O SILÊNCIO

Pássaros sentinelas na fronteira Turquia-Iraque

Pássaros sentinelas na fronteira Turquia-Iraque

Em toda comunidade cristã é importante valorizar o exercício do silêncio, não necessariamente um silêncio de monges, mas no sentido de saber conservar em silêncio as confidências e informações fraternas. Se há algo que assegura a maturidade humana é a capacidade de guardar silencio sobre as confidências e as pequenas irregularidades observadas na vida da comunidade.

Quando se fica sabendo do “pecado” de um irmão, a melhor maneira de conservar-lhe a dignidade e a primeira manifestação concreta de amor consiste em fechar a sete chaves o “segredo”, e o levar para a sepultura, sem que tenha saído da minha boca nenhuma informação, direta ou indireta. Logicamente, não basta calar. Algumas vezes terá que informar, pois o pecador precisa ser “levantado”. Também nisso consiste o amor. Mas, o primeiro dever é proteger como o manto do silêncio os ombros do irmão “pecador”. É sinal de misericórdia e sabedoria.

Geralmente não se resolve nada polemizando, defendendo com palavras ardorosas o prestígio ameaçado do próximo, porque os outros intensificarão o ataque. Calando, poderemos defender o outro com mais caridade e dignidade.  O modo ideal de respeitar é sempre o silêncio.

Cultivar o silêncio com a mesma devoção de um crente alimentando sua amizade com Deus é oferecer vida à comunidade. – Chegou a seus ouvidos uma notícia explosiva? Dá vontade de contar, mas, guarde-a no cofre do coração. – O que acaba de acontecer com uma pessoa é algo entre o divertido e o ridículo? Se contar a seus amigos, por certo terão meia hora de divertidos comentários. Então, guarde o silêncio, porque a primeira atitude de um cristão misericordioso é cobrir o “pecador” com o manto do silêncio.

Feliz a comunidade que inclui pessoa íntegra e madura que, qualquer que seja a confidência depositada em seu coração, guarda-a como em cofre lacrado até a sepultura e até depois… Essa casa está salva da angústia e das doenças emocionais.

Talvez, quando nos apresentarmos à porta da eternidade, o melhor bilhete de entrada vai ser um ramalhete de segredos, silenciosamente guardados. Lá só entram os que amaram; e os que calaram, amaram…

Padre Ederson Iarochevski

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