Archive for janeiro \27\UTC 2012

CRER PARA SER FELIZ

27 de janeiro de 2012

A noite da vida é iluminada pela fé - Enrico Paolucci.

Nossa força vem daquilo que cremos. Nossa vida pode ganhar um novo sentido quando nos rendemos a um grande amor. Este amor, contudo, há de ser a novidade que nunca passará. É o amor que sobrevive ao futuro, que nos garante que a vida deve continuar. É o amor que, mesmo em meio à dor, descobre razões que elevam nossa humanidade limitada e, por vezes, tão carente. Esse amor só pode ser o amor de Deus por nós. É verdadeiramente um amor imenso, forte e suave, um amor sem fim. E esse amor teve seu ápice na encarnação do Filho de Deus: Jesus Cristo. E em Jesus Cristo, que é o “autor e consumador da fé” (Hb 12,2), conservaremos fixo nosso olhar, porque é nele que encontramos a plena realização do coração humano. Em Jesus Cristo descobrimos o verdadeiro sentido da vida. Nossa amizade com Deus nos faz descobridores dos segredos para uma vida mais humana e feliz.

A alegria do amor: a arte de amar é um convite a viver com intensidade a alegria da vida. Amor não combina com tristeza. Amor, para ser amor, só pode ser gerador de uma alegria que faz toda pessoa sentir prazer em viver e conviver. Nasce de uma opção fundamental por aquilo que é justo, nobre e verdadeiro. Se o amor que você vive é verdadeiro, logicamente seus dias serão regados de grande alegria. Quando o amor é real tem-se mais motivos para sorrir do que para chorar. Como Maria recebeu com alegria o Filho de Deus em seu ventre, vivamos também a alegria de ter Cristo em nossa vida. Nosso coração é o ventre que acolhe o Cristo amigo. Permitamo-nos ser amigos e irmãos de Jesus Cristo. Que seja ele a nos guiar pelas estradas da vida.

A resposta ao sofrimento: o sofrimento é uma conseqüência inevitável de nossa condição humana. Em nossa existência não há quem viva livre de sofrimentos. Mas, ao se olhar de um jeito certo para o sofrimento, descobrimos grandes riquezas. O sofrimento pode ser a grande oportunidade de mudança na vida de uma pessoa. Às vezes, a dor nos revela o quanto necessitamos de amor. A grande resposta ao sofrimento é a luta constante por uma vida moldada pelo amor verdadeiro. O sofrimento pode chegar a qualquer momento, mas não tem motivos para permanecer. Afinal, o projeto de todo ser humano é a felicidade, e se o sofrimento bateu à sua porta, é porque até a dor ajudará na busca saudável de uma vida feliz. Não há ressurreição sem cruz. Não há verdadeira felicidade sem a experiência do sofrer. No entanto, o que o fim nos reserva já estava escrito lá no início: você nasceu do amor, e no amor permanecerá.

A força do perdão: perdoar é para os que têm um coração que vive a dinâmica do amor. Perdoar é devolver a possibilidade de uma nova vida para você mesmo e também para o outro. Perdoar é deixar de engravidar-se do mal. Quem perdoa mostra o quanto está disposto a viver a alegria verdadeira, e o esforço que faz para responder aos sofrimentos das ofensas que tanto machucam e magoam as pessoas. Perdoar é reconhecer que somos todos de barro e que precisamos cuidar uns dos outros. Afinal, sempre haverá tensões em nossas convivências, mas, não há gesto mais humano nesta vida do que perdoar alguém e devolver-lhe a oportunidade de olhar a vida com mais serenidade. O perdão garante futuro: perdoar é princípio de vida nova. Só perdoa quem vive a tensão verdadeira do Reino de Deus.

