pão consagrado frente a doutrinas que a colocavam em dúvida. Em 1246 foi instituída como festa na diocese belga de Liège, a pedido da mística Juliana.

Muitas vozes suplicavam que Roma aprovasse uma festa que demonstrasse pública e festivamente a fé católica na presença real. A causa próxima foi o “Milagre de Bolsena”, em 1263, quando, nessa cidade, um padre, Pedro de Praga, duvidara da transubstanciação. Quando ele se preparava para distribuir a comunhão, da Hóstia escorreram gotas de sangue que mancharam de vermelho a toalha. Como o Papa Urbano IV residia em Orvieto, cidade próxima, foi-lhe mostrada a toalha, o que o deixou impressionado. Após muita reflexão, um ano depois declarou que foi milagre.

Assim, atendendo aos apelos da Igreja, em 8 de setembro de 1264 instituiu a Festa de Corpus Domini para toda a Igreja. A seu pedido, São Tomás de Aquino compôs as inspiradas orações e os hinos dessa Liturgia, da qual cantamos sempre o “Tão sublime Sacramento”.

Após a morte de Urbano IV, a celebração da festa do Corpus Domini limitou-se a algumas regiões da França, Alemanha, Hungria e Itália Setentrional. Foi em 1317 que o Papa João XXII restaurou-a para toda a Igreja. Desde então, a festa teve um desenvolvimento extraordinário, e continua sendo especial no coração dos católicos.

Milagre Eucarístico - Corporal

Milagre Eucarístico – Corporal

Acontecimento e Sacramento

Nós, cristãos, sabemos e cremos que Cristo morreu um só vez por nós, ele o justo por nós pecadores, ele o Senhor e nós os servos. E isto aconteceu apenas uma vez. Mas o sacramento o renova periodicamente como se devesse repetir mais vezes o que a história diz ter acontecido apenas uma vez. Acontecimento e Sacramento não estão em contradição, como se o Sacramento fosse ficção e o Acontecimento verdade. Assim, o que a história diz ter acontecido apenas uma vez o Sacramento renova muitas vezes pela celebração no coração dos fiéis. A liturgia faz com que o passado não seja esquecido, celebrando-o novamente.

Segundo a história, houve uma só eucaristia, a que Jesus realizou com sua vida e morte. Segundo a liturgia, graças ao sacramento instituido por Jesus na última ceia, há tantas eucaristias quantas forem as celebrações que se fizerem da Eucaristia até o fim dos tempos. Assim, afirma Santo Agostinho  “o acontecimento realizou-se uma vez, mas o sacramento realiza-se toda vez”.

Reconhecendo o Cristo na estrada

Os discípulos de Emaús “reconheceram” o Senhor no partir do pão já estando em casa e nós, hoje, podemos agraciar-nos de reconhecê-lo na estrada, no caminho, pois o pão “já está repartido”. E isto acontece de maneira cada vez mais amadurecida quanto mais convencemos pelo zelo, delicadeza e adoração que temos e prestamos ao Cristo Eucarístico.

É possível, sim, estar com o coração em adoração diante do Santissímo mesmo quando as mãos trabalham, absolvem, escrevem. A vida do cristão está orientada para a Eucaristia. O nosso coração, templo onde Deus habita, deve estar voltado para o Sol da justiça que é a Eucaristia. “Onde está o nosso coração, aí está o nosso tesouro” (Mt 6,21).

Cristo está presente na Eucaristia e por isso nos chama à sua presença. O Senhor não quer apenas passar por nós, como uma brisa, mas quer, sim, fixar morada. Onde Deus passa tudo é graça, e a graça maior é estar convicto que quando Cristo passar à nossa frente na festa litúrgica de Corpus Domini, na verdade é a confirmação externa de uma presença que já está “morando” na tenda que é nosso coração. Assim, reconhecemos na estrada aquele que já mora em nós.

Padre Ederson Iarochesvski

PERIGO: AMOR EXCLUSIVISTA

8 de abril de 2016

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Você é o ar que eu respiro”, “sem você não vivo mais”, “minha vida sem você não tem mais sentido”. “Só você e ninguém mais em minha vida”… Estas simples frases podem parecer encantadoras em um momento e, até mesmo “provar” amor por alguém, mas o que aparenta encanto pode tornar-se uma verdadeira armadilha.

Armadilha não pelo fato da intenção de “provar” que ama, mas por este amor ser exclusivista.

