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«NÓS» DE CONFIANÇA

22 de fevereiro de 2014
Antônio Poteiro - Ciranda no Céu

Antônio Poteiro – Ciranda no Céu

Peça a Deus que abençoe seus planos,
e eles darão certo
(Provérbios 16,3).

Confiar é um gesto que revela consciência amadurecida. É desapegar-se do “eu” para envolver-se em um “nós”.  Os laços que moldam a confiança são naturais e sobrenaturais. Naturais são aqueles que durante o dia-a-dia nos favorecem e fazem confiar nas pessoas que convivem conosco. Por exemplo, o caroneiro que confia no motorista, o filho confiante na alimentação saudável que a mãe prepara, o educando que confia nas verdades ensinadas pelos educadores. Assim, vamos nos convencendo de que há laços de confiança naturais que, com o passar do tempo, se fortalecem entre nós.

Mas, também há a confiança sobrenatural, quando nós enlaçamos nossa mente e coração com uma força que já não é somente humana, mas também divina. Aquele momento em que descobrimos, a cada passo que a vida dá, que não podemos depender somente das forças naturais que possuímos, mas, vamos além, nos entregamos conscientes a uma força amorosa que nos impulsiona para frente, qualifica nosso entendimento sobre a vida, e nos fortalece diante das intempéries físicas, emocionais, psicológicas, espirituais que o ritmo, às vezes acidentado da vida, nos faz questão de apresentar.

Confiar nossa programação de mente e coração a Deus é deixar-se orientar pelo caminho da bondade, da mansidão, serenidade, justiça e amor. Como alguém poderá dizer que confia em Deus e se flagela com seus comportamentos negativos e também fragiliza os outros? Confiar em alguém é deixar-se moldar por aquele no qual depositamos confiança. Então, confiar em Deus é nos modelarmos segundo o desejo de Deus e, quanto mais confio mais parecido fico com quem estabelece laço de confiança comigo.

Confiar nossos projetos, sentimentos, pensamentos e sonhos a Deus não nos livra dos esforços pessoais que precisamos fazer para que as coisas aconteçam, mas, nos faz dar sentido maior a todos os acontecimentos. Confiar é estar certo de que mais alguém aposta em você. Confiança é um atestado de fidelidade de um para com o outro e nas coisas que se procura realizar. Deus sempre confia que sua mais nobre criatura, dotada de dons especiais, vai dar continuidade ao seu projeto de amor e justiça na terra. Assim, toda vez que digo que confio minha vida ao Senhor Deus, afirmo que tudo o que penso em viver está ligado intimamente ao que Deus quer de mim.

Confiar é aproximar projetos que nos unem e nos põem em comunhão. Assim sendo, a pessoa que confia costura em seu interior a certeza que seu futuro não é somente seu, mas está conectado àquele que está enlaçado consigo através dos “nós” de confiança.

Pe. Éderson Iarochevski

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VOLUMES E VALORES

14 de fevereiro de 2014
Ídolo moderno - Umberto Boccioni - 1911

Ídolo moderno – Umberto Boccioni – 1911

Se há uma coisa que furta a paz das pessoas é o frenético desejo de possuir todas as novidades do mundo tecnológico, da moda, da cultura, da música. Há um avassalador desejo de possuir os produtos “tão necessários” para a felicidade das pessoas. Quanta ansiedade visita o interior de cada ser quando a impossibilidade de ter o que deseja tenciona com o desejo quase louco de adquirir.

Um sofrimento que desgasta, retira qualquer um do foco, pois é como se o produto que desejamos estivesse à nossa frente clamando para entrar em nossa vida, parecendo que quem esta no controle das coisas é a matéria e não a criatura.

Essa avidez consumista não nos permite entrar no processo de transformar uma paixão em amor, um encantamento em enamoramento, mas sim, há o “amo só agora”. Um amor ilusório que nos faz enganar-nos diante das coisas. Compro porque amei quando vi, mas levo pra casa o produto e me arrependo. Triste realidade. Fomos dominados pela propaganda do “leve-me e seja feliz”. Somos consumidos pelos produtos, comprados pelas marcas e marcados pelo mercado.

Aos poucos, sobram os volumes e se despedem os valores. Escolher caixas de presentes parece melhor do que acolher corações, consumir é melhor do que sentir, comprar é melhor do que pensar, gastar dinheiro com as coisas faz um bem mais eficaz do que gastar tempo com as pessoas.

Hoje se reclama que o amor foi embora, desistiu de nós, mas, na verdade, o que parece e aparece são pessoas que não têm mais tempo para gastar com as coisas que significam na vida.  Se amor fosse vendido, estaríamos amando 24h., mas não é: o amor é uma conquista que dura a vida toda e se prolonga na eternidade. O amor se conjuga com a doce paciência de saber esperar e com a alegria de esperançar os dias valendo-se da certeza  de que o amor sobrevive sempre de futuro. Estou amando, mas posso amar mais.

As coisas sejam possuídas por nós, e não o contrário. Tenhamos mais tempo para os valores do amor do que para os volumes do mundo.

Pe. Ederson Iarochevski


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