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SERVIR COM ALEGRIA

27 de outubro de 2012

A alegria precede as grandes realizações. Não há como realizar para depois se alegrar. É a alegria que facilita o caminho para que os sonhos saiam do mundo das idéias e tornem-se ações concretas. Muito pobre é querer primeiro fazer para depois se alegrar, porém, é muito mais  nobre realizar com alegria.

A alegria é resultado dos nossos mais sinceros desejos em relação a nós mesmos e a tudo o que existe. A alegria é a capacidade emocional que desenvolvemos em nós de mantermos a vida viva e assim termos energias suficientes para enfrentar e suportar os desajustes emocionais que se alojam em nosso interior.

Um dos indicativos para perceber o estado permanente de alegria é prestar atenção em nossas referências com relação à vida: se forem positivas é sinal que a alegria está presente em nós, mas, se for o contrário, estamos mais voltados e orientados para o negativismo e tristeza. A alegria é um estado contínuo de “graça”, onde a pessoa está sempre disposta a vivificar as situações, a congregar as realidades e a unir o que está separado. Você já suportou algum problema com bom humor? Já enfrentou uma situação-limite sorrindo? Já fez “graça de alguma desgraça”? Ser portador de alegria é uma decisão, ser alegre é uma resposta positiva à vida.

Jesus, divino homem, portador de ternura e alegria, sempre acolheu os irmãos enquanto caminhava pelo mundo no meio deles: “Pedi e recebereis para que a vossa alegria seja perfeita” (Jo 16,24).  Também Davi profetizou e deu nome a essa alegria quando orou com essas palavras: “Restitui-me a alegria da salvação” (Salmo 50,14). A alegria vai sendo gestada a partir dos “comandos mentais” que damos a nós mesmos. Se o comando é positivo, consequentemente, o resultado também será. Exemplificando: se sua “palavra-comando” é paciência, então tudo aquilo que lhe acontecer terá um olhar paciente, sejam momentos bons ou desafiantes. Todos os acontecimentos da vida  serão acolhidos com equilíbrio, na “justa medida”, e isto só poderá acontecer se a paciência for o comando mental exercitado diariamente.

Vale lembrar uma passagem da vida de São Francisco de Assis, que é reconhecido como o “irmão sempre alegre”. Francisco estava com seu irmão Leão refletindo sobre a “perfeita alegria”, e o convida a imaginar a seguinte cena: “Imagine que nós dois chegássemos a uma fraternidade de irmãos e lá não fôssemos reconhecidos. E não só isto: que um irmão saísse ao nosso encontro e nos xingasse, nos chamasse de vagabundos e malandros, nos desse uma surra com um bastão cheio de nós e nos jogasse para fora de casa bem no inverno, onde estivesse tudo estivesse cheio de neve, nos arrastasse de um lado para o outro na neve e ali nos abandonasse com fome e frio. “Se nós”, disse Francisco ao irmão Leão, conseguíssemos suportar tudo isso com alegria, esta seria a perfeita alegria”.

A perfeita alegria que desejamos já está posta para nós. Que seja a alegria a mover você pelos tantos caminhos deste mundo. Por isso, sirva-se da alegria para servir com alegria.

Diácono Ederson Iarochevski

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4 de outubro de 2012

Fé – confiança filial em Deus – Charlie Mackesy

Constantemente estamos à procura de respostas para os acontecimentos que se multiplicam em nossa vida. Por vezes, somos enganados pela falta de um olhar diferenciado diante das situações.  A grande dor é gerada, não simplesmente por não ter a resposta exata, mas sim, por não sabermos interpretar o que acontece de uma maneira correta.

A fé é uma maneira de ver a realidade e de interpretá-la a partir de Deus. Assim, a fé não se reduz a uma visão limitada das realidades, mas se torna um modelo interpretativo abrangente. Toda a vida humana é reinterpretada pela fé. Todos os campos que oferecem sentido à vida da pessoa são passiveis de reinterpretação pela fé: sucesso e fracasso, nascimento e morte, saúde e doença, felicidade e infortúnio, enfim, todas as experiências que se apresentam como sombras e que, por vezes, não conseguimos decifrar suas causas, como: as experiências de crises que abalam nossa vida, experiências de solidão e desespero, do vazio e falta de sentido, de decepção e incompreensão, de desproteção e estranheza.

A fé, como modelo de interpretação das realidades, não é dada por mim mesmo, mas é recebida. A fé nos é oferecida por Deus. É o próprio Deus da vida que interpreta nossas situações à luz da sua Palavra, revelada a nós nas Sagradas Escrituras. A partir da participação na liturgia, a palavra nos acompanha em nossas meditações e orações e torna-se luz que ilumina nossas mais diversas experiências. Estar atento à Palavra de Deus é abrir-se a um novo jeito de ver a vida.

Poder interpretar as experiências da vida e não mais necessitar tatear no escuro, não se entregar ao absurdo é uma grande conquista na vida da pessoa. Voltar-se a Cristo, Filho de Deus, redentor da humanidade é estar certo de que é ele mesmo o iluminador, o educador e o guia para nossa vida, que a interpreta para nós, de modo que ela se torna compreensível e transparente. Passamos a ver um sentido em nossa existência. Somos capacitados por Cristo para viver melhor. A fé no Redentor e na redenção a nós oferecida nos sugere, justamente, “sermos libertos para uma vida dotada de sentido”.

Quando olhamos a realidade de maneira diferente, podemos lidar de outro modo, diferente, e nos sentir renovados. Que a fé que nos é ofertada pelo Senhor nos possibilite ver a vida de um jeito novo para nos realizarmos como pessoas, filhos e filhas de Deus, neste mundo.

Ederson Iarochevski


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