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NATAL: TEMPO DE DEVOLUÇÃO

11 de dezembro de 2014

Natividade - ícone copta de Bose

Natividade – ícone copta de Bose

Esperançar o coração em Deus, eis a graça do natal. Como é bom poder viver este tempo que faz com que nossa memória afetiva encontre-se com momento marcante de nossa fé: o nascimento do menino Deus.

“Preparem o caminho do Senhor, endireitem suas estradas” (Mc 1,3) a voz do profeta que outrora ressoava hoje também nos alcança. Desconsiderar a facilidade ilusória dos atalhos, e encorajar-se para preparar os caminhos, as estradas, a mente, o coração, o lar, nossa família, para receber a presença do “vivente”, do Deus-menino.

Pode parecer difícil em tempos em que o natal tornou-se uma grande festa comercial, querer acolher um menino pobre com sua família toda desgastada da fatigante fuga para a preservação da vida. Será que ficaríamos a vontade em nossos banquetes luxuosos, regado de finas bebidas e apetitosos pratos, com a presença da família de Nazaré sofrida, estropiada e esquecida? Talvez, é mais interessante acolher um falso velhinho, de barba postiça, com algumas cobranças pífias e com um saco cheio de brinquedos para maquiar a ausência de muitos pais durante o ano todo na vida de seus filhos.

Então como celebrar o natal de um jeito mais certo?

Primeiro, podemos “parar” e “pensar”: o que significa o natal para mim? Celebro esta festa consciente do porque que ela existe? O que espero do natal e o que ele espera de mim? Que lugar tem o menino-Deus em meus festejos? O que você já tem em sua casa que lembra o verdadeiro sentido da existência do natal?

Segundo, celebrar em comunidade. Sua família é sua primeira comunidade, e a comunidade de fé deve ser uma extensão do vosso lar. “A igreja também é sua casa”. Celebre com os familiares, celebre com os amigos, vizinhos, com os que creem no que você crê.

Terceiro, não há festa se não houver reconciliação. Estabelecer, reafirmar e renovar os laços afetivos com as pessoas, especialmente, com nossa família. Dar-se conta de quão frágil a vida é, e como é bom poder celebrar mais um natal, e tomar consciência que precisamos reforçar aquilo que não nos enfraquece, isto é, estar em paz com os familiares. Buscar, com humildade, reconciliar-se, pedir perdão pelos infortúnios acontecidos durante o passar do tempo. Fazer como os pastores diante da sagrada familia: reverenciá-la, ofertar à nossa família o que temos de mais verdadeiro e justo. Tempo de natal é sempre tempo de “voltar para casa”.

Renove-se completamente. Peça ao menino-Deus que a alegria, a singeleza, a criatividade e generosidade de uma criança possam habitar sua alma. Volte-se a partir da festa do natal para aquilo que devolve a você a capacidade de ser feliz com aquilo que é simples. O natal é a festa da simplicidade e generosidade. Seja simples e gentil, peça ao menino-Deus que pela força do Espírito Santo você possa tomar posse de tamanhos dons.

O natal é tempo especial para nos devolvermos para Deus, nos entregarmos em amor e paz às nossas famílias, e reafirmamos o compromisso incondicional com a vida. Descubra a verdade que o natal revela e se revele ao natal. Que o natal sem um tempo que atravessa as barreiras dos calendários e possa permanecer contigo. Que tenhamos uma “alma natalina”. Sejamos cristãos simples e generosos para hospedar Deus em nós com gratuidade.

Pe. Ederson Iarochevski

 

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