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O VALOR DO COMPROMISSO

19 de novembro de 2011

O amadurecimento da pessoa passa, necessariamente, pela capacidade de assumir compromissos. Comprometer-se é escolher, envolver-se, responsabilizar-se. Comprometer-se é arriscar. No compromisso assumido está a vida da pessoa, isto é, a pessoa na sua inteireza.

O compromisso é sempre uma “faca de dois gumes”. Pode ser positivo ou negativo, benéfico ou maléfico. A pessoa pode se comprometer com a vida, ou atentar contra ela. Poderá viver na intensa busca pela felicidade ou viver na passividade, resignação, ou, ainda, se comprometer com valores éticos ou com a criminalidade hedionda.

Estamos numa mudança de época. Toda mudança vem carregada de possibilidades e, também, de limites. Infelizmente, por fruto da cultura individualista e egoísta em que estamos mergulhados, comprometer-se é perda tempo. No entanto, é verdade também que o não comprometer-se revela o medo de não assumir as conseqüências dos próprios atos. O compromisso exige a pessoa por inteiro.

O medo de entregar-se por uma causa justa faz com que, cada vez mais, as pessoas tenham dificuldade de assumir compromissos a longo prazo. Quando não se tem a intenção de assumir um compromisso real, tudo se deturpa e nascem os interesses individualistas. Surgem os que querem tirar vantagem em todas as circunstâncias, os que não se fixam em realidade alguma e vivem se “adaptando” a qualquer situação. Os que se “grudam” no poder dominante e vivem abonando arbitrariedades e impunidades. Há os covardes que praticam todo tipo de crime, especialmente os que ferem a dignidade humana no seu íntimo, e colocam em risco todo um corpo social. Exemplo disso são os abusos sexuais e abusos político-econômicos.

O compromisso precisa ser assumido no que há de legítimo e profundo. O “fio de ouro” do compromisso são a liberdade e a responsabilidade. O compromisso é sempre uma decisão da pessoa. Uma causa justa só pode ser assumida livremente, mas, além da liberdade, é necessária e se exige a responsabilidade. Liberdade e responsabilidade não se opõem, nem se excluem. São aliadas e clamam uma pela outra. Se liberdade tivesse outro nome, certamente seria responsabilidade. Se a pessoa é livre, comprometer-se-á. Se responsável é, é porque vive em plena liberdade.

 Comprometer-se para ser

Comprometer-se é ousar. Exige tenacidade. Acontece na continuidade. O compromisso não sobrevive na pessoa desprovida de esperança. Comprometer-se hoje, e desistir amanhã, é veleidade. O compromisso é criador. Quem se compromete sempre se realiza e promove realizações. O compromisso exige o “amor criativo” por aquilo que se assume. Compromisso exige duas companhias fundamentais: comunhão e participação. É precisa conjugar os verbos “estar” e “ser” junto com os outros e com aquilo que se assume. O compromisso projeta a pessoa para algo novo, que ainda não foi realizado. O compromisso assumido, muitas vezes, pode ter um sabor amargo pelas dificuldades que se apresentam, mas ele não poderá ser rejeitado. Quem se compromete se predispõem a viver com mais alegria. O risco assumido precisa ser entendido como possibilidade de realização. Assumir um compromisso é abraçar prioridades. Assume-se porque se opta por um valor de grande significado. Quem tem consciência amadurecida não irá comprometer-se com mesquinharias. O compromisso revela a escala de valores que são adotados pelas pessoas.

O medo de comprometer-se é, no fundo, o medo de revelar-se. Pelo compromisso assumido, a pessoa revela quem ela é, de que lado está, a quem oferece apoio, rejeita, no que acredita, o que valoriza. No compromisso assumido uma pessoa permite-se conhecer e ser conhecida.

Quem sabe é chegada a hora de cada um se comprometer com uma causa nobre e justa. Os constantes desafios e os grandes riscos são companhias inseparáveis de quem ousa se comprometer. Mas, o que será da vida sem a ousadia de se comprometer por aquilo que dignifica a vida da pessoa, e devolve a esperança ao mundo?

Éderson Iarochevski


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