Nossa vocação é amar. Doar-nos para alguém faz parte do estatuto afetivo do ser humano. Impossível pensar uma vida sem dedicar-se pelo bem do outro. Fazer feliz, nos faz ser felizes. Mas há perigo iminente quando fomentamos nossa mente para que ame alguém de maneira exclusivista. Exclusividade é dedicar-se inteiramente a alguém ou alguma coisa. E destinar sua atenção, energia e afeto para aquilo que você endereçou seu coração. No entanto, quando o ato de amar torna-se exclusivista poderá ser prejudicial à saúde afetiva de qualquer pessoa.

Será perigoso amar com exclusividade alguém?

Muitos, na ânsia de viver um grande amor nesta vida, acabam, sem perceber, deixando na margem outros “amores” que sustentam o equilíbrio afetivo de uma pessoa. Quando, para amar alguém, é preciso afastar-se do ambiente familiar, deixar de lado os amigos, os sonhos pessoais que carrega, o projeto de futuro que pretende este amor está furtando a pessoa da experiência nobre de amar.

A experiência do amor é plural. Logicamente, a maneira de amar é diferente. Amar os familiares tem uma conotação e grau diferente do que amar sua profissão.

Mas, a questão está ligada ao fato de destinar toda a vontade de amar somente para um lado e, consequentemente, abandonar todas as outras forças vivas de amor.

Nos dias atuais, as relações são estabelecidas com maior facilidade e, tendo em vista os recursos de comunicação que temos, os laços estão cada vez mais enfraquecidos e, assim, o amor vai se tornando-se cada vez mais líquido, conforme lembra o sociólogo Zigmunt Baumann. A presença da pessoa vai ficando cada vez mais cara em tempos de relações virtuais e é neste momento que as portas das prisões afetivas são abertas. “Fico com você, mas para isso terá que abrir mão de todas as outras possíveis presenças”. A fragilidade das relações expõe a pessoa aos perigos de ser ludibriada nos afetos, tornando-se vítima daqueles que, pela ausência de responsabilidade afetiva, exigem

amor exclusivista, fazendo com que a pessoa “abandone” os outros amores por causa do grande amor da sua vida.

Na mensagem cristã vemos a preocupação de Jesus Cristo com relações reais e saudáveis, um amor recíproco e envolvente, onde todos estejam dispostos para amar sem necessidade de encarcerar o outro em afetos desvirtuados.

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

Padre Ederson Iarochevski

DUAS FACES DA PÁSCOA

23 de março de 2016

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PÁSCOA: O QUE SIGNIFICA ESTE RITO?

A festa da páscoa é um memorial. Ao nascer a festa, nasce também uma pergunta: “que significa este rito?” (Ex 12,26), e esta pergunta, que é repetida no início da páscoa hebraica, exige que dela se tenha uma compreensão mais profunda.

Nas fontes cristãs também surge a pergunta: “que recordamos nesta noite?” ou também: “porque fazemos vigília nesta noite?” (Santo Agostinho). Por que estas perguntas são importantes, tanto para os judeus quanto para os cristãos? O “por que” ajuda a descobrir qual é o evento salvífico que está na origem da Páscoa.

AS DUAS FACES DA PÁSCOA DO ANTIGO TESTAMENTO

Teológica ou Teocêntrica: esta é a explicação mais antiga, onde a Páscoa recorda em primeiro lugar a “passagem de Deus”, o nome mesmo da páscoa deriva de um verbo que indica a ação de Deus que “passa sobre”, no sentido que “resguarda” e “protege” as casas dos hebreus, enquanto golpeia a dos seus inimigos (Ex 12,26-27). Comemora-se aqui a passagem salvífica de Deus: Páscoa, porque Deus passou! O protagonista é Deus, a iniciativa é divina. 

Antropológica ou Antropocêntrica: aqui a atenção se desloca do momento da imolação do cordeiro para o da saída do povo do Egito, que é vista como a passagem da escravidão para a liberdade (Dt 16). Com a mudança do evento central, muda também o protagonista ou o sujeito da Páscoa: não é mais que Deus que passa e salva, mas o homem ou o povo que passa e é salvo. 

Essas duas respostas são complementares, não exclusivas, são vistas na dependência de Deus; o Êxodo é para a aliança do Sinai. Trata-se de uma libertação religiosa, não política, ao menos de modo principal: o povo torna-se livre para servir a Deus, “deixa ir livre o meu povo para que me sirva” (Ex 4,23; 5,1)

DA PÁSCOA JUDAICA À PÁSCOA CRISTÃ

 As primeiras comunidades cristãs, depois da morte e ressurreição de Jesus, por um tempo continuaram a “subir ao templo” para celebrar a Páscoa com os outros judeus, mas, em certo momento começaram a pensar e a viver esta festa anual, não mais como recordação dos fatos do Êxodo e como a espera da vinda do Messias, mas, principalmente, como recordação daquilo que alguns anos antes tinha acontecido em Jerusalém durante uma Páscoa, e como a espera da volta de Cristo. Quando São Paulo, em 1Cor 5,7,  exorta  a “Celebrar a festa” já se refere à festa da Páscoa cristã.

