CRER EM DEUS EM TEMPO DE DESCRENÇA

Como anda nossa relação com Deus? Cremos ser ele o Criador de todas as coisas, o aceitamos como o Pai que nos ama e nos reconhece como seus filhos?  Confiamos nossa vida, nossos sonhos e projetos a Deus?

Vivemos o tempo das possibilidades quase infinitas. Tudo parece ser possível. Até mesmo crer e não crer. Basta uma decisão pessoal.  Um mundo que vive de um pluralismo sem igual e que relativiza tudo aquilo que possui valor, e promete garantir identidade a uma pessoa, comunidade e até mesmo, nações. Podemos afirmar que o indiferentismo que marca nosso tempo é a grande herança de uma sociedade relativizadora de tudo aquilo que faz a vida ter mais sentido. E isso é tão verdade que até mesmo no espaço religioso acontece, e com grande força.

É sabido que a cultura das cidades exerce pressão cognitiva forte sobre a consciência dos seus habitantes que viviam antes em ambiente religioso uniforme e mudaram agora para a grande cidade. Basta perceber o movimento que se dá nas pessoas que saem do ambiente rural, com uma religiosidade “firmada”, e migram para a cidade. Aos poucos, estas pessoas, caso não se insiram em uma comunidade bem constituída, perdem os laços que as unem a uma vivência religiosa que orienta sua vida.

Esta pressão não se dá apenas exteriormente, no sentido de mudança de espaço, mas também, e de forma impactante, interiormente, alterando pouco a pouco a estrutura da personalidade da pessoa. O que acontece é que muitos abandonam silenciosamente a fé em Deus, sendo secularizados antes que eles próprios percebam; outros se sujeitam à pressão social de dentro e de fora; outros começam a “pechinchar” com sua fé: abandonam certas práticas saudáveis de fé, aderem a outras.

EU CREIO EM DEUS

Creio em Deus toda vez que faço parte de uma comunidade. Mesmo valendo-me do conhecimento de que nos tempos atuais é o individualismo e o egoísmo que imperam não me deixo ser algemado por tais anti-valores. O cristão reconhece que é na comunidade que sua vida pode ser vivida de forma saudável. A comunidade é uma necessidade pessoal, sociológica e religiosa. Na comunidade nos apresentamos e somos apresentados. É diante do outro que existo, que me afirmo como gente, como filho de Deus. Se sou filho de Deus e os outros também o são, vivo em comunidade para garantir a irmandade em Deus. Cada vez que se propõe a viver em comunidade, você afirma crer em Deus.

Creio em Deus quando aceito minha condição humana. É na minha humanidade limitada que reconheço a presença de Deus. Quando mais me descubro como ser humano e reconheço em mim as limitações e possibilidades que guardo comigo, mais confirmo crer em Deus. Se me aceito como pessoa, aceito Deus. Deus se fez gente, se fez homem para garantir que seus filhos o reconheçam como o verdadeiro amor, amor que deixa de ser em si para ser totalmente outro, assume a nossa condição a fim de amar por completo sua criatura querida. Não é sendo super-homens que apreenderemos a crer e se relacionar-nos com Deus.  Não é com show de milagres espetaculares que vamos crer em Deus, mas sendo gente que vive como gente, que faz da vida uma oportunidade de se amar e amar o outro, e descobrir na própria condição humana a presença atuante do Deus da vida.

Creio em Deus quando afirmo que é o bem que prevalecerá. Hoje o pessimismo ronda a mente das pessoas, quer no nível pessoal ou social. Todos os dias somos apresentados a situações de vida que parecem ser o fim ou a realidades que, à primeira vista, não tem mais solução. O caos é noticia diária. Mas, para quem crê em Deus, é o bem a notícia que tem mais força e que permanecerá. Embora não se possa eliminar todo o mal do mundo, da história, o olhar daquele que crê está voltado para as práticas e realidades que garantem a presença do bem. As boas ações, as imagens vivificantes, as palavras que fazem crescer e amadurecer. Quem crê não fica construindo muros em seus pensamentos, sentimentos e ações, não se fecha sobre si, mas, ao contrário, é um construtor de pontes. Não se contenta apenas com o que há, o que se tem. Quem crê é um conquistador de valores, de idéias, de sonhos, é alguém que não para, está sempre em movimento, pois sabe que Deus nos espera sempre mais à frente e não nos quer voltando para trás e assim atrasando nossa vida.

Éderson Iarochevski

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Uma resposta to “CRER EM DEUS EM TEMPO DE DESCRENÇA”

  1. MARIA Says:

    Minha vida tem sentido, pois Deus jamais me abandona. Principalmente, nos momentos que enfrentei as maiores dificuldades… Achei que não conseguiria suportar, mas me enganei. DEUS é o meu melhor amigo, que me carregou no colo, quando as minhas forças não permitiam seguir em frente. O amor de DEUS vai além. Eu confio cegamente nELE e sou muito grata até mesmo pelo que não recebi. Hoje sei que minha fé amadureceu diante das dificuldades. E, descobri que DEUS aproveita-se de nossas fraquezas para se aproximar de mansinho e fazer morada. Obrigado Ederson, por iluminar minha vida.

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