Archive for the ‘Reflexões’ Category

COMEÇAR BEM

26 de janeiro de 2017

Young people jumping on Mission Beach, San Diego, California, USA

Existe uma força interior que nos motiva a pensar o futuro próximo com maior esperança. Faz bem ao coração de qualquer pessoa, apesar das complicações encontradas na estrada da vida, dedicar-se a visualizar com ares renovados os dias que chegarão.

Um novo ano é sempre uma honesta possibilidade de continuarmos melhorando nossa condição existencial. Para que isso nos atinja de verdade é preciso fazer algumas pequenas escolhas que fortificarão nossos pensamentos, sentimentos e ações em relação a si, aos outros, à vida, a Deus.

Quem gosta de pescar sabe que é “preciso ter pressa para chegar e paciência para pescar”. Talvez diante do novo ano, tenhamos pressa para que chegue, mas, na verdade, precisamos ter paciência para colher os frutos que, de alguma maneira, estão reservados para nós. Paciência é um comportamento a ser treinado para que o fruto merecido seja recolhido no tempo certo.

Um dia de cada vez: administrar o tempo é uma riqueza existencial. Ter a plena consciência que para cada dia há conquistas e desafios. Não resolvemos tudo em um dia só, e também não perdemos tudo. É necessário bom senso diante da agenda. Fazer cada ação do dia com a qualidade que lhe é devida. Isto, para que nenhum dia seja um “peso”,  mas sim, a oportunidade de aproveitar o que é próprio do dia. Tomar um bom café; estar atento na reunião; cumprimentar com simpatia as pessoas que encontrar; evitar reclamações desnecessárias; evitar tomar refeição sozinho,  ir dormir mais cedo.

Ritualizar momentos importantes: faz muito bem ao coração ritualizar os momentos significativos da vida. Por exemplo, comemorar o aniversário, se alegrar pelo dom da vida na companhia de pessoas que lhe fazem bem. Se reunir, receber o afeto de quem o admira. O rito qualifica o que acreditamos. Se você acredita na vida, quer que tenha sempre um valor inegociável, então a celebre.

Encontrar-se com pessoas: além dos encontros “comerciais”, procure ter encontros especiais. Os encontros mais importantes não estão no rol dos negócios, mas sim dos afetos. Tomar um café na companhia de alguém que você quer bem; realizar uma caminhada com um amigo; assistir um bom filme, ir a uma festa, participar de uma celebração… encontrar-se com alguém que é importante na sua vida é revitalizar a alma. É recuperar a alegria de viver. Um bom encontro nos eleva e faz a vida mais leve.

Orar com o coração: orar é um movimento da alma. É um caminho seguro que faz o grande encontro acontecer: o humano com sua prece e o Divino com a sua Graça. Orar em qualquer momento e lugar durante o passar do seu dia faz com que o equilíbrio psíquico e emocional esteja ativado. No momento difícil, orar! Na alegria vivenciada, orar! Orar é viver a partir do interior para qualificar o exterior.

Pe Ederson Iarochevski

Começar…

Fazendo o bem
Cantando a paz
Ajudando o outro
Fortalecendo afetos
Orando a vida
Vivendo com mais simplicidade
Sendo feliz.

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DEUS DA ESPERANÇA: PRECISAMOS DE TI!

19 de abril de 2015

germoglio_m

Será que o século XXI acabará se tornando um imenso cemitério de esperanças? Muitas promessas que foram feitas, advindas do sonho do progresso acelerado, foram desfeitas ao longo do tempo. Chegamos aos tempos modernos com crueldades, injustiças e insegurança.

Também é perceptível que, após o iluminismo e a desvalorização da fé religiosa não houve uma fé maior no ser humano. Sente-se que o abandono de Deus parece ir deixando o homem contemporâneo sem horizonte ultimo, sem metas e pontos de referência. É triste a constatação de Gioacomo Vattimo, de que devemos aprender a “viver na condição de quem não se dirige a lugar nenhum”.

Quando o futuro nos é furtado, o presente nos basta. Isso incorre em um perigo gravíssimo. A vida hedonista e pragmática toma conta da pessoa. Assim, instalados em um sistema que se alimenta apenas do “agora”, com uma segurança leviana, a coisa mais inteligente a fazer é retirar-se ao santuário da vida e desfrutar de todo o prazer agora mesmo.

A cultura da indiferença se sobrepõe à cultura do encontro justamente porque as questões coletivas e o bem comum são causadas pelo desinteresse das pessoas. Assumir compromissos que me coloquem na via de encontro com o outro é o desafio do nosso tempo porque o lema de uma sociedade pautada pelo relativismo é “salve-se quem puder”.

