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DEUS DA ESPERANÇA: PRECISAMOS DE TI!

19 de abril de 2015

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Será que o século XXI acabará se tornando um imenso cemitério de esperanças? Muitas promessas que foram feitas, advindas do sonho do progresso acelerado, foram desfeitas ao longo do tempo. Chegamos aos tempos modernos com crueldades, injustiças e insegurança.

Também é perceptível que, após o iluminismo e a desvalorização da fé religiosa não houve uma fé maior no ser humano. Sente-se que o abandono de Deus parece ir deixando o homem contemporâneo sem horizonte ultimo, sem metas e pontos de referência. É triste a constatação de Gioacomo Vattimo, de que devemos aprender a “viver na condição de quem não se dirige a lugar nenhum”.

Quando o futuro nos é furtado, o presente nos basta. Isso incorre em um perigo gravíssimo. A vida hedonista e pragmática toma conta da pessoa. Assim, instalados em um sistema que se alimenta apenas do “agora”, com uma segurança leviana, a coisa mais inteligente a fazer é retirar-se ao santuário da vida e desfrutar de todo o prazer agora mesmo.

A cultura da indiferença se sobrepõe à cultura do encontro justamente porque as questões coletivas e o bem comum são causadas pelo desinteresse das pessoas. Assumir compromissos que me coloquem na via de encontro com o outro é o desafio do nosso tempo porque o lema de uma sociedade pautada pelo relativismo é “salve-se quem puder”.

A desesperança tem encontrado muita hospedagem no coração do homem contemporâneo. Assim, a falta de fé em si e no seu próprio progresso, a falta de confiança na vida vai, vagarosamente, petrificando os sentimentos de justiça, bondade, comunhão e verdade no ser humano. Verdade ainda maior detectada em nossas comunidades é que, quando a pessoa vai abandonando Deus, cada vez mais se torna uma pergunta sem resposta, um projeto impossível, alguém que caminha para lugar algum.

Não estará o homem de hoje, mais do que nunca, precisando do “Deus da esperança”? (Rm 15,13). Este Deus de que muitos duvidam, que tantos já abandonaram, mas que outros tantos continuam perguntando por ele. Um Deus que pode devolver-nos a confiança radical na vida e mostrar que o homem continua sendo um ser capaz de projeto e de futuro.

Padre Ederson Iarochevski

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DE QUEM É A FESTA DA PÁSCOA?

13 de abril de 2015
Cristo abençoando - Melozzo da Forli - Quirinale

Cristo abençoando – Melozzo da Forli – Quirinale

A Páscoa é a grande festa da vida que se atualiza na história da humanidade, especialmente na vida de cada cristão que orienta o seu pensar e sentir em direção à vida proclamada na ressurreição do Filho de Deus. Se entendermos a Páscoa como acontecimento do passado, cada vez mais ficará distante de nós, e isso nos fará distanciar da verdade que alimenta nossa alma, e que nos põe em marcha rumo à vida definitiva que nos foi prometida como herança por aquele que mais nos amou.

Crer no Cristo ressuscitado não é somente crer em algo que aconteceu ao Jesus sepultado. É dar-se conta, em nossos dias, no mais profundo de nosso ser: “Não tenhais medo, sou eu, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo pelos séculos dos séculos” (Ap 1,17-18).

De maneira oculta, mas real, Cristo ressuscitado vive agora infundindo em nós sua energia vital. A “lei secreta” que move o caminhar de tudo para a Vida é Cristo.  Nas palavras do teólogo Karl Rahner, Ele é o “coração do mundo”.

Por isso, celebrar a Páscoa é essencial na vida do cristão. Dirigir o pensamento a partir da luz que emana do Ressuscitado é desvelar os véus que escondem a verdade, espanar as poeiras que embaraçam o olhar, as mesquinharias que deturpam a vida pessoal e comunitária. A Páscoa, celebrada em sua inteireza, recria a pessoa e a comunidade. Um novo hálito de vida é soprado sobre nós.

A promessa do Ressuscitado é permanecer conosco em todo tempo. Assim, temos certeza de que nenhum ser humano esta só, ninguém vive esquecido, nenhuma queixa cai no vazio, nenhum grito deixa de ser ouvido, pois o Ressuscitado está conosco e em nós.

De quem é a festa da Páscoa? É de todos, sim! Mas, principalmente, dos que se sentem sós e perdidos. É a festa dos que se envergonham de sua mesquinhez e de seus pecados. A festa dos que se sentem mortos por dentro, os que se sentem oprimidos pelo peso da vida e pela mediocridade do seu coração. É a festa de todos nós que nos sentimos mortais, mas descobrimos em Cristo ressuscitado a esperança da vida eterna.

Felizes os que deixam penetrar em seu coração a palavra do Senhor Jesus: “Tende paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas, tende coração, eu venci o mundo” (Jo 16,33)

Padre Ederson Iarochevski


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