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ETERNAMENTE JOVEM

19 de maio de 2012

Cronologicamente, “ser jovem” tem seu ponto de partida e chegada.  Há controvérsias no que se refere aos anos que nos conferem o título de jovem, mas o realmente e socialmente aceito é que o tempo de juventude tem seu início e, o mais triste, tem seu fim. O que restará ao passarmos pela juventude é apenas saudades daqueles tempos onde aproveitamos vivendo-os bem, ou guardaremos só o arrependimento  pelas oportunidades desperdiçadas.

Será verdade esta ideia de quem a juventude é apenas um tempo de nossa vida? Ao refletirmos sobre nossa condição existencial damo-nos conta de que nossa vida não se resume aos anos que se passam e aos estímulos exteriores que nos chegam. Somos, sim, resultado daquilo que plantamos e cultivamos em nosso interior. Uma pessoa que administra sua vida com alegria, lucidez e discernimento, logicamente terá sua juventude prolongada durante toda a existência. Quando pensamos em “ser jovem” não queremos nos referir apenas à idade a que a pessoa chegou, e sim, ao seu espírito juvenil. Este espírito juvenil é caracterizado por uma alegria contagiante, pela capacidade de mudar de ideia quando for preciso, pela indignação diante das injustiças, pelo imperativo ético que molda os sonhos de uma nova humanidade, pelo desejo de se relacionar com as pessoas, no espírito aventureiro de conquistar novos espaços e conhecer novas realidades, pelo desejo de amar de maneira incondicional e, principalmente, a decisão de se dedicar a uma causa que seja justa, nem que para isso tenha que adentrar no chão árido do sacrifício e das renúncias.

O que garante a “eterna juventude” é justamente isso: dedicar a vida a uma causa justa. Um projeto que valha a pena realizar, onde seja selada a marca insubstituível de quem ousa acreditar em algo que marcará a história. Nossa passagem não pode ser em vão, neste mundo. Seria muito pobre de nossa parte apenas desejar viver, e esquecer de conviver e realizar.  Você já se perguntou quando foi a última vez que realizou algo de bom e útil para alguém, para uma  comunidade, gratuitamente?

Hoje sofremos demasiadamente não porque não se tem o que fazer, mas, por sermos seduzidos por ideias que querem nos convencer que, viver sozinho é a melhor pedida, e que se responsabilizar por alguém ou algum projeto é perda de tempo. Estamos sendo vítimas de uma sociedade que nos quer objetos, com relações puramente objetizáveis.

PARA SEMPRE JOVEM

Nascemos para sermos sujeitos, realizadores, co-criadores junto ao Criador de todas as coisas. Precisamos dar mais crédito para nossos sonhos. Ser jovem é ser um eterno sonhador. Ser jovem é ser otimista em relação a si e ao futuro. Creio que nenhum jovem quer ser lembrado por pertencer a uma geração de desanimados e frustrados, ou mais, uma geração que não ousou sonhar um outro mundo possível com pessoas renovadas a partir dos sonhos e das causas nobres assumidas. Para que o estilo de vida dos encarcerados da solidão e do desânimo não nos sequestre é preciso renovar-se nas ideias a respeito do que é “ser jovem”, do que é, realmente, viver e conviver.

Jesus Cristo, segundo o evangelista Mateus, após abençoar as criancinhas é abordado por um moço (um jovem) rico, e o desejo deste moço é saber o que precisa ser feito para ter a vida eterna. E Jesus o responde: “Se queres ser perfeito, vai, vende o que possuis e dá aos pobres, e terás um tesouro nos céus. O moço, ouvindo essa palavra, saiu pesaroso, pois era possuidor de muitos bens” (Mt 19, 16-22). Aqui temos o exemplo clássico de alguém que não deseja dedicar-se a um projeto mais elevado: está completamente dominado pelos bens e, ainda, abandonou a sua juventude ao deixar de assumir um projeto de vida que considere o outro seu irmão. A solidariedade não faz morada em um coração que só pensa em lucro, não há espírito juvenil em quem não deseja se responsabilizar. Quando a preocupação única é o acúmulo de bens e não a prática do bem, a juventude é abortada. Tão moço e já pesaroso, cansado. Quando pensar no outro e no que podemos fazer por ele nos incomoda, estamos, precocemente, deixando de viver. A juventude não resiste muito tempo em um coração que não se desafia a amar

Dica: quer viver e conviver com alegria completa no desejo de ser um eterno jovem? Decida-se por um projeto que estimule você a realizar-se como pessoa e ajudar na realização de tantas outras. Se desafie. Qualifique seus dias com a reprojeção de seus sonhos. Não tenha medo de assumir um novo jeito de viver, uma nova postura diante do mundo. Sua juventude não será reconhecida por anos determinados, mas pela decisão de viver a vida como nobre aventura, onde a sua realização pessoal se dá na medida em que você realizar por você, e pelos outros, algo que realmente faça a diferença em um mundo que, por vezes, se apresenta tão indiferente.

