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SOBRE A PACIÊNCIA

24 de abril de 2012

“Um pouco mais de paciência” é o que canta a conhecida canção “Paciência”, do compositor Lenine. Talvez um dos melhores remédios para nos curar dos “cânceres” que a modernidade produz dentro de nós seja o exercício da paciência. Fica claro que, quando nos é exigido paciência, batemos em retirada. Paciência parece ser um comportamento dos povos antigos. Quando não se tinha muitas coisas para fazer, era fácil ter paciência. Paciência nada tem a ver com nosso tempo. Há os que dizem que paciência é para os fracos.

Mas será a paciência um estado de impotência, espera passiva ou, talvez, incapacidade para agir? A resposta é: Não! Paciência é a capacidade de adentrar no âmago da vida. É garantir, através do seu exercício, solidez diante do movimento frenético em que somos inseridos e, na maioria das vezes, sem nosso consentimento. A paciência faz com que nossos sentidos aproveitem mais a relação que pode ser estabelecida com o mundo. A paciência nos afasta de comportamentos selvagens e grotescos, e nos introduz em comportamentos que   elevam nossa dignidade e nos humanizam integralmente.

Mas, é uma luta constante, pois somos educados a fugir da paciência. Muito mais que liberdade, ela parece nos sugerir prisão. Basta pensar nos momentos em que nossa lembrança nos faz pensar coisas que nos aconteceram e que não gostaríamos de lembrar: a vontade primeira é esquecer, eliminar de vez da memória, não temos o mínimo de paciência em relação ao que estamos pensando. Não queremos parar e pensar sobre, queremos é esquecer rapidamente. Paciência, numa hora dessas, é insuportável. Uma luta desumana se estabelece. Esquecer é o que se quer, paciência é o que não se tem. Entre o que se quer e o que não se quer ter, sofrimento e angústia se instalam.

Mas não há saída para uma vida mais saudável se não nos relacionarmos bem com a paciência. É preciso conviver, permanecer com ela. É através dela que nos sentimos, avaliamos e nos projetamos. É por ela que percebemos a existência significativa e exigente do outro em nossa vida. A paciência faz com que respiremos o mundo sem pressa. Que façamos valer a máxima bíblica que afirma: “cada coisa tem seu tempo e sua hora” (cf. Ecl 3,1).

Jesus Cristo, na pedagogia usada para educar seus discípulos, sugere a paciência ativa. A palavra grega para expressar paciência é hypomoné, também traduzida como tolerância, perseverança e fortaleza. Para Jesus, a paciência é descrita como a disciplina pela qual Deus se manifesta. Somente com paciência é que os frutos podem ser colhidos no tempo certo. A paciência garante o processo natural de amadurecimento de uma pessoa. Jesus ensina: “São aqueles que, ouvindo de coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança” (cf. Lc 8,8.15). Os frutos que desejamos colher em nossa vida podem tardar, quando a paciência não é exercitada.

Permaneça o conselho divino de Jesus ao nosso coração humano: sejamos pacientes para que os frutos de nossa vida possam ser colhidos por um coração bom e generoso, que não se perdeu no frenético mundo em que vivemos, mas que soube esperar ativamente o tempo certo da maturação.

Éderson Iarochevski

TUDO COMEÇA…

3 de abril de 2012

Jardim da Ressurreição - Centro Aletti

Senhor, em tua santa Páscoa,
assumindo nossa cruz,
permite-nos viver a ressurreição.

Ajuda-nos a vencer a cruz do acumular
e ensina-nos a viver a Graça da partilha.

Fortalece-nos para superar a cruz do querer ser servido
e ensina-nos a Graça de servir.

Ilumina-nos para que vençamos a cruz do ódio e rancor,
e ensina-nos a viver a Graça de amar o outro,
nosso irmão e irmã.

Senhor, todos os passos foram percorridos.
Chegamos junto contigo.

No teu madeiro reconhecemos nossas cruzes.
Na tua ressurreição, a certeza de sermos, também nós, ressuscitados no amor que não se cansa de amar.

Onde tudo foi consumado,
tudo começa…

Ressuscita-nos, Senhor!

Cremos que em ti nada se acaba,
mas sim, tudo começa…

Nesta Páscoa saibamos viver
o começo de uma nova vida.

Éderson Iarochevski


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