Páscoa-paixão: esta compreensão pascal é cristológica, isto é, tem por protagonista não o homem e nem mais o Deus do Antigo Testamento, mas sim Jesus Cristo. É uma Páscoa “comemorativa” de todo “o mistério novo e antigo: novo na realidade, antigo na prefiguração” (Melitão de Sardes). A Páscoa comemora toda a história  da salvação, que tem como ponto culminante Jesus Cristo, e se prolonga na espera do seu retorno final. A Páscoa, neste sentido, comemora sobretudo “a grande imolação”, o fato de Jesus ter sofrido e aniquilado a morte com a vitória.

Páscoa-passagem: esta é uma compreensão moral e espiritual da Páscoa, que tem por centro o homem como sujeito e protagonista da Páscoa. A vida de todo o cristão e da Igreja é vista como Êxodo, que começa com a fé e termina com a saída deste mundo. A Páscoa verdadeira está à frente e não atrás. Esta é uma Páscoa “contínua”, em detrimento da Páscoa anual, a fortaleza desta Páscoa está não tanto nos ritos litúrgicos  ou festas externas, mas em decisões e fatos interiores e espirituais.

As duas visões apontam os dois protagonistas e os dois polos da salvação: a iniciativa de Deus e a resposta do homem, graça e liberdade. Para alguns, a Páscoa é antes de tudo um dom de Deus; para outros, é uma conquista do homem.

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SÍNTESE ENTRE PAIXÃO E PASSAGEM 

Santo Agostinho resolveu os contrastes entre as duas explicações. Ao explicar o nome da Páscoa, que traduzindo para o latim significa “passagem”, o santo disse: no dia antes da “Páscoa” Jesus sabendo que a havia chegado a hora de “passar” deste mundo para o Pai… eis a passagem! Do quê e para quê? Deste mundo, para o Pai. A partir daí é alcançado o equilíbrio entre paixão e passagem, entre Páscoa de Deus e Páscoa do Homem. Entre paixão e ressurreição de Cristo, entre Páscoa litúrgica e sacramental, e Páscoa moral e ascética.

Assim, todos já passamos com Cristo para o Pai e a “nossa vida já está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,3), todavia, todos ainda devemos passar. Passamos em “esperança” e “em sacramento” na esperança e pelo batismo, mas devemos passar na realidade cotidiana, imitando sua vida e, sobretudo, seu amor.

Passar, de fato é preciso, diz Santo Agostinho. E se não passarmos para Deus que permanece, passaremos com o mundo que passa.  Mas quão melhor é passar “do mundo”, antes que passar “junto com o mundo”. Páscoa é passar para aquilo que não passa.


Referências de leitura: Raniero Cantalamessa: O mistério da Páscoa; Joseph Ratzinger, Bento XVI: Jesus de Nazaré: da entrada de Jerusalém até a Ressurreição 

Padre Ederson Iarochevski

ESPERANÇAR

Jesus Cristo Ressuscitado,
Fonte de toda vida que deseja continuar eternamente, vós peço em oração:
Restaura os corações assombrados pelo medo de viver.
Levanta os caídos pelos injustos fardos que os fazem carregar.
Que abraços afetuosos deem colo aos pequeninos vitimas de tantas violências.
Que as mesas se fartem de pão da terra e do céu.
Vivifica a voz de quem buscar viver a prática do amor e instaurar a justiça
Fortalece os braços de quem, mesmo com pouco, faz muito pelos mais abandonados.
Inspira os mais velhos a partilhar com alegria suas experiências de vida.
Encoraja os mais novos a viver a boa noticia que nasce de vós: Cristo Ressuscitado.
Que a força do tumulo vazio nos alcance e possa esperançar nossa vida rumo à sua vida.

RITUAIS PARA DIAS ABENÇOADOS

9 de março de 2016

 

Sinal da Cruz

De que maneira você começa seu dia? Como você o encerra? Você realiza algum tipo de rito para que seu dia seja mais sagrado?

Como é bom fazer algo que, mesmo repetido muitas vezes, resignifica o dia, a vida. Os rituais de fonte cristã fazem com que os momentos celebrados tenham impressa uma marca divina. Refazer um rito é refazer-se. O ritual, por mais simples que seja, dá significado de vida para a pessoa e a tudo aquilo que ela se propõe realizar.

