Archive for the ‘Jovem e Vida’ Category

CULTURA DA PAZ

11 de julho de 2016
Escravos pescadores resgatados na Birmânia

Escravos pescadores resgatados na Birmânia

Pensar numa cultura de paz em um mundo em conflito exige profunda jornada de honestas reflexões. A paz, para ser vivida, precisa ser pensada. A paz, para ser uma realidade, precisa ser sonhada. A paz, para ser verdadeira, precisa ser um bem compartilhado. Para isso, algumas referências que nos abrem o caminho para pensar a urgência de uma cultura da paz em situações locais e globais que forjam o preconceito, a indiferença, a discriminação e a negação do outro.

Na Carta da Terra (n° 16) há uma bela definição: “a paz é a plenitude que resulta das relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a terra e com o grande todo do qual somos parte”. Em 2001, no lançamento do Ano Internacional da Paz, o então secretario da ONU Kofi Annan dizia: “a verdadeira paz é muito mais do que ausência de guerra. É um fenômeno que envolve desenvolvimento econômico e justiça social; supõe a salvaguarda do ambiente global e o decréscimo da corrida armamentista; significa democracia, diversidade e dignidade; respeito pelos direitos humanos e pelo estado de direito; e mais, e muito mais”.

 A paz não nasce por ela mesma, ela é fruto de valores, comportamentos e relações que devem existir previamente. A paz é um bem tão ansiado nos tempos atuais porque há uma cultura dominante que se estrutura em vista de opções que são contrárias à paz. Onde há concentração de poder, patrocínio de conflitos sociais, violência contra a natureza, comercialização de tudo e de todos, a paz torna-se um artigo sem necessidade e não uma prioridade.

Superar empecilhos, buscar a paz, sempre 

Pacifismo sem limites: em lugares com situações de extrema violência, agressões e guerras, surgiram pessoas e grupos que optaram pela paz sem limites. Preferiram deixar-se matar a agredir, e mesmo a defender-se: São Francisco, o médico e humanista Albert Schweitzer, o escritor russo Leon Tólstoi e o Marechal Rondon, grande pacificador dos indígenas brasileiros cujo lema era “antes morrer que matar”. Estes podem ser tidos como radicais pacifistas, renunciaram a todo tipo de agressão a qualquer ser.

Pacifismo Ativo: é a recusa extrema de usar o poder militar e a guerra, ou outro tipo de força negativa para solucionar os problemas. Esta maneira de agir é também chamada de “não-violência”, como praticada por Gandhi. O pacifismo ativo não é uma tática ou uma estratégia, mas sim uma convicção de que a verdade tem força e irradiação própria, capaz de se impor por si mesma. Napoleão Bonaparte dizia: “no mundo há duas forças, a da espada e a do espírito; a força do espírito acabará vencendo a força da espada”.

Pacifismo revolucionário: busca a causa de toda forma de violência. Objetiva-se a encontrar as conexões ocultas que levam pessoas, lideranças, grupos e nações a optar pela violência para alcançar seus interesses. Autodenomina-se revolucionáro não por pretender usar meios violentos, mas por buscar saber as razões geradoras de violência. Utiliza-se dos meios políticos, das articulações dos movimentos sociais, da mobilização das religiões e igrejas, e do envolvimento com grupos em práticas alternativas que ocupam-se com a geração de uma cultura de paz. Chico Mendes foi um adepto deste pacifismo, organizando com os povos da floresta para fazer frente aos avanços dos desmatamentos amazônicos e à exploração dos índios e seringueiros.

Você é um agente da cultura da paz? Questione-se um pouco:

  • Dou espaço para o diálogo?
  • Busco compreender a posição do outro?
  • Estou aberto a identificar os pontos em comum com os outros?
  • Estou disposto à concórdia e ao perdão?
  • As campanhas para a não violência (violência infantil, contra a mulher, trabalho escravo…e outras) te sensibilizam?
  • Em suas redes sociais, suas publicações e compartilhamentos incita à paz ou à violência?
  • Qual foi a sua ultima atitude em vista de uma cultura da paz?

Pe. Ederson Iarochevski

BEM AVENTURADOS…

Bem Aventurados os hospitaleiros porque, mesmo sem saber, podem estar hospedando o próprio Deus e seus mensageiros.

