RECEITA DE VIDA: AMAR O QUE HÁ DE MELHOR EM NÓS

Talvez todos nós, alguma vez, presenciamos pessoas partilhando desgraças (histórias trágicas pessoais, acontecimentos desgostosos, doenças, calamidades, etc.) em suas conversas diárias.

Interessante é que uma pessoa apresenta, detalhadamente, uma história de dor e o ouvinte, sem deixar por menos, logo se apaixona pela conversa e apresenta uma outra história, muito mais trágica e arrepiante. Assim se vivem longas horas de partilhas que partem nossos sonhos e, por vezes esvaziam nossas esperanças de vida nova e de um jeito novo de viver. Nosso jeito de partilhar a vida geralmente se dá assim, seja com desconhecidos em uma viagem de ônibus, seja na conversa com aquela pessoa mais próxima que conhece o nosso jeito, nossa história.

Estaria errada essa maneira de apresentar nossa vida à outra pessoa? Será que é a melhor maneira de nos aproximarmos de alguém e de apresentar nosso jeito de viver e encarar a vida e seus acontecimentos?

Nós somos mais do que as tragédias que nos acontecem. Somos mais do que a dor que nos desinstala.  Somos mais do que os medos que nos cercam e nos fazem tremer. Somos mais. Tudo vai depender da maneira como nos apresentamos ao problema, à situação vivida. Se olharmos com medo para aquilo que de ruim nos acontece, seremos aprisionados e não conseguiremos escapar das armadilhas do negativismo. Se contemplarmos, porém, com coragem, teremos possibilidade de aceitar e, principalmente, superar a situação que nos foi imposta no caminhar da vida.

Apresentar nossa história de vida sempre a partir dos fatos trágicos não serve para as pessoas, e nada serve para o mundo.

Diante de um poço que só apresenta água suja, sem possibilidade alguma da água permitir se purificar,  ninguém terá coragem de beber: vai matar a sede em outro lugar. Pessoas que apresentam sua vida apenas como um poço enlodado de desgraças tendem a ficar sozinhas, não por que não são amadas e queridas pelos outros,  mas, quem suporta por muito tempo tomar só água suja, barrenta? Só histórias tristes nos deixam tristes também. Águas que não se permitem passar por um processo de purificação apodrecem, abandonadas. Ninguém agüenta só ouvir mazelas, dores, tragédias.

É certo dizer: ninguém é tão mal que não tenha algo de bom para partilhar. Os fatos que acontecem em nossa vida, por piores que possam ter sido, não vão mudar, mas nossa vida em relação ao fato pode mudar, desde que olhemos com um jeito certo.

Como podemos ter esse olhar certo? Como nossas histórias, ao serem contadas, podem ganhar mais alegria e positividade? Como deixar de ser tão negativos diante da vida?

Nelson Mandela, o líder sul-africano que viveu 27 anos na prisão, em uma de suas cartas escreve: “Nascemos para expressar a glória de Deus que está em nós. Ela não está em apenas alguns de nós; está em todas as pessoas. E quando deixamos que esta nossa luz brilhe, inconscientemente permitimos que outras pessoas façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso medo, de nossas dores, nossa presença automaticamente liberta outras pessoas”.

É certo que somos luz e não trevas, que somos mais possibilidade do que limites, e se limites temos, são para nos impulsionar rumo ao mundo de novas possibilidades que reorganizam e promovem a existência. Somos um projeto infinito. É preciso se permitir “ver o lado bom das coisas”.

Nossa história pessoal de vida é carregada de acontecimentos, e somente nós podemos dar-lhes vida. No entanto, a vida que falamos é a que rima com sabedoria de ver que, em nossas potencialidades, há sempre a chance de sermos mais brilhantes, belos, talentosos, fabulosos. E quem disse que não podemos ser e nos apresentar assim? Somos filhos de Deus.

Filhos de Deus, não temos motivos para nos aprisionarmos naquilo que impede a vida de ser vivida de forma digna. Sendo filhos de Deus podemos ousar dizer “tenho todo direito de ser feliz e me realizar como pessoa”. Minhas qualidades e potencialidades expressam minha origem divina. Precisamos a cada dia nos divinizar, não para ser novos deuses, mas sim para sermos um com Deus. Sermos recriadores de espaços de alegria, de paz, de acolhida, de querer bem um ao outro, de fraternidade, de sensibilidade e gentileza.

Como seriam diferentes nossas atitudes, nossos jeitos, nossas palavras e histórias de vida se realmente nos déssemos a oportunidade de nos considerarmos como filhos amados de Deus e tornar nossas ações um prolongamento da vontade de Deus Pai. Olhe bem: a certeza é que nossas histórias de vida deixariam o porão das dores e sofrimentos e tomariam a alegria dos palcos onde não mais apresentaríamos a tragédia diária como arte, mas sim, toda a beleza que é viver.  E se as dores insistirem em nos acompanhar, serão apresentadas de um jeito certo, sem possibilidades de aprisionamentos e amarras. Estaremos, no palco da vida, apresentando o que há de melhor em nós.

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Uma resposta to “RECEITA DE VIDA: AMAR O QUE HÁ DE MELHOR EM NÓS”

  1. Jéssica Says:

    “Somos mais do que os medos que nos cercam e nos fazem tremer. Somos mais…” As tuas palavras sempre me enchem de esperança, sempre me fazem refletir sobre as coisas que preciso refletir… Obrigada por criar esse canal onde possamos nos alimentar de suas palavras abençoadas! Jéssica

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