A tradição cristã estabeleceu uma ligação entre os dias da semana e a salvação de Jesus Cristo. É dado um destaque especial para os três últimos dias e para o primeiro dia da semana. A quinta-feira é o dia da instituição da eucaristia, e na sexta-feira se faz a memória da morte de Jesus. O sábado é o dia do repouso no sepulcro, e o domingo é o dia da ressurreição. Mas, logicamente, os outros dias têm sua importância e sublinham momentos importantes da vida cristã: na segunda-feira a Igreja celebra a Santíssima Trindade; na terça-feira, os anjos, e na quarta-feira, São José, o padroeiro do trabalho. O sábado, vale lembrar, não é somente o dia do sepulcro, mas também faz memória de Maria. Assim, cada dia da semana tem sua característica, sua qualidade própria. Alguns ritos para que possas consagrar sua semana:

Ritual da manhã de todo cristão: o sinal da Cruz. É  deixar o amor de Deus penetrar todo o pensar. O sinal da cruz é como uma senha que liberamos para que Deus tenha acesso ao intimo de nosso ser.  É sentir-se totalmente tocado, acolhido, envolvido por Deus. É colocar nosso ser em direção a Deus. Pelo sinal da cruz somos integrados à vida sagrada, bem expressa na Igreja Siriana: “em nome do Pai, que me pensou e me formou; e do Filho, que desceu às profundezas do meu ser humano; e do Espírito Santo, que torna o esquerdo direito”. 

Segunda-feira: ACENDER UMA VELA

Comece o dia acendendo uma vela. Com calma, acenda vagarosamente e conscientemente. Contemple a luz que emana. Perceba como aos poucos a penumbra vai dando lugar à luz. O calor se espalha, a frieza enfraquece.  Ao acender a vela pode dizer: “Levanta-te! Deixa-te iluminar! Chegou tua luz! A glória do Senhor te ilumina” (Is 60,1).

 Terça-feira: ESCREVER UMA PALAVRA

Escrever uma palavra que deseja ganhar vida em você. Pronunciar e escrever a palavra que vem ao seu coração e que se torna fonte de inspiração para o seu dia. Lembrar que a palavra cria uma realidade. Deus criou o mundo com sua palavra. Assim, também, somos nós. As palavras querem ser faladas. Pode falar em alta voz “no principio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Tudo foi feito por meio dela, e sem ela nada foi feito de tudo o que existe” (Jo 1,1-4). 

Quarta-feira: CONTEMPLAR UMA FLOR

Este dia está ligado ao terceiro dia da criação divina. Dia em que Deus deixa a terra produzir. As espécies de plantas e árvores ganham vida. Ao contemplar uma flor você verá a beleza, e ao contemplar o que é belo você vê Deus. Quantas são as flores relacionadas na tradição cristã como símbolos que nos recordam a  presença de Deus? Com Maria muitas são as flores relacionadas: rosa, lírio, margarida, violeta. Na ladainha de Nossa Senhora ela é invocada como “rosa mística”. Diante da flor poderá cantar: “cultivo um jardim tão lindo, rosas perfumadas para te ofertar…”.

Quinta-feira: PARTIR O PÃO

Este rito recorda a instituição da eucaristia.  Então Jesus tomou o pão, partiu-o e deu aos seus discípulos dizendo: “isto é meu corpo entregue por vós. Fazei isto em memória de mim” (1Cor 11,24). Tomar o pão, abençoá-lo, partir e dar. Aquilo que tomo em minhas mãos é abençoado por Deus, e só assim o dar tem sentido. Só posso dar porque o tomei, e se dou é porque foi abençoado por Deus. Pão que se parte, se reparte.

Sexta-feira: NO CAMINHO DA VIA-SACRA

Somos caminhantes, peregrinos, estrangeiros que por aqui passam. Tal como Abraão, nos pomos a caminho.  Como diz o poeta Novalis: “para onde, afinal, estamos indo? Sempre para casa”. Lembra Jesus aos seus discípulos: “quem quer seu meu discípulo tome sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Proponha-se neste dia caminhar. A cada passo dado uma breve reflexão. Aprender a fazer silêncio e apenas caminhar. Sentir os passos, ouvir a respiração, escutar o mundo que está a volta e rezar a própria vida. 