A vitória da vida sobre a morte: para o cristão, o fim é sempre um novo início. A morte não tem a última palavra onde Deus habita. Nossa amizade com Deus é garantia de vida. Se Deus é o Deus da vida, estar com ele é fazer valer toda a vida. A morte muitas vezes está nos rondando. Não a morte física, mas a morte simbólica, aquela que nos arranca o gosto e o sabor da vida. Quando tudo parece dar errado, passamos a acreditar mais na força da morte do que na dinâmica da vida. No entanto, a vida é vencedora da morte, aniquilada debaixo dos pés da vida. Cristo venceu a morte e nos garantiu vida, e vida eterna. Se a morte fez Cristo ficar com os braços abertos na cruz para sofrer a dor da morte, estes mesmos braços Deus Pai transformou em aconchego e segurança para todos aqueles que, por vezes, sofrem com os sinais de morte que o mundo carrega. Os braços de Cristo estão abertos para garantir vida à nossa vida.  A nós cabe acolher tal verdade. Acreditar na vida. Onde há braços abertos para a vida, as forças da morte não podem chegar.

Éderson Iarochevski

É A FÉ QUE NOS CONDUZ

13 de janeiro de 2012

A porta da fé está sempre aberta para nós. Quando nos deixamos moldar pela Palavra divina adentramos na comunhão com Deus. Viver em comunhão com Deus não se reduz a alguns momentos do nosso cotidiano, mas perdura em toda a vida. Deus não quer nos receber em pedaços, ele nos quer inteiros, o tempo todo. Se descobrirmos o caminho da fé, viveremos a alegria e o entusiasmo de termos, verdadeiramente, nos encontrado com a pessoa de  Cristo.

Não podemos, ao longo de nossa vida, aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida. Se faz urgente que possamos nos colocar a caminho.  Somos chamados viver a experiência da samaritana junto ao poço para que, ao ouvir Jesus, possamos crer nele e beber na sua fonte, que jorra água viva. É preciso estar atento ao que Jesus nos pede: “Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna” (Jo 6,27).

Como peregrinos que somos neste mundo, sabemos das cruzes que temos que carregar. Nos identificamos com o Cristo. A dor de Cristo também é nossa dor. E é verdade que nossas dores, nossos sofrimentos completam, na cruz, o sofrimento de Cristo. A solidariedade é recíproca. Deus sofre com o sofrimento dos seus filhos e sempre acolherá as dores daqueles que padecem e as transformará em bênçãos vivificadoras.

Mas, nossa fé não fica paralisada na crucifixão, ela é conduzida à ressurreição. Vejamos a cruz em seus dois lados: de um lado, Cristo crucificado, mas, de outro, o mesmo Cristo ressuscitado. Ao olhar para a cruz se percebe que ela se realiza na forma de um ser humano de braços abertos. A cruz é a imagem para a união dos opostos e, justamente assim, uma imagem para o ser humano que, dentro de si, não é uniforme, inequívoco e coerente, mas cheio de contradições, porque reúne dentro de si espírito e matéria, anjo e animal, ser humano e Deus. Somente quando aceita a estrutura da cruz o ser humano torna-se inteiramente ele mesmo. Aceitar carregar a cruz é aceitar-se filho de Deus. Nossa força vem daquilo que acreditamos.

Pelo caminho da fé vamos descobrindo o amor com que Deus nos ama. A fé nos torna fecundos e profundos. É a fé que alarga nosso coração e permite que possamos oferecer ao mundo um testemunho capaz de gerar vida, e vida feliz. Uma vida toda transformada porque a nossa fé atuará pelo amor (Gl 5,6), pois a fé nos coloca na presença do Senhor. A fé não é produtora de solitários, mas de pessoas que, ao se encontrarem com o Senhor, descobrem que todas as pessoas e todas as situações vividas estão marcadas, de alguma maneira, por Deus. A fé nos faz olhar para a vida sempre com um olhar novo. A fé não sobrevive a partir de velharias, mas da eterna novidade que Deus apresenta aos seus filhos e filhas: a salvação. Que a fé possa nos tornar sinal vivo da presença do Ressuscitado na vida do mundo.

Ederson Iarochevski


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