ACOLHENDO O MISTÉRIO

O Pobre - Daniel Lifschitz

O Pobre – Daniel Lifschitz

O que realmente experimentamos? Uma coisa é ter na mente a ideia de que o fogo queima, e outra é pôr a mão no fogo, fazendo assim a experiência do fogo. Uma coisa é ter na mente a idéia de que a água sacia a sede, outra, é em uma tarde de verão refrescar-se com um copo de água fresca. Saber que uma canção é magnífica é interessante, mas comover-se ao ponto de derramar lágrimas durante a execução de uma linda canção é indescritível. Uma coisa é saber que Deus é amor, assim como apreendemos na catequese, outra é tremer de emoção perante uma presença infinitamente amante e amada.

Uma coisa é a palavra de Deus, e outra é o próprio Deus. Posso ouvir a palavra, mas posso não ouvir Deus. Uma coisa é a palavra amor, outra coisa é o amor em si. Deus não é teoria, Deus não é teologia, nem filosofia. Deus é pessoa concreta, inteira, perfeita. E como nos é conhecido, pessoa se conhece através do trato pessoal, e esta forma de tratar-se proporciona aquele conhecimento, experimental, “que supera todo conhecimento”.

Muito mais do que professores de religião, neste mundo necessitamos de profetas. Precisamos ser profetas. Buscar nas fontes escritas sobre Deus também é caminho, mas nada se compara quando o perscrutamos no íntimo de nosso ser, que na verdade é mais conhecido por Ele do que por nós mesmos. Buscar em nós aquele que nos têm. Ser profeta para nós mesmos. Buscar com coerência a verdadeira face do Senhor, para depois comunicá-la aos demais. Este momento, encontro intimo com o Senhor, se dará através de encontros solitários e prolongados com o Senhor Deus. Não é fácil, é desafiante. Forjar uma verdadeira amizade exige renúncias e sacrifícios, para assim viver, em tempos vindouros, as alegrias e esperanças de uma amizade que se prolonga além do tempo.

Precisamos, como cristãos, ser audaciosos. Nossa experiência com Deus deve-nos levar a dar um testemunho de vida e sem, muitas vezes, usar a força da palavra, mesmo assim, gritar com a vida: Jesus Cristo Vive.

O profeta, antes de falar de Deus, fala com Deus. E ninguém tem o direito de levar aos outros aquele que não conhece. Quanto mais Deus for conhecido por mim, mais será recebido pelos outros. Não podemos nos permitir transformar-nos em bronzes que soam ou gente de palavras vazias.

Não sejamos anunciadores de produtividades e brilhantes estatísticas, mas sim daquilo que fecunda a vida do mundo. A produtividade depende somente dos esforços humanos, enquanto que a fecundidade depende de Deus mesmo: é ele o autor da graça, graça que se distribui através de servos humildes e sinceros.

Possamos, como profetas do Reino, saber viajar para dentro de nós. E então, realizaremos as tarefas fecundas que fazem com que o Reino aconteça em nosso meio.

Padre Ederson Iarochevski

 

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