Bem aventurados quem convive em paz com o diferente porque está sendo enriquecido em humanidade.

Bem aventurados os quem mostrarem tolerância com os diferentes, pois seu coração bate no ritmo do coração de Deus que tolera a todos, bons e maus, justos e injustos.

Bem aventurados os que se sentam à mesma mesa para cear, porque estes viverão a alegria da comunhão no pão e na paz.

Bem aventurados os que promovem a paz, se querem bem, desarmam os espíritos exaltados, cultivam o respeito uns aos outros. Estes serão os primeiros cidadãos do novo céu e da nova terra.

Bem aventurados os que buscam amar sempre, estes serão envolvidos pelo amor eternamente.

 

DEUS DA ESPERANÇA: PRECISAMOS DE TI!

19 de abril de 2015

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Será que o século XXI acabará se tornando um imenso cemitério de esperanças? Muitas promessas que foram feitas, advindas do sonho do progresso acelerado, foram desfeitas ao longo do tempo. Chegamos aos tempos modernos com crueldades, injustiças e insegurança.

Também é perceptível que, após o iluminismo e a desvalorização da fé religiosa não houve uma fé maior no ser humano. Sente-se que o abandono de Deus parece ir deixando o homem contemporâneo sem horizonte ultimo, sem metas e pontos de referência. É triste a constatação de Gioacomo Vattimo, de que devemos aprender a “viver na condição de quem não se dirige a lugar nenhum”.

Quando o futuro nos é furtado, o presente nos basta. Isso incorre em um perigo gravíssimo. A vida hedonista e pragmática toma conta da pessoa. Assim, instalados em um sistema que se alimenta apenas do “agora”, com uma segurança leviana, a coisa mais inteligente a fazer é retirar-se ao santuário da vida e desfrutar de todo o prazer agora mesmo.

A cultura da indiferença se sobrepõe à cultura do encontro justamente porque as questões coletivas e o bem comum são causadas pelo desinteresse das pessoas. Assumir compromissos que me coloquem na via de encontro com o outro é o desafio do nosso tempo porque o lema de uma sociedade pautada pelo relativismo é “salve-se quem puder”.

A desesperança tem encontrado muita hospedagem no coração do homem contemporâneo. Assim, a falta de fé em si e no seu próprio progresso, a falta de confiança na vida vai, vagarosamente, petrificando os sentimentos de justiça, bondade, comunhão e verdade no ser humano. Verdade ainda maior detectada em nossas comunidades é que, quando a pessoa vai abandonando Deus, cada vez mais se torna uma pergunta sem resposta, um projeto impossível, alguém que caminha para lugar algum.

Não estará o homem de hoje, mais do que nunca, precisando do “Deus da esperança”? (Rm 15,13). Este Deus de que muitos duvidam, que tantos já abandonaram, mas que outros tantos continuam perguntando por ele. Um Deus que pode devolver-nos a confiança radical na vida e mostrar que o homem continua sendo um ser capaz de projeto e de futuro.

Padre Ederson Iarochevski

O MUNDO TEM CONSERTO

21 de agosto de 2013
Buscando a felicidade - Trento Lungaretti

Buscando a felicidade – Trento Lungaretti

O mundo tem conserto, mas, para tal obra precisamos de corações consertados. Cada um de nós, humanos que somos, vive em constante tensão, e assim resume o sociólogo Edgar Morin  “homo sapiens homo demens” (homem sábio, homem louco), ora acertamos e evoluímos, ora erramos e, não tomando consciência do erro, regredimos.

Mas, o ponto importante aqui é, justamente, o tomar consciência. Cada pessoa sabe que sabe. Isto nos torna conhecedores de nós mesmos, podendo assim  ser o próprio gestor de sua vida: pensar-se e responder por si, a partir de princípios e valores que buscamos viver. Tomar consciência, então, é voltar-se para si, para o que pensa, sente e faz. É iluminar-se pelo avesso,  começar pelo lado de dentro. É não ter medo de descer aos porões de nossa consciência para fazer a limpeza necessária.

