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«SOMOS» PARA AMAR

1 de junho de 2014
Alameda das roseiras - Monet

Alameda das roseiras – Monet

Cada um de nós é obra prima de Deus. Temos um valor inegociável, somos preciosidade. Não existiu, não há e não haverá outro alguém igual a você neste mundo: ser único, esta é a garantia dada por Deus. O nosso Deus Criador nos ama de tal maneira que nos fez irrepetiveis. Eis nosso valor por excelência.

Tão grandeza foi reconhecida pelo filósofo judeu Martir Buber:

“Cada uma das pessoas que vem a este mundo constitui algo novo, algo que nunca tinha existido antes. Cada ser humano tem o dever de saber que nunca houve ninguém igual a ele no mundo, pois, se tivesse havido outro como ele, não teria sido necessário que ele nascesse. Cada ser humano é um ser novo no mundo, chamado a realizar sua peculiaridade”.

Mas qual seria a peculiaridade de cada ser humano? Qual a minha? Qual a sua? É nesta resposta que voltamos para a grande vocação do nosso ser: AMAR. É o desejo diário de descobrir-se amante da vida e de suas realidades, que nos projetam para frente. Não há aperfeiçoamento se não há intenção de amar. É o amor que enriquece e engrandece uma pessoa. Há riqueza maior do que ser guardado em outro coração, e ainda mais, guardar outros dentro do nosso? O coração é o verdadeiro cofre que nos revela. O que lá encontra-se guardado sugere os valores que conferimos a tudo aquilo que gera significados em nós. Mas, para sermos gente de “AMOR” precisamos exercitar práticas que façam com que o amor seja uma realidade vivida, e não apenas sonhada. É de amor encarnado que cada um de nós precisa.

“A” de Amor = ALEGRIA: a alegria é ingrediente, não receita pronta. O amor não se esgota na alegria, mas sem ela é impossível ser capaz de amar. Nem sempre estamos em festa, sorrindo ou com motivos reais para expressar alegria, mas é visível que há um estágio a ser superado. Cada pessoa, na busca desafiante de amar, precisa clareza para reconhecer que o prazer por si só não é fonte de alegria. Fosse assim, uma pessoa que carrega uma doença física por toda vida nunca teria um motivo para se alegrar, pois nenhuma doença desperta prazer. No entanto, a alegria que se exige é aquela que nasce de um coração que se conserva crente em Deus, generoso e simples. Lembra o profeta Isaías que “ao multiplicar sua alegria, redobraste tua felicidade” (cf. 9,2). Uma das marcas registradas das pessoas verdadeiramente alegres é que, em nenhum momento, a alegria se reduz a uma vivência individualista, só há verdadeira alegria quando ela se derrama sobre o outro.

A alegria deve ser um estado permanente da pessoa, não viver de momentos alegres, mas ser alegre. Logicamente, existem, no decurso dos dias, frustrações, decepções, mágoas que afetam nossos afetos, mas a alegria é o combustível da esperança. Valendo-se de que sempre há o sol após a escuridão, assim também é para a pessoa que vive a alegria como princípio que conduz ao amor. Pode acontecer que situações desagradáveis batem à porta, mas a alegria permanente faz com que a esperança de dias melhores, de soluções concretas, de novas possibilidades se fortifique no castelo interior de cada pessoa. Deste modo, a alegria se torna uma fermento no coração do ser humano, e o faz crescer na certeza de que alegria é uma caminho que conduz ao amor verdadeiro.

Pe. Éderson Iarochevski


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