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PRECISAMOS DE CONVERSÃO

23 de agosto de 2011

Uma pergunta que podemos fazer diante da vida que levamos: o que devemos fazer?  E a resposta que pode chegar até nossos ouvidos: “conversão”.  Interessante observar Pedro, no sermão do Pentecostes. Quando o povo lhe pergunta: “o que devemos fazer?”, responde: “Convertei-vos, e cada um de vós receba o batismo no nome de Jesus Cristo para o perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2,37s). A palavra grega para conversão, metànoia, significa literalmente, “mudar de pensamento”, “pensar de outra maneira”, “olhar diferente para a realidade”. Muitos retiros espirituais se tornam um espaço privilegiado para que a metànoia aconteça na vida de tantas pessoas que procuram um encontro pessoal com Deus e assim, mudar sua vida.

Para os gregos, a conversão começa no pensamento. É o pensamento que nos faz errar. Se pensamos erroneamente sobre nós mesmos e sobre o que acontece ao nosso redor, então nosso comportamento também não corresponderá à realidade. Nossa atitude só pode ser boa e promover o bem quando nossos pensamentos também o são. O grande perigo é que, muitas vezes, procuramos ver o mundo somente com os óculos das nossas projeções. Interessante é que o evangelista Lucas apresenta de Jesus: Jesus quer ensinar os seus ouvintes a enxergar melhor a realidade e avaliá-la devidamente. Podemos confirmá-lo em dois textos.

Jesus chama a atenção de seus ouvintes para as previsões do tempo. Quando no Oeste subiam as nuvens, um bom observador do tempo já podia concluir que iria chover. “E quando sopra o vento sul dizeis: vai fazer muito calor. E é o que acontece. Ó hipócritas! Sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu, e como não podeis reconhecer os sinais desta época? E por que também não julgais por vós mesmos o que é justo?” (Lc 12, 54-57).

Os homens sabem avaliar com acerto a natureza, mas para o sentido da história eles são cegos; de propósito, fecham os olhos. Esta é a pior cegueira, a de quem desiste de ver. Jesus nos exorta a observarmos os acontecimentos concretos de nosso tempo, a fim de avaliá-los de forma correta e a reagirmos a isso com ações adequadas. A metànoia/conversão, o olhar de outra maneira, o pensar diferente, há de levar também a um novo agir. A conversão convence que a mudança é de dentro para fora.

Jesus, no Evangelho de Lucas, também nos mostra como devemos julgar os fatos históricos. O povo conta as últimas notícias: catástrofes políticas e infortúnios que ninguém entende (alguma semelhança com o nosso tempo?). Pilatos mandou matar uns galileus que estavam querendo oferecer sacrifícios no templo. A torre de Siloé desabou, e dezoito pessoas morreram. Nos dois casos a resposta de Jesus é a mesma: “Pensais que somente estes galileus eram pecadores, porque isso aconteceu com eles, e que os demais galileus não pecam? Não, eu vô-lo digo; e todos padecereis do mesmo modo, se não vos converterdes” (Lc 13,2s).

Jesus alude à teologia dos fariseus, que em todo o desastre via um castigo pelos pecados, também conhecida pelo nome de teologia da retribuição, que até nossos dias é usada por pessoas de má fé para alienar e explorar as pessoas, principalmente quando estão debilitadas por alguma dificuldade em sua vida. Jesus não confirma essa visão errada. Em vez de se envolver numa discussão teológica sobre o porquê do acontecido, faz os informantes olharem para si mesmos. Não se trata dos outros, e sim de nós mesmos. Pereceremos igualmente, se não mudarmos o nosso pensamento. Quem pensa errado, vive errado. Quando acontecem catástrofes, não devemos perguntar “por quê?”. Devemos entendê-las como interrogação a nós mesmos. Pode nos acontecer a mesma coisa que acontece com as vitimas de uma enchente, dum tsunami, ou até mesmo de um ataque terrorista. Somos questionados: o que é que nos faz viver? Que sentido tem a nossa vida? Não temos nenhuma garantia de uma vida longa e com saúde. Não é evidente que nossa vida terá bom êxito.

O pressuposto para o bom êxito de nossa vida é a conversão. E o que é a conversão para um cristão hoje? Significa constatar primeiramente que houve um afastamento de Deus, que no modo de pensar e viver não mais se contava com Deus. E depois, conversão significa ver a minha vida à luz de Deus, entendê-la em função de Deus; significa olhar para a realidade e reconhecer Deus como o verdadeiro fim e fundamento sólido da minha vida.

No entanto, conversão não é, somente, enxergar e reconhecer, é também decidir. Tomo decisão de viver de outra maneira, de uma maneira que corresponda à vontade de Deus e à minha própria essência.

Éderson Iarochevski

 

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