A desesperança tem encontrado muita hospedagem no coração do homem contemporâneo. Assim, a falta de fé em si e no seu próprio progresso, a falta de confiança na vida vai, vagarosamente, petrificando os sentimentos de justiça, bondade, comunhão e verdade no ser humano. Verdade ainda maior detectada em nossas comunidades é que, quando a pessoa vai abandonando Deus, cada vez mais se torna uma pergunta sem resposta, um projeto impossível, alguém que caminha para lugar algum.

Não estará o homem de hoje, mais do que nunca, precisando do “Deus da esperança”? (Rm 15,13). Este Deus de que muitos duvidam, que tantos já abandonaram, mas que outros tantos continuam perguntando por ele. Um Deus que pode devolver-nos a confiança radical na vida e mostrar que o homem continua sendo um ser capaz de projeto e de futuro.

Padre Ederson Iarochevski

LANÇAR-SE COMO SEMENTE

29 de janeiro de 2015
O Semeador - Vincent Van Gogh

O Semeador – Vincent Van Gogh

A cada dia somos sufocados por más notícias pelo rádio, televisão, jornais. Somos bombardeados por uma gama de noticias que resumem a vida social em ódios, guerras, fomes e violências, escândalos, corrupção.  O sensacionalismo tornou-se o grande produto de grande parte dos meios de comunicação e dos comunicadores.

As notícias chegam a uma velocidade tamanha que ficamos atordoados e perdidos. O que se pode fazer diante de tanto sofrimento? Somos, como em nenhum outro tempo, bem informados das mazelas que ferem a humanidade, e sentimo-nos impotentes diante de tudo.

Aos poucos fomos convencidos que o poder tecnológico poderia sanar nossos problemas de ordem pessoal e social, que a razão por si só daria conta de remediar e curar nossos diversos tipos de conflitos, mas não é isso que percebemos. Estamos longe de resolver os problemas porque estamos nos afastando cada vez mais das causas e, artificialmente, crendo que uma hora tudo passará.

A tentação é, justamente, abster-se de quaisquer envolvimentos e compromissos. Se já fiz minha parte, está ótimo, se ainda não fiz, não será através das minhas simples ações que os caminhos hão de se tornar melhores.

Para um cristão, o pensamento não pode amadurecer desta forma. Todo cristão deve se entender como uma “nova semente” da humanidade. “O Reino de Deus é comparado com um homem que lança a semente na terra” (Mc 4,26). Lançar a semente é, também, hoje, lançar-se como uma semente.

Somos aquela semente de mostarda da qual fala Jesus (Mc 4,26-34): é a menor entre as sementes, mas é a que resultará em árvore frondosa onde seus galhos se estenderão ao ponto de se tornar morada para os pássaros e lugar de descanso para os homens.

Precisamos dessa transformação. Assumir que somos uma pequenina semente, mas que porta muita vida em seu interior. Nenhuma realidade será mudada se o dom da vida não tocá-la. O grande sonho da pequena semente de mostarda é ser grande arvore frondosa para servir. Qual é o nosso sonho? Mesmo considerando-nos pequenos diante de tantas grandiosidades, aonde queremos chegar, e a quem desejamos servir?

Não tenhamos medo de ser pequenos, mas não tenhamos medo de sonhar grande. Aceitemos ser como um grão de mostarda, mas busquemos o seu futuro também.

Pe. Ederson Iarochevski

DE QUEM É A CULPA?

18 de janeiro de 2015

porta

Geralmente se pensa que a culpa foi introduzida no mundo pela religião.  Muitos dizem: se Deus não existisse não haveria mandamentos, cada um poderia fazer o que quisesse, e então desapareceria o sentimento de culpa.

Imagina-se ter sido Deus quem proibiu certas coisas, controlando-nos em nossos desejos de gozar  e gerando em nós sentimentos de culpabilidade.

Nada mais longe da realidade.  A culpa é uma experiência que toda pessoa sadia vive em sua peregrinação neste mundo.  Todos nós estamos sujeitos a realizar, em determinados momentos da vida, aquilo que não gostaríamos de fazer, mas fazemos.  É sabido que nossas decisões nem sempre são honestas, nossos comportamentos sadios, nossas palavras sábias e verdadeiras. Às vezes agimos, sim, por motivos obscuros e razões inconfessadas.