Sábado: OUVIR UMA MÚSICA

O sábado nos convida à contemplação. Pede-nos tranquilidade, um repouso sereno. Para este dia uma peça musical adequada faz muito bem para a alma. Decida-se pela música que seu coração pede. O ato de ouvir, acompanhar, imaginar o que a canção sugere relaxa-nos e eleva-nos. “Escuta, e a tua alma viverá” (Is 55,3) uma boa música é um alívio para alma, como lembra São João Crisóstomo “a alma suporta mais facilmente as durezas e labutas quando canta uma melodia ou fica a escutá-la”. 

Domingo: A EXPERIÊNCIA DO SILÊNCIO

“No sétimo dia, Deus concluiu toda a obra que tinha feito, e no sétimo dia repousou, Deus abençoou o sétimo dia e o santificou” (Gn 1, 2,3). É difícil se encontrar com o silêncio porque não sabemos o que fazer com ele. O que precisamos apreender para que o silêncio tenha sentido? Deus viu que tudo era bom – é preciso ver a vida como boa, mesmo quando temos dificuldades, descobrir a bondade que ali surgiu. Deus abençoou o sétimo dia – o tempo de silêncio é abençoado. Sentir que a benção é proteção. E fazer da benção tempo de fecundidade espiritual, existencial. Deus santificou o sábado – santificar aquele dia, não deixar que as preocupações e ocupações tomem o tempo do dia sagrado. Domingo é o dia de buscar ouvir o silêncio, seja em casa, na igreja, ou num lugar que favoreça curtir o silêncio.

MEU SINAL DA CRUZ

Pelo sinal da santa cruz, Deus misericordioso, tens acesso a todo meu ser.

Ao tocar minha fronte, inunda o meu pensar com a força do teu amor.

Faz-me todo teu.

Ao descer e colocar a mão sobre meu ventre, inunda com teu amor a minha força, vitalidade, sexualidade.

Ensina-me a amar.

Com a mão sobre o ombro esquerdo, derrama Senhor teu amor sobre o meu inconsciente, nas imagens que lá estão guardadas, aclara, ó Deus, as trevas e cura as imagens maléficas.

Ensina-me a perdoar.

Com a mão sobre o ombro direito, derrama teu amor sobre meu consciente, sobre meu agir, minhas decisões.

Move-me, Senhor, para o bem.

Padre Ederson Iarochevski

Mudar de lugar e não de mar

10 de fevereiro de 2016

pesca

Não é sempre que acertamos. Até corremos o risco de, fazendo errado, nos acostumarmos com o erro e nos afastar das possibilidades de crescimento que as “derrotas” nos provocam.

Jesus tinha um olhar clínico sobre todos aqueles que se aproximavam dele. Ele era mestre em educar corações, iluminar pensamentos e reorientar as ações dos que lhe buscavam.

A cena que o evangelista Lucas (Lc 5, 1-11) nos oferece apresenta-nos Jesus impulsionando Simão a ir além da superfície, pois facilidades de situações nos amarram de tal forma que não colhemos, ou melhor, nada pescamos. É impossível experimentar algo novo sem se arriscar. Para que a pesca de Simão fosse abundante não era necessário mudar de mar, mas sim, de lugar.

Águas mais profundas assustam porque retiram a pessoa da zona de conforto em que esta instalada e acostumada. Acostumar-se é agradável porque pega-se o famoso jeito das coisas, mas também, pode-se travar a busca pelo novo.

Jesus é a pessoa certa que ofereceu a Palavra certa para Simão: “Avança para águas mais profundas e lançai as redes para pesca”. Onde o homem perde a vontade, Deus vê uma possibilidade.

Sabendo do desânimo de Simão pelo fato de nada ter pescado, Jesus não se adapta ao insucesso, mas fortalece-o dando novo rumo para o que ele mais sabia fazer, que era pescar. Jesus não livra Simão do mar, mas oferece a ele um novo lugar para exercer seu oficio. Não é mudar do mundo, mas encontrar o lugar certo nele.

Eis a beleza de Deus: renovar o rumo daquele que escuta sua Palavra. Simão diz a Jesus que é indigno de sua presença pelo fato de ser pecador, mas Jesus, com suas palavras, confirma o afeto e esperança em Simão ao dizer “não tenhas medo”.

A Palavra foi tão forte e transformadora que o pescador de peixes é elevado à condição de pescador de corações.

É assim que Deus alcança o coração dos homens de boa vontade. Muito mais do que fazer coisas nesta vida, Deus quer que seja continuidade de sua obra. Ele quer contar com cada um. E assim recordamos que, mesmo se o mar não está para peixe, para Deus a questão mesmo não é o mar em si, mas o lugar.

Que mudanças a Palavra de Deus tem exigido de você nestes últimos tempos?


Pe. Ederson Iarochevski


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