Archive for abril \08\UTC 2016

PERIGO: AMOR EXCLUSIVISTA

8 de abril de 2016

la-gelosia-non-e-amore

Você é o ar que eu respiro”, “sem você não vivo mais”, “minha vida sem você não tem mais sentido”. “Só você e ninguém mais em minha vida”… Estas simples frases podem parecer encantadoras em um momento e, até mesmo “provar” amor por alguém, mas o que aparenta encanto pode tornar-se uma verdadeira armadilha.

Armadilha não pelo fato da intenção de “provar” que ama, mas por este amor ser exclusivista.

Nossa vocação é amar. Doar-nos para alguém faz parte do estatuto afetivo do ser humano. Impossível pensar uma vida sem dedicar-se pelo bem do outro. Fazer feliz, nos faz ser felizes. Mas há perigo iminente quando fomentamos nossa mente para que ame alguém de maneira exclusivista. Exclusividade é dedicar-se inteiramente a alguém ou alguma coisa. E destinar sua atenção, energia e afeto para aquilo que você endereçou seu coração. No entanto, quando o ato de amar torna-se exclusivista poderá ser prejudicial à saúde afetiva de qualquer pessoa.

Será perigoso amar com exclusividade alguém?

Muitos, na ânsia de viver um grande amor nesta vida, acabam, sem perceber, deixando na margem outros “amores” que sustentam o equilíbrio afetivo de uma pessoa. Quando, para amar alguém, é preciso afastar-se do ambiente familiar, deixar de lado os amigos, os sonhos pessoais que carrega, o projeto de futuro que pretende este amor está furtando a pessoa da experiência nobre de amar.

A experiência do amor é plural. Logicamente, a maneira de amar é diferente. Amar os familiares tem uma conotação e grau diferente do que amar sua profissão.

Mas, a questão está ligada ao fato de destinar toda a vontade de amar somente para um lado e, consequentemente, abandonar todas as outras forças vivas de amor.

Nos dias atuais, as relações são estabelecidas com maior facilidade e, tendo em vista os recursos de comunicação que temos, os laços estão cada vez mais enfraquecidos e, assim, o amor vai se tornando-se cada vez mais líquido, conforme lembra o sociólogo Zigmunt Baumann. A presença da pessoa vai ficando cada vez mais cara em tempos de relações virtuais e é neste momento que as portas das prisões afetivas são abertas. “Fico com você, mas para isso terá que abrir mão de todas as outras possíveis presenças”. A fragilidade das relações expõe a pessoa aos perigos de ser ludibriada nos afetos, tornando-se vítima daqueles que, pela ausência de responsabilidade afetiva, exigem

amor exclusivista, fazendo com que a pessoa “abandone” os outros amores por causa do grande amor da sua vida.

Na mensagem cristã vemos a preocupação de Jesus Cristo com relações reais e saudáveis, um amor recíproco e envolvente, onde todos estejam dispostos para amar sem necessidade de encarcerar o outro em afetos desvirtuados.

“Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

Padre Ederson Iarochevski


%d blogueiros gostam disto: