VOLUMES E VALORES

Ídolo moderno - Umberto Boccioni - 1911

Ídolo moderno – Umberto Boccioni – 1911

Se há uma coisa que furta a paz das pessoas é o frenético desejo de possuir todas as novidades do mundo tecnológico, da moda, da cultura, da música. Há um avassalador desejo de possuir os produtos “tão necessários” para a felicidade das pessoas. Quanta ansiedade visita o interior de cada ser quando a impossibilidade de ter o que deseja tenciona com o desejo quase louco de adquirir.

Um sofrimento que desgasta, retira qualquer um do foco, pois é como se o produto que desejamos estivesse à nossa frente clamando para entrar em nossa vida, parecendo que quem esta no controle das coisas é a matéria e não a criatura.

Essa avidez consumista não nos permite entrar no processo de transformar uma paixão em amor, um encantamento em enamoramento, mas sim, há o “amo só agora”. Um amor ilusório que nos faz enganar-nos diante das coisas. Compro porque amei quando vi, mas levo pra casa o produto e me arrependo. Triste realidade. Fomos dominados pela propaganda do “leve-me e seja feliz”. Somos consumidos pelos produtos, comprados pelas marcas e marcados pelo mercado.

Aos poucos, sobram os volumes e se despedem os valores. Escolher caixas de presentes parece melhor do que acolher corações, consumir é melhor do que sentir, comprar é melhor do que pensar, gastar dinheiro com as coisas faz um bem mais eficaz do que gastar tempo com as pessoas.

Hoje se reclama que o amor foi embora, desistiu de nós, mas, na verdade, o que parece e aparece são pessoas que não têm mais tempo para gastar com as coisas que significam na vida.  Se amor fosse vendido, estaríamos amando 24h., mas não é: o amor é uma conquista que dura a vida toda e se prolonga na eternidade. O amor se conjuga com a doce paciência de saber esperar e com a alegria de esperançar os dias valendo-se da certeza  de que o amor sobrevive sempre de futuro. Estou amando, mas posso amar mais.

As coisas sejam possuídas por nós, e não o contrário. Tenhamos mais tempo para os valores do amor do que para os volumes do mundo.

Pe. Ederson Iarochevski

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