NATAL SÓ PODE SER VIDA

Natal - Willian Congdon

Poderíamos dizer que o grande projeto de Deus foi fazer-se homem. Deus tomou a iniciativa de nos visitar e ser, também ele, “humano”. Foi no seio de uma menina-mulher que este projeto se concretizou: o Filho de Deus fez-se carne. Numa noite, em uma gruta nasceu Aquele no qual o Filho de Deus se fez, finalmente, homem.

Estamos vivendo um tempo de espera. Uma expectativa que não frustra, que não decepciona. O Natal é a festa que vamos celebrar e só tem sentido se for associado à vida. A vida é sagrada e remete para um mistério sacrossanto. Então, todo atentado contra a vida é uma agressão ao próprio Deus, ele, o autor de toda vida.

Um menino nasceu. Deus se revelando na fragilidade de uma criança. Criança que não nasceu para pôr medo, condenar. Seu choro é delicado, sinal de vida, não afugenta ninguém. O menino não veio com armas na mão, ou com ferramentas para ferir e dominar. Ele esta aí apenas para ficar junto. Para ser amigo, o maior amigo!

É hora de criar a festividade da festa. Se alguém está para chegar não nos preparamos para recebê-lo? Parafraseando o Pequeno Príncipe, poderíamos dizer “se tu vens no Natal desde agora estou feliz”. Inspirado o papa São Leão Magno no seu 1º sermão de Natal: “Alegremo-nos: não pode haver tristeza quando nasce a vida”. Eis um tempo não para fazer doutrinas, mas simplesmente para festejar a vida, para se alegrar com Deus que se fez homem e veio morar em nossa casa.

Deus se faz homem, e os homens tornam-se homens de Deus

No presépio que vemos, se afirma “a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, se manifestaram …” (Tt 3,4). É o amor divino que se abaixa até nós, se faz mundo, torna-se homem. Deus não escapa do mundo, mas adentra nele. Deus não o divide em profano ou sagrado, mas assume toda a realidade, toda a humanidade, no exato momento da encarnação de seu Filho. Corre-se o risco de pensar em Deus apenas como o Grande, sem limites, o todo poderoso. Ele se revela “pequeno”, mas seu amor continua infinito. E justamente por ser infinito seu amor, é que ele se aproximou de nós.

Deus assumiu a limitação para que não fiquemos presos a ela e, tendo em Deus nossa esperança, sejamos seres de possibilidades quase infinitas e não apenas de limitações. É sabido que o homem pode ser o lobo para outro homem, ou uma máquina destruidora para si mesmo, mas, Deus quis assumir nossa condição para revelar-nos o quanto podemos ser melhores. Sem deixar de ser Deus, Deus mesmo decide se fazer homem. Sem querer ser Deus descobrimos na festa do Natal que seremos felizes na medida em que formos homens de Deus.

Ficam para nós as palavras de Charles de Foucauld: “Mestre soberano de tudo, ao fazer-se homem, unindo-se a uma alma e a um corpo humano e aparecendo na terra como um homem, e como o último dos homens. Para mim, buscar sempre o último dos últimos lugares, para fazer-me tão pequeno quanto meu Mestre, para estar com ele, para segui-lo, passo a passo, com servo fiel, discípulo fiel (…) para viver com meu Deus que viveu assim toda sua vida e me dá um exemplo tão grande no nascimento”.

Natal é tempo de nos descobrirmos mais humanos naquele que assumiu nossa humanidade. O Natal é o tempo que nos desperta para que sejamos amantes da vida na vida daquele que nasce em nosso coração.

Éderson Iarochevski


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