SOBRE PERDER E DESISTIR 

perder-e-desistir

Perder é um acontecimento na vida. Desistir é propor o fim da vida. Sempre haverá derrotas que abatem, entristecem e por alguns momentos furtam o sentido das coisas, mas não são motivo para não querer continuar. No entanto, desistir é desligar-se, não querer mais realizar, esconder-se, entrar em processo de definhamento onde o sentido e a importância de tudo o que confere vitalidade para a pessoa não interessa mais.

Perder um jogo, o emprego, uma promoção, uma pessoa querida vai fazer parte de nossa vida. E sabemos o quanto é dolorido perder, até porque na sociedade não se ensina a arte de apreender a conviver com as perdas que acontecem, mas estratégias em que sempre se possa ganhar. O verbo perder não combina com a nossa época, mas é uma experiência por que todos nós passaremos e, dependendo do tipo de perda, é um exercício sacrifical para restaurar-se e prosseguir. Perder pode se tornar a grande oportunidade de recomeçar e descobrir que os ganhos vindouros terão outros sabores, significados e importância na vida da pessoa. A perda qualifica o que, com o tempo, se ganha.

Diante de uma perda, podemos incorrer no risco de desistir, e a desistência aqui não é apenas mudar de rota, mas abandonar totalmente o caminho. Geralmente, quando se desiste de conviver, buscar novos projetos, realizações e aspirações pessoais e/ou comunitárias é porque a sombra da derrota é mais forte que a luz dos recomeços. Desistir é o estado vegetativo da alma. Geralmente, pessoas que dificultam a convivência com outras pessoas, que negativizam as realidades, os que posicionam-se contra tudo e todos, os que frustrados com algum tipo de enfermidade física, emocional, psíquica e até mesmo espiritual dão por encerrada a possibilidade de recomeçar. Preferem evitar as pessoas, abandonar os exercícios físicos e mentais, abandonam os tratamentos…

– É possível apreender a perder, sem desistir?

– Sim. É possível!

 Perder é parte de nossa condição: nosso estatuto humano confirma que somos limitados, temos esta realidade desconcertante: as perdas hão de ser uma realidade em nossa caminhada existencial. Portanto, faz bem para a mente e coração refletir, rezar e conversar sobre a possibilidade de perda. É tão interessante que, por mais que seja assustador, preciso me perguntar:  se eu perder aquilo como vou me sentir? O que vou fazer? Como vou continuar? Eis uma preparação.

Perder para ganhar: nesta vida, tudo é provisório, não é saudável carimbar como perene o que é passageiro. Portanto, tudo o que é bom passa, mas o que não é bom também passa, por isso, por mais dura que seja a perda, há de chegar uma nova oportunidade.

Na perda, aceitar ajuda: o que vitaliza a alma é a solidariedade. Quando nos permitimos ser ajudados somos humanamente tocados. Na solidariedade existe um processo de restauração. Perder pode se transformar em uma oportunidade de descobrir que a solidariedade é que devolve o sentido da vida para quem é alfinetado pela dor da perda.

Deus, de amor e bondade
Tu que aceitaste “perder” teu amado Filho para “ganhar” a todos nós
Ensina-nos que, nas tramas da vida
Por mais sofrida que seja a perda
Há de brilhar uma nova luz
Há de chegar uma nova oportunidade
Há de aparecer uma nova pessoa
Haveremos de conhecer, ainda mais, teu amor misericordioso
Que nos faz ganhar mesmo quando sofremos perda

Pe. Ederson Iarochevski 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: