PALAVRAS VÃS E FALSOS PROFETAS

Vocação de Jeremias - Giuseppe Cordiano

Vocação de Jeremias – Giuseppe Cordiano

“Eu vos digo: de toda palavra vã que se proferir há de se prestar conta, no dia do juízo” . Mt 12,36). O que podemos entender desta palavra proferida por Jesus e que faz tremerem em todos os tempos os leitores do Evangelho?

Para entender, voltamo-nos para outra passagem do Evangelho de Mateus (7, 15-20), onde o tema sugerido vem do exemplo da árvore que se reconhece pelos frutos e onde toda a fala de Jesus voltava-se aos falsos profetas: “Cuidado com os falsos profetas: eles vêm até vós vestidos de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes. Pelos seus frutos os reconhecereis…”.

Se a frase de Jesus tem alguma relação sobre o que disse sobre os falsos profetas, então o significado da palavra “vã” fica de fácil entendimento. O termo original, traduzido por “vã”, é argon, que quer dizer “sem efeito”, portanto, é uma palavra infundada, que não tem fundamento: uma calúnia. Portanto, de acordo com as próprias palavras de Jesus, há de se prestar contas a Deus de toda calúnia.

A palavra vã, da qual se prestará contas no dia do juízo, não é qualquer palavra, é, sim, a palavra inútil, vazia, pronunciada por aqueles que deveriam, em sua missão, anunciar as palavras “enérgicas” (palavras que agem) de Deus. A palavra vã é, justamente, a palavra do falso profeta, que não recebe a palavra de Deus, e faz com que os outros recebam sua palavra como se fossem palavras divinas. O homem deverá prestar contas sobre toda palavra vã sobre Deus. A palavra vã é a falsificação da Palavra de Deus, como afirma Pe. Raniero Cantalamessa: “ é a parasita da Palavra de Deus”.

Como reconhecer a palavra vã? Pelos frutos que não produz. Esta palavra até pode deleitar os ouvidos e a inteligência, mas não toca o coração, não move à ação. Deus “está a espera que sua palavra se realize” (Jr 1,12), tem ciúmes dela e não pode permitir que o homem se aproprie do poder divino nela contido.

O profeta Jeremias nos permite ouvir, alto e bom som, a dvertência que aquela palavra de Jesus encerra. Nela já transparece com clareza que se trata dos falsos profetas, que proferem palavras vãs, negligenciando o poder misericordioso de Deus:

Assim diz o Senhor dos exércitos: não deis atenção às palavras desses profetas! Quando profetizam para vós, estão enganando. As visões que anunciam vêm de suas cabeças, não da boca do Senhor! O profeta que teve um sonho, conte-o, o profeta que tem minha Palavra, proclame-a fielmente! Que tem a palha a ver com o grão? – oráculo do Senhor. Será que minha palavra não é fogo – oráculo do Senhor -, ou marreta de quebrar pedras? Por isso aqui estou contra os profetas – oráculo do Senhor -, que roubam minha palavra uns dos outros. Aqui estou contra os profetas – oráculo do Senhor (Jr 23,16.28-31).

Deixemos a Palavra do Senhor tomar posse de nós, e não vãs palavras de falsos profetas. Eis o tempo de pedir o dom do discernimento e sabedoria para nos abastecermos da Fonte que é a Palavra Santa do nosso Senhor.

Pe. Ederson Iarochevski

 

 

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