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LANÇAR-SE COMO SEMENTE

29 de janeiro de 2015
O Semeador - Vincent Van Gogh

O Semeador – Vincent Van Gogh

A cada dia somos sufocados por más notícias pelo rádio, televisão, jornais. Somos bombardeados por uma gama de noticias que resumem a vida social em ódios, guerras, fomes e violências, escândalos, corrupção.  O sensacionalismo tornou-se o grande produto de grande parte dos meios de comunicação e dos comunicadores.

As notícias chegam a uma velocidade tamanha que ficamos atordoados e perdidos. O que se pode fazer diante de tanto sofrimento? Somos, como em nenhum outro tempo, bem informados das mazelas que ferem a humanidade, e sentimo-nos impotentes diante de tudo.

Aos poucos fomos convencidos que o poder tecnológico poderia sanar nossos problemas de ordem pessoal e social, que a razão por si só daria conta de remediar e curar nossos diversos tipos de conflitos, mas não é isso que percebemos. Estamos longe de resolver os problemas porque estamos nos afastando cada vez mais das causas e, artificialmente, crendo que uma hora tudo passará.

A tentação é, justamente, abster-se de quaisquer envolvimentos e compromissos. Se já fiz minha parte, está ótimo, se ainda não fiz, não será através das minhas simples ações que os caminhos hão de se tornar melhores.

Para um cristão, o pensamento não pode amadurecer desta forma. Todo cristão deve se entender como uma “nova semente” da humanidade. “O Reino de Deus é comparado com um homem que lança a semente na terra” (Mc 4,26). Lançar a semente é, também, hoje, lançar-se como uma semente.

Somos aquela semente de mostarda da qual fala Jesus (Mc 4,26-34): é a menor entre as sementes, mas é a que resultará em árvore frondosa onde seus galhos se estenderão ao ponto de se tornar morada para os pássaros e lugar de descanso para os homens.

Precisamos dessa transformação. Assumir que somos uma pequenina semente, mas que porta muita vida em seu interior. Nenhuma realidade será mudada se o dom da vida não tocá-la. O grande sonho da pequena semente de mostarda é ser grande arvore frondosa para servir. Qual é o nosso sonho? Mesmo considerando-nos pequenos diante de tantas grandiosidades, aonde queremos chegar, e a quem desejamos servir?

Não tenhamos medo de ser pequenos, mas não tenhamos medo de sonhar grande. Aceitemos ser como um grão de mostarda, mas busquemos o seu futuro também.

Pe. Ederson Iarochevski

DE QUEM É A CULPA?

18 de janeiro de 2015

porta

Geralmente se pensa que a culpa foi introduzida no mundo pela religião.  Muitos dizem: se Deus não existisse não haveria mandamentos, cada um poderia fazer o que quisesse, e então desapareceria o sentimento de culpa.

Imagina-se ter sido Deus quem proibiu certas coisas, controlando-nos em nossos desejos de gozar  e gerando em nós sentimentos de culpabilidade.

Nada mais longe da realidade.  A culpa é uma experiência que toda pessoa sadia vive em sua peregrinação neste mundo.  Todos nós estamos sujeitos a realizar, em determinados momentos da vida, aquilo que não gostaríamos de fazer, mas fazemos.  É sabido que nossas decisões nem sempre são honestas, nossos comportamentos sadios, nossas palavras sábias e verdadeiras. Às vezes agimos, sim, por motivos obscuros e razões inconfessadas.

Todos vivemos esta experiência: eu não sou o que deveria ser, ou que gostaria de ser.  Muitas vezes poderíamos evitar o mal, eu poderia ser melhor, mas sinto dentro de mim “algo” que me leva a agir mal. Bem afirmou São Paulo: “não faço o bem que eu quero, e sim o mal que não quero” (Romanos 7,19).

O que podemos fazer? Como viver tudo isso diante de Deus?

O Credo nos convida a “crer no perdão dos pecados”. Não é fácil. Afirmamos que Deus é perdão insondável, mas depois projetamos sobre ele nossos medos, fantasmas e ressentimentos, ofuscando seu amor infinito e convertendo-o num ser justiceiro e vingativo.

É necessário libertar Deus destes mal-entendidos. Em Deus não há egoísmos, ressentimentos ou vingança. Deus está sempre voltado para nós, apoiando-nos nesse esforço moral que precisamos fazer para viver dignamente como pessoas. E, na hora em que pecamos, ele continua ali como “mão estendida” para tirar-nos do fracasso. Assim ele se nos revela em Jesus.

Muitas vezes, nas cenas evangélicas, os escribas  duvidam da autoridade de Jesus de conceder o perdão dos pecados. Mas ele, que reconhece como ninguém o coração de Deus, cura o paralitico de sua enfermidade, dizendo-lhe “Filho, teus pecados estão perdoados” (Mc 2,10).

O perdão é sempre remédio para alma. O perdão devolve a vida. O perdão nos devolve a alegria de amar e ser amado.

Pe. Ederson Iarochevski


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