BENDITAS SOIS, MULHERES!

 

 

Maria Visita Isabel (Michel Ciry)

 

Poderíamos perguntar: o que seria da Igreja sem a presença feminina? Sem a delicadeza e co-responsabilidade das mulheres? É muito indicativo perceber que, na maioria das Igrejas, das atividades pastorais, da evangelização as mulheres estão à frente dos trabalhos. São elas que constituem a maioria de nossas comunidades, como lembra o Documento de Aparecida (n. 455): “são as primeiras transmissoras da fé e colaboradoras dos pastores, os quais devem atendê-las, valorizá-las e respeitá-las”.

Mas, esta constatação da participação ativa das mulheres na vida da Igreja não é uma realidade do nosso tempo. Com Jesus Cristo, as mulheres tiveram amplo espaço para, de maneira efetiva e preciosa, difundir o Evangelho. Isso é tão verdade que os evangelistas recordam as palavras do Senhor diante da mulher que ungiu-lhe a cabeça pouco antes da Paixão: “Em verdade vos digo, em qualquer lugar onde for pregado esse evangelho no mundo inteiro, será dito também o que ela fez, em memória dela” (Mt 26,13; Mc 14,9). Nas palavras de salvação está toda a delicadeza, os gestos e a ternura da figura feminina que acompanhou Jesus em toda sua vida e que hoje, na dedicação ao projeto de Deus, atualizam a presença de Nosso Senhor no seio das comunidades, no coração das pessoas.

Além dos Doze, que são as colunas da Igreja, Pais do novo Povo de Deus, também muitas mulheres são escolhidas entre o número dos discípulos. Alguns exemplos de discipulado das mulheres em relação à pessoa de Jesus e ao projeto que revelou à humanidade: profetisa Ana (Lc 2,36-38), a Samaritana (Jo 4,1-39), a mulher siro-fenícia (Mc 7,24-30), a hemorroísa (Mt, 9,20-22) e a pecadora perdoada (Lc 7, 36-50). E há aquelas figuras femininas que são protagonistas nas parábolas contadas por Jesus, como a dona da casa que faz o pão (Mt 13,33), a mulher que perde a moeda (Lc 15,8-10) a viúva que importuna o juiz (Lc 18,1-8).

Mulheres de ontem, mulheres de hoje

É impossível pensar nas discípulas de Jesus e não começar orientando nosso pensamento à Maria, mãe e discípula que, com sua fé e a sua obra materna colaborou de modo único para a nossa redenção, a ponto de Isabel poder proclamá-la “bendita entre as mulheres” (Lc 1,42). Maria, ao se tornar discípula do Filho revela, nas bodas de Caná, a total confiança no Verbo encarnado (Jo, 2,5). Foi Maria a mãe que não abandona seu Filho, que o seguiu até os pés da cruz, onde recebeu dele uma missão materna para todos os seus discípulos, de todos os tempos, representados por João (Jo 19,25-27). Maria é mãe, Maria é discípula. Maria ensina, Maria aprende. Maria crê verdadeiramente no Filho, e o Filho crê verdadeiramente em Maria. Mulheres na Igreja são as benditas Marias de nosso tempo.

Outras mulheres estão ao lado de Jesus, mulheres que têm suas funções e responsabilidades. Um exemplo evidente é o das mulheres que seguiam a Jesus para assisti-lo com seus recursos, isto é, ajudavam Jesus com seus bens materiais. Dentre elas o evangelista Lucas nos transmite alguns nomes: Maria Madalena, Joana, Suzana e “muitas outras” (Lc8, 2-3). Hoje, muitas mulheres “investem” seus bens e seu tempo na evangelização. Fazem dos seus dias dia da Graça do Senhor para muitas pessoas. Basta vermos as salas de catequese, as equipes de liturgia e celebração, os ministérios de música, os ministros da comunhão, da Palavra e tantas outras funções. Mulheres benditas que oferecem sua vida pelo Reino de Deus. Bendita sóis, mulheres evangelizadoras.

Uma das notícias mais significativas apresentadas sobre as mulheres discípulas é que não abandonaram Jesus na hora da Paixão (Mt 27, 56-61). Dentre elas sobressai Maria Madalena, que não só presenciou a Paixão, mas foi a primeira testemunha e anunciadora do Ressuscitado (Jo 20,11-18). É Santo Tomás de Aquino que qualifica Maria Madalena de “apóstola dos apóstolos” e dedica-lhe tão nobre comentário: “como uma mulher havia anunciado ao primeiro homem palavras de morte, assim uma mulher por primeiro anunciou aos apóstolos palavras de vida”.

A Igreja continua sua missão porque muitas mulheres fazem da Igreja seu lar, a tal ponto amam, cuidam, valorizam, se dedicam. Bendita tantas mulheres que deixam seus bens e seu tempo pela causa do Evangelho que transforma vidas. Bem-aventuradas todas as mulheres que não têm medo de subir aos calvários da humanidade e de anunciar a presença real e verdadeira de Jesus na vida do mundo. Bendita toda mulher que se torna uma verdadeira apóstola em nome de Jesus Cristo, pois a verdade de Deus chega aos corações com maior leveza, ternura e beleza.

Éderson Iarochevski

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