Todos vivemos esta experiência: eu não sou o que deveria ser, ou que gostaria de ser.  Muitas vezes poderíamos evitar o mal, eu poderia ser melhor, mas sinto dentro de mim “algo” que me leva a agir mal. Bem afirmou São Paulo: “não faço o bem que eu quero, e sim o mal que não quero” (Romanos 7,19).

O que podemos fazer? Como viver tudo isso diante de Deus?

O Credo nos convida a “crer no perdão dos pecados”. Não é fácil. Afirmamos que Deus é perdão insondável, mas depois projetamos sobre ele nossos medos, fantasmas e ressentimentos, ofuscando seu amor infinito e convertendo-o num ser justiceiro e vingativo.

É necessário libertar Deus destes mal-entendidos. Em Deus não há egoísmos, ressentimentos ou vingança. Deus está sempre voltado para nós, apoiando-nos nesse esforço moral que precisamos fazer para viver dignamente como pessoas. E, na hora em que pecamos, ele continua ali como “mão estendida” para tirar-nos do fracasso. Assim ele se nos revela em Jesus.

Muitas vezes, nas cenas evangélicas, os escribas  duvidam da autoridade de Jesus de conceder o perdão dos pecados. Mas ele, que reconhece como ninguém o coração de Deus, cura o paralitico de sua enfermidade, dizendo-lhe “Filho, teus pecados estão perdoados” (Mc 2,10).

O perdão é sempre remédio para alma. O perdão devolve a vida. O perdão nos devolve a alegria de amar e ser amado.

Pe. Ederson Iarochevski

ACOLHENDO O MISTÉRIO

1 de novembro de 2014
O Pobre - Daniel Lifschitz

O Pobre – Daniel Lifschitz

O que realmente experimentamos? Uma coisa é ter na mente a ideia de que o fogo queima, e outra é pôr a mão no fogo, fazendo assim a experiência do fogo. Uma coisa é ter na mente a idéia de que a água sacia a sede, outra, é em uma tarde de verão refrescar-se com um copo de água fresca. Saber que uma canção é magnífica é interessante, mas comover-se ao ponto de derramar lágrimas durante a execução de uma linda canção é indescritível. Uma coisa é saber que Deus é amor, assim como apreendemos na catequese, outra é tremer de emoção perante uma presença infinitamente amante e amada.

Uma coisa é a palavra de Deus, e outra é o próprio Deus. Posso ouvir a palavra, mas posso não ouvir Deus. Uma coisa é a palavra amor, outra coisa é o amor em si. Deus não é teoria, Deus não é teologia, nem filosofia. Deus é pessoa concreta, inteira, perfeita. E como nos é conhecido, pessoa se conhece através do trato pessoal, e esta forma de tratar-se proporciona aquele conhecimento, experimental, “que supera todo conhecimento”.

Muito mais do que professores de religião, neste mundo necessitamos de profetas. Precisamos ser profetas. Buscar nas fontes escritas sobre Deus também é caminho, mas nada se compara quando o perscrutamos no íntimo de nosso ser, que na verdade é mais conhecido por Ele do que por nós mesmos. Buscar em nós aquele que nos têm. Ser profeta para nós mesmos. Buscar com coerência a verdadeira face do Senhor, para depois comunicá-la aos demais. Este momento, encontro intimo com o Senhor, se dará através de encontros solitários e prolongados com o Senhor Deus. Não é fácil, é desafiante. Forjar uma verdadeira amizade exige renúncias e sacrifícios, para assim viver, em tempos vindouros, as alegrias e esperanças de uma amizade que se prolonga além do tempo.

Precisamos, como cristãos, ser audaciosos. Nossa experiência com Deus deve-nos levar a dar um testemunho de vida e sem, muitas vezes, usar a força da palavra, mesmo assim, gritar com a vida: Jesus Cristo Vive.

O profeta, antes de falar de Deus, fala com Deus. E ninguém tem o direito de levar aos outros aquele que não conhece. Quanto mais Deus for conhecido por mim, mais será recebido pelos outros. Não podemos nos permitir transformar-nos em bronzes que soam ou gente de palavras vazias.

Não sejamos anunciadores de produtividades e brilhantes estatísticas, mas sim daquilo que fecunda a vida do mundo. A produtividade depende somente dos esforços humanos, enquanto que a fecundidade depende de Deus mesmo: é ele o autor da graça, graça que se distribui através de servos humildes e sinceros.

Possamos, como profetas do Reino, saber viajar para dentro de nós. E então, realizaremos as tarefas fecundas que fazem com que o Reino aconteça em nosso meio.

Padre Ederson Iarochevski

 


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