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ESTADO PERMANENTE DE ALEGRIA

23 de agosto de 2012

A alegria é como uma pedra preciosa. Pedras preciosas estão no interior de outras pedras que, por sua natureza, não são preciosas, mas o serviço oferecido é de uma preciosidade sem tamanho: resguardar pedras preciosas em seu ventre, com segurança.

No mundo das comunicações, os destaques não garimpam em nós sorrisos, mas, tristezas avassaladoras. Chorar tristezas dá mais ibope do que sorrir as alegrias da vida. Somos vítimas de um mercado que distribui, gratuitamente, tragédias, dores e sofrimentos perenes, e quando nos damos conta, somos colaboradores da triste arte de anunciar as tristezas e ocultar as alegrias. Por vezes, somos mais afeitos a divulgar o que não dá certo em nossa vida do que aquilo que nos faz realmente mais felizes.

Qual foi sua última mensagem: alegria ou tristeza? O que prefere anunciar?

A alegria é uma busca constante. É ousar ir além dos cascalhos que encobertam o verdadeiro sentido de ser feliz. Não se envergar diante da dureza das primeiras pedras é condição básica para garimpar a alegria verdadeira. O que não pode acontecer em nosso caminhar existencial é resumir a vida a um acontecimento apenas. Parar na primeira rocha que se apresenta e desconsiderar a pedra preciosa que aguarda ser revelada. Somos mais do que as coisas que nos acontecem. Não somos filhos do tempo, mas da eternidade. Os sofrimentos nos amarram quando não aceitamos o eterno em nós e nos limitamos ao que está dado e acabado.  Deus, que sonhou cada um de nós, ao comunicar sua mensagem de amor à humanidade, revela-nos: “Eu disse isso a vocês para que a minha alegria esteja em vocês, e a alegria de vocês seja completa” (Jo 15, 11).

O que Deus disse? “Permaneçam no amor” (Jo 15, 10). Permanecer é um estado de conservação. Isto é, não significa que qualquer acontecimento, por mais adverso que seja, terá a capacidade de desviar nosso foco do objetivo maior: realizar-se como pessoa. A alegria existe, primeiro, onde deixamos que as situações possam nos lapidar e nossas dimensões, que geralmente são carregadas de excessos, vão ganhando contornos equilibrados e bem postos. Segundo, a alegria é permanente quando olhamos para a vida com alto grau de sensibilidade, coragem,compaixão, misericórdia, e bom humor. Esses comportamentos são imprescindíveis para que a alegria permaneça. A pedra preciosa está sempre esperando para ser encontrada. O que precisamos é usar bem os recursos para chegar até onde se esconde nossa grande riqueza. Quer que a alegria seja permanente em sua vida? Garimpe para o lado de dentro, e não para o lado de fora. A alegria está no seu ventre, basta saber gestá-la.

Éderson Iarochevski

SER RESILIENTE

8 de agosto de 2012

Flores – de Giuseppe Cordiano

Dentro de nós, somos portadores de recursos fantásticos: basta apenas descobrir, cuidar e potencializá-los. Há pessoas que, ao passarem por experiências adversas ou mudanças traumáticas na vida, conseguiram superar-se, fazendo com que a situação limite as tornasse mais forte do que antes.

Essas pessoas demonstraram serem portadoras de um alto nível de “resiliência”. Resiliência provém do latim, do verbo resilire, que significa “saltar para trás”, ou “voltar ao estado anterior” (como o elástico repuxado). O termo é usado pela física e pela engenharia e, recentemente, pela psicologia e também por outras áreas como pedagogia e sociologia; se define como a capacidade de a pessoa ser flexível, invulnerável, desenvolvendo em si a possibilidade de enfrentamento, adaptação e superação. A “resiliência” é, para a psicologia, um conjunto de processos sociais e intrapsíquicos que possibilitam às pessoas manifestarem o máximo de inteligência, saúde e competência em contextos complexos, adversos e sob pressão.

Assim, somos resilientes quando nos tornamos capazes de ir além da capacidade de superação. Há um empoderamento pessoal concreto diante da situação adversa. Se, por um lado, estamos sempre nos protegendo de tudo aquilo que tenta nos destruir, por outro, desejamos construir, criar uma vida digna, por mais que as situações adversas estejam sempre nos acompanhando.

Ser resiliente não significa que a pessoa não é ferida pela vida (existe alguém que não o seja?), mas sim, que esta pessoa desenvolve uma alta sensibilidade em relação a tudo aquilo que a cerca. Desenvolver recursos interiores para amenizar dores e sofrimentos, e até mesmo curar e cicatrizar as feridas, são características da pessoa que desenvolve a resiliência. Apesar de tudo, é possível viver dignamente. Dar a volta por cima e testemunhar com alegria a vitória é uma possibilidade para todos nós. Para que isso aconteça, a postura a ser assumida diante de uma situação de dificuldade não é a de vítima, mas, a de protagonista. O resiliente garante a vitória tendo uma postura segura diante dos problemas.  Não é o problema que o administra, mas ele quem administra o problema.

Somos sempre convocados a viver uma vida digna. Viver de maneira que tenhamos uma bela história para contar é o nosso desejo profundo. Para isso, precisamos desenvolver em nós a capacidade de enfrentar a vida com flexibilidade, equilíbrio e, principalmente, alegria serena e verdadeira. Ser resiliente não é se apresentar como o super-homem, mas é viver de tal forma que sua maior força esteja na sua capacidade de superar-se diante das situações limites do cotidiano.

Ederson Iarochevski


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