NAS FRAQUEZAS APRENDER A CONHECER O AMOR

Conhecer o Amor de Deus - Michel Ciry

O combate da fé, entendido como processo de conversão, comporta em si muitas lutas