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DEIXAR QUE AS COISAS SEJAM

29 de julho de 2012

Chega a cansar ver quanta energia é consumida pelas pessoas que, de forma inútil, se preocupam com acontecimentos e realidades que não podem mudar. Toda preocupação é adesão, seja por temor, seja por desejo.

Para que tenhamos relações pessoais harmoniosas não podemos prescindir da calma e da paz. Logicamente, a calma e a paz são ameaçadas diariamente pelas coisas que sucedem ao nosso redor. Por vezes, nos fixamos no fato em si, o que nos trará perturbações que vão originar reações compulsivas diante daqueles que vivem e convivem próximos de nós. Precisamos de paz para poder amar, mas duas coisas furtam a paz e trazem a guerra: a resistência e a adesão.

A resistência é uma energia liberada contra algo ou alguém.  A adesão é um laço emocional entre minha pessoa e algo ou alguém. Quando há em nós temor, podem estar presentes ao mesmo tempo as duas emoções reativas, opostas entre si: a da adesão e a da resistência. Imagine a situação: vamos supor, por exemplo, que vão lhe transferir de cargo ou de lugar. Você sentirá resistência pela eventual transferência porque há em você uma adesão emocional profunda ao cargo; aí é necessário observar que o temor é sempre uma energia desencadeada para defender um interesse ameaçado.

Para obter e manter a paz interior, abre-se diante de nós o caminho de uma sabedoria simples e global, que se resume nestes princípios: você pode mudar alguma coisa? Mude-a! Não pode mudar nada? Deixe-a como está! Se a cada momento fôssemos aplicando essas senhas à universalidade da vida, amanheceria no horizonte de nossa alma o grande dia da paz profunda e universal. Todas as nossas energias ficariam livres e disponíveis para o serviço dos outros.

Precisamos nos dar o direito de, por vezes, não nos preocupar. Por exemplo: quando fores dormir, que possas apenas dormir e nada mais. As preocupações de amanhã, deixa-as para amanhã. Afinal, o bom soldado só estará inteiro para a batalha se dar o descanso justo ao seu corpo, à sua mente.

Éderson Iarochevski

DOCE ILUSÃO

4 de julho de 2012

Dúvidas não eram permitidas naquele coração. A jovem, apaixonada, a cada dia tinha mais certeza de ter encontrado seu príncipe encantado. Sua preocupação era apenas realizar os desejos dele, para que o “para sempre” permanecesse intacto e sem manchas.

Para aquela jovem apaixonada nada mais importava a não ser o seu “namô”. Tudo era perfeito com ele, mas sem ele tudo estava errado. Até mesmo o respirar só era interessante ao lado dele, caso contrário, poderia parar/morrer que não faria diferença. As pessoas que até então passaram e marcaram sua vida já não tinham mais o valor que antes tiveram e, ainda, suas presenças incomodavam, pois roubavam a chance de ficar a sós com seu príncipe. Os projetos profissionais, sonhos alimentados desde a infância e outros afazeres que a vida proporciona foram todos abandonamos.

Logicamente, todas as decisões tomadas – viver só em função dele, respirar só por ele, abandonar os amigos, esquecer que tem familiares, protelar sonhos de estudos e realização profissional – não nasceram apenas do coração daquela jovem, mas foram impulsionados pelo seu “príncipe” que, no limite de seus sentimentos desordenados, desejava atenção 24 horas.

Não demorou muito: a máscara do príncipe foi ao chão e restaram apenas palavras ofensivas, olhares agressivos e gestos de desprezo. A jovem, mesmo sofrendo dores do que parecia improvável, permanecia acreditando que era apenas um momento ruim que logo iria passar. O encontro de um coração que sonha a relação perfeita com um coração todo desorientado afetivamente faz com que duas pessoas possam viver dores profundas a ponto de querer abandonar a vida a qualquer momento, e de qualquer jeito.

A dependência afetiva estava revelada. As feridas, descarnadas.  Toda vez que você vive a vida que está nos desejos de outro, o risco de depender afetivamente é muito grande. A dependência, por vezes, é tão forte que, mesmo sofrendo as humilhações mais pesadas e violências mais graves, a pessoa permanece na situação, acreditando que é possível mudar, apesar de todos os sinais evidenciarem total exploração afetiva, emocional e até violência física.  Foi o que aconteceu: a jovem, portadora dos mais lindos sonhos, teve a vida administrada por alguém mal intencionado. As juras de um amor perfeito são o primeiro sintoma de que, no futuro, poderão fragilizar, e muito, corações desejosos de amar verdadeiramente.

O que fazer em uma situação que assim se apresenta? Não há soluções prontas, mas caminhos diferentes que podem ser trilhados. Fazer com que a situação seja conhecida por pessoas de confiança. Ir desfazendo os “nós” que amarram a relação. Propor-se a iniciar novos projetos. Freqüentar lugares diferentes. Permitir-se ser orientado por um profissional da área da psicologia para que se possa fazer uma “reciclagem” dos sentimentos e pensamentos em relação ao que aconteceu e ao que se deseja viver. Acreditar que a vida pode ganhar novos ares, novas graças, novas pessoas. Perceber que quando não se é amado por alguém que um dia jurou amor a você, o passo a ser dado é uma alternativa necessária para garantir qualidade de vida: amar-se.

Ninguém tem o direito de poluir seus sonhos. E você não tem a obrigação de conviver com os “poluidores de almas”. Quer ser feliz? Descubra e conviva com aqueles que fazem de você um “reflexo de felicidade”.

Ederson iarochevski


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