A DOR DA PERDA

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Um coração afligido pela dor da perda de um familiar, um amigo ou mesmo apenas um conhecido, é indescritível. A dor aguda fragiliza a pessoa por inteiro. Não há remédio que cure, não há produto que faça esquecer. Esta dor torna-se companhia cotidiana, o que há para se fazer é a difícil tarefa de aceitá-la e administrá-la.

 A fragilidade emocional, psicológica e espiritual faz com que a pessoa que sofreu grande perda viva uma triste solidão. O sentimento de abandono e de perda do sentido da vida bate à porta do coração o tempo todo. É comum ouvir a pessoa clamar: “minha vida perdeu sentido”; “ o que vou fazer da minha vida?”; “tudo acabou”.

Nenhuma pessoa é capaz de suportar sozinha o sofrimento que chega com a perda de alguém. A presença de uma pessoa para o conforto humano é imprescindível. O simples calor de um abraço, um olhar atencioso e palavras de esperança têm o poder de garimpar esperanças em um coração despedaçado pelas fatalidades que carregam aquele que da vida faz parte.

O evangelista João apresenta o sofrimento de Maria e Marta com a enfermidade de Lázaro (Jo 11,1-46). Enfermidade que, para as irmãs, era tanta que já choravam sua morte. Neste relato a presença afetiva de Jesus foi fundamental para manter viva a esperança no coração delas. A permanência de Jesus com elas garantiu-lhes que a vida precederia a morte. As lágrimas compartilhadas por Jesus refletem a compaixão verdadeira que aproxima os corações no momento da dor aguda e profunda diante da situação de perda de alguém que se ama. Para continuar a crer na vida é preciso estar partilhando vida. A presença humana e afetiva de familiares, amigos, colegas faz com que a flor da esperança brote nas brechas abertas pelo sofrimento.

Todos, cedo ou tarde, viverão a tristeza de perder alguém. É preciso pensar em tais situações que, querendo ou não, um dia visitarão cada um de nós. Portanto, um remédio que podemos oferecer a quem vive esta tristeza, aparentemente desconsoladora, é ser uma presença afetiva onde a pessoa possa perceber e sentir que, a partir da compaixão de alguém, pode continuar a crer na beleza da vida. E quem sabe fazer de sua vida uma oportunidade de homenagear aquela pessoa que, por fatalidade ou não, se foi.

A beleza da ação de Jesus está justamente na presença que toca positivamente Marta e Maria. Em Jesus, elas descobrem que a possibilidade da vida, a esperança fortificada por uma fé inabalável garantem o equilíbrio emocional, psicológico e espiritual de quem, por um momento, perdeu os motivos para continuar a viver. Às vezes, a presença se desdobra em lágrimas e simples gestos de afeto, e as palavras com as quais se deseja consolar, não saem: mas, é aí que está a beleza. Mesmo sem dizer nada, poder “falar” tudo através da nossa presença amiga na vida daquele que perdeu alguém; ela verá que na presença humana e compassiva de amigos solidários descobre que continuar a viver vale a pena.

Diácono Ederson Iarochevski

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