Ederson Iarochevski

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QUERO VER DEUS

11 de maio de 2012

Quem parte em descoberta de Deus não sabe aonde vai. E não pode saber aonde vai porque o Deus vivo não ocupa um lugar. Jesus lembra que “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20).  Não há como enquadrar Deus em um lugar apenas, porque Ele está em todos os lugares, é onipresente. Tal como Abraão, partir à descoberta de Deus é sempre se pôr a caminho. É por isso que o povo de Deus sempre foi peregrino, não se iludindo com o sedentarismo que nos acorrenta e nos impossibilita aventurarmos nos mistérios infinitos de Deus. Arriscar-se no caminho do encontro com Deus é a maior aventura que o homem pode empreender durante sua vida, mas, como Moisés, a morte pode chegar no deserto, durante a caminhada, e a Terra Prometida não será vista com os olhos físicos. Assim, o tempo pascal que vivemos nos confirma que a Graça maior é encontrar-se com Deus, plenamente, após a morte. A caminhada nos faz vislumbrar, em partes, o que Deus é, e ao final da caminhada, contemplaremos, totalmente, o que nós somos em Deus.

Para partir precisamos estar munidos de esperança, valendo-nos da presença constante de Deus em nosso caminhar. Bem sabemos que Deus não se define com palavras, mas afirma-se em atos. “Deus é amor” (1 Jo 4,8), não é definição, e o evangelista João bem sabe. É como se João quisesse nos afirmar: “Deus te ama e convida à aventura do amor”. A procura é constante e dura toda uma vida, porque é o próprio Deus que o homem está a procurar. Essa procura não se dá por curiosidade, mas, no desejo de encontrar-se com a verdade do próprio ser, que reside em Deus.

Por quê?

Ao despertar a inteligência, durante o itinerário de busca, o homem, já amadurecido, diante do mistério profundo de Deus, volta ao seu ser criança e questiona: mas por que a busca tem que ser assim? Quero ver… mostre. E, nas constantes perguntas da caminhada, o menino vai tornando-se homem. Perguntar não significa duvidar, mas sim não se contentar, não querer ter o que basta, não querer parar de caminhar. Uma grande decisão de um homem amadurecido é manter o desejo de continuar sendo uma criança insatisfeita. Nosso coração está marcado com o selo do Infinito e, por isso, ousamos sempre conhecer mais, e melhor amar. Aquilo que a ferrugem corrói e o tempo destrói não deveria ser nossa primeira ocupação.

Somos cercados por estilos de vida que nos ferem e matam diariamente. Corremos o risco de não querer mais caminhar, procurar. Parece que é mais fácil esperar sentado. Quem sabe, recuperando os “por quês” da vida teremos mais ganhos do que esperando pelas respostas prontas.

Somos insatisfeitos. É uma marca de nossa condição humana. O objeto de tal insatisfação é estar constantemente a procura de Deus. São Bernardo, grande caminheiro de Deus, teve palavras belíssimas para exprimir essa busca realizada pelo homem: “estamos perdidos na sombria “região de dessemelhança”, somos estrangeiros e exilados procurando a casa do Pai, único refúgio onde acharemos a lareira, e donde gritaremos com alegria: aqui estou bem, estou em minha casa”. Nossa insatisfação positiva nos conduz sempre mais próximos da casa do Pai.

“Caminhar com razão, eis na vida uma lição”: assim como o refrão canta, também cada um de nós pode se convencer de que se pôr-se a caminho é o grande feito a ser enfrentado na vida. É caminho de que nem sempre temos certeza de nele estarmos, mas, a maior certeza é que nos conduzirá à casa do Pai. E lá, junto à lareira, poderemos dizer sem medo de errar: estou em casa.

Ederson Iarochevski


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