Muito me encantou na JMJ, especialmente na caminhada da Estação Central até a praia de Copacabana, a quantidade de jovens que buscavam os sacerdotes para que, enquanto caminhavam, pudessem receber o sacramento da confissão. O sacramento da cura dos corações e da mente, a certeza de que Deus, por seu infinito amor e misericórdia, garante àquele que tomou consciência de seus erros uma nova chance para recomeçar com alegria e leveza, assumindo livremente que o caminho do pecado deve ser evitado, e a Graça acolhida sempre. É uma postura de quem não tem medo de se reconhecer frágil e decide-se a optar pela força do amor de Deus para tocar sua vida adiante. É emocionante sentir que os jovens desejam, ardentemente, reorientar suas vidas a partir do coração de Deus.

Isso fortalece em nós a convicção de que os jovens cristãos são conscientes de sua fé e fazem da sua vida um espaço de livre acesso para Deus agir. O jovem que alimenta sua fé na escuta da Palavra, alimentando-se da eucaristia e buscando viver em Cristo através da acolhida e vivência dos sacramentos faz com que sua vida ganhe sentido pleno. É este jovem que toma consciência de sua unidade com Deus que será verdadeiramente a janela pela qual o futuro entrará, na afirmação do papa Francisco. É este jovem que abraçará as causas de justiça e de paz e será protagonista de um mundo mais saudável.

Bendito sejam os jovens que, em sua caminhada, seguem os passos do Bom Pastor, na certeza de que as causas assumidas a partir de agora estão ligadas àquele que nos chamou para sermos sal e luz: Jesus Cristo.

Pe. Éderson Iarochevski

DOCE ILUSÃO

4 de julho de 2012

Dúvidas não eram permitidas naquele coração. A jovem, apaixonada, a cada dia tinha mais certeza de ter encontrado seu príncipe encantado. Sua preocupação era apenas realizar os desejos dele, para que o “para sempre” permanecesse intacto e sem manchas.

Para aquela jovem apaixonada nada mais importava a não ser o seu “namô”. Tudo era perfeito com ele, mas sem ele tudo estava errado. Até mesmo o respirar só era interessante ao lado dele, caso contrário, poderia parar/morrer que não faria diferença. As pessoas que até então passaram e marcaram sua vida já não tinham mais o valor que antes tiveram e, ainda, suas presenças incomodavam, pois roubavam a chance de ficar a sós com seu príncipe. Os projetos profissionais, sonhos alimentados desde a infância e outros afazeres que a vida proporciona foram todos abandonamos.

Logicamente, todas as decisões tomadas – viver só em função dele, respirar só por ele, abandonar os amigos, esquecer que tem familiares, protelar sonhos de estudos e realização profissional – não nasceram apenas do coração daquela jovem, mas foram impulsionados pelo seu “príncipe” que, no limite de seus sentimentos desordenados, desejava atenção 24 horas.

Não demorou muito: a máscara do príncipe foi ao chão e restaram apenas palavras ofensivas, olhares agressivos e gestos de desprezo. A jovem, mesmo sofrendo dores do que parecia improvável, permanecia acreditando que era apenas um momento ruim que logo iria passar. O encontro de um coração que sonha a relação perfeita com um coração todo desorientado afetivamente faz com que duas pessoas possam viver dores profundas a ponto de querer abandonar a vida a qualquer momento, e de qualquer jeito.

A dependência afetiva estava revelada. As feridas, descarnadas.  Toda vez que você vive a vida que está nos desejos de outro, o risco de depender afetivamente é muito grande. A dependência, por vezes, é tão forte que, mesmo sofrendo as humilhações mais pesadas e violências mais graves, a pessoa permanece na situação, acreditando que é possível mudar, apesar de todos os sinais evidenciarem total exploração afetiva, emocional e até violência física.  Foi o que aconteceu: a jovem, portadora dos mais lindos sonhos, teve a vida administrada por alguém mal intencionado. As juras de um amor perfeito são o primeiro sintoma de que, no futuro, poderão fragilizar, e muito, corações desejosos de amar verdadeiramente.

O que fazer em uma situação que assim se apresenta? Não há soluções prontas, mas caminhos diferentes que podem ser trilhados. Fazer com que a situação seja conhecida por pessoas de confiança. Ir desfazendo os “nós” que amarram a relação. Propor-se a iniciar novos projetos. Freqüentar lugares diferentes. Permitir-se ser orientado por um profissional da área da psicologia para que se possa fazer uma “reciclagem” dos sentimentos e pensamentos em relação ao que aconteceu e ao que se deseja viver. Acreditar que a vida pode ganhar novos ares, novas graças, novas pessoas. Perceber que quando não se é amado por alguém que um dia jurou amor a você, o passo a ser dado é uma alternativa necessária para garantir qualidade de vida: amar-se.

Ninguém tem o direito de poluir seus sonhos. E você não tem a obrigação de conviver com os “poluidores de almas”. Quer ser feliz? Descubra e conviva com aqueles que fazem de você um “reflexo de felicidade”.

Ederson iarochevski

NOVO ANO PARA VIVER AINDA MELHOR

28 de dezembro de 2010

Festival das Luzes - Frankfurt

O que não falta na época da “virada de ano” são as famosas simpatias. Estão presentes em todos os lugares e encantam a um grande numero de pessoas. As cores das roupas, o que se deve ou não comer para dar sorte, os banhos de energização, amuletos, palavras que precisam ser proferidas para trazer um novo amor, e tantas formas de magias para garantir que a sorte estará do seu lado.

A chegada de um novo ano é a oportunidade para reavivar em nós tudo aquilo que pode garantir uma vida mais feliz, saudável. Para ser uma pessoa renovada no ano que chega não é preciso simpatias e magias, mas algumas atitudes que fazem a virada ser completa.

Ser mais simpático. Isso mesmo, ser agradável com as pessoas que se aproximam de você. Não levar tudo ao pé da letra. Saber equilibrar os momentos. Saber acolher as pessoas de forma que possam sentir-se bem ao seu lado. Não economizar sorrisos e boas conversas. Partilhar a vida de um jeito alegre. E, se algo não sair como queria neste final de ano e início de ano novo, lembrar que a vida e as pessoas são muito mais que um problema que chega. Ano novo é tempo de derramar sorrisos verdadeiros para as pessoas, para o mundo.

Crer que amar vale mais. É o amor que nos move para frente, na vida. Por vezes não acreditamos nesta verdade. O ano que chega deve reclamar de nós mais vontade de amar. Querer ser como uma ponte para que o amor o conduza para o lado do bem, da beleza, da bondade e da justiça. Não querer ser como um muro que impede o amor de fazer sua passagem e deixar suas marcas. Ano novo é tempo de se amar e de amar.

Deixar brilhar a luz da esperança. Esperança é olhar para frente e crer que o melhor sempre está por vir. Esperança é saber isso de forma antecipada: o que esperamos para viver bem e felizes ainda não aconteceu, não é motivo para desistir. Esperança é uma espera que não decepciona. O ano novo é tempo de manter viva a luz que ilumina o caminho que conduzirá à alegria de viver. Manter viva a luz da esperança é amar os próximos dias mesmo antes que eles cheguem. Ano novo é  tempo de esperar o melhor.

Fazer dos amigos o seu tesouro. Se tem pelo menos um amigo, sua vida já está no caminho certo. Amigo é aquele que nos ensina, mesmo sem dizer, que viver só vale a pena quando temos alguém com quem contar em todas as horas. Se quiser começar bem um novo ano, redescubra e valorize seus amigos. Se dê de presente a eles. Faça deles pessoas importantes para o seu coração. Não os deixe morrer de saudade. Vá ao seu encontro. Novo ano só tem sentido na certeza de que as velhas (e novas) amizades estão garantidas.

Deus, amigo eterno. Deus é aquele que se preocupa com a gente. Seu sonho é nos ver felizes, realizados. No seu projeto só tem espaço para a misericórdia e para o amor. Estar com Deus é estar certo de que será acolhido e amado todos os dias. Ano novo sem Deus é ano envelhecido. Se permite Deus na sua vida pode ter a certeza de que o novo ano será abençoado e lhe renderá grandes alegrias e realizações, porque Deus o ama sem cansar e está sempre pronto a lhe preparar a melhor festa, a dar-lhe a melhor roupa, a ensinar o melhor jeito de viver bem, pois Deus se preocupa apenas em amar você.

Éderson Iarochevski


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