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O DRAMA DA FÉ

1 de abril de 2014

peregrinos-na-neblina

Durante nossa caminhada existencial empreendemos a ascensão a Deus. Logicamente, e é certo, que não será uma travessia de poética planície, mas, antes, subida por vereda íngreme e pedregosa, a vereda da fé, e assim vamos gravando no passar dos tempos que o céu começa, mesmo, nas pedras.

Crer é entregar-se. E entregar-se significa caminhar, sem descanso, rumo a uma pátria única, pátria que é o próprio Deus. Crer é pôr-se a caminho. Levantar-se a cada manhã e pôr-nos em busca da Face do Senhor.

Como cristãos, somos peregrinos, e não turistas. Interessante notar que o turista sabe de antemão onde dormirá, os locais que visitará. Mas o peregrino, ao invés de conhecer o roteiro antecipadamente, sabe que em sua jornada será acompanhado de incertezas e fadigas, a todo o momento.

Quando parece que já contemplamos a Face que buscamos, se desvanece como num sonho, e torna-se ausência e silêncio, convertendo a aventura da fé em provação, e a própria fé em verdadeiro drama, o drama da pessoa a quem damos o aperitivo e deixamos fora do banquete.

Sim, um drama, porque a Face é fugidia: aparece e desaparece, concretiza-se e dissipa-se, faz-se presente e ausenta-se, sempre tão perto e tão longe. «Onde te escondeste, ó Amado…? Saí atrás de ti chamando, e já tinhas ido» (São João da Cruz). O mesmo Santo afirma: «Se alguém, em qualquer época, fizer do cristianismo um caminho fácil e cômodo, não lhe dê ouvidos».

Uma e outra vez vivemos a mesma história: saímos ao seu encalço chamando e… «já tinhas ido». Nos parece então que a vida de fé é uma aventura sem fim, sempre sair em busca de Alguém que não se pode alcançar, não se pode possuir, enquanto dura nossa peregrinação. E assim é: fica-nos a certeza gravada na história por Santo Agostinho de que «encontrar consiste em buscar»… Mas, estejamos atentos: o caminho da fé parece tão escuro que nada vemos e, ao mesmo tempo, tem tanta luz que não conseguimos desviar o olhar.

Buscar a Face do Senhor de nossa vida, essa é a aventura que vale ser vivida. Traz provações, é verdade, mas é caminho de imensa felicidade.

Pe. Ederson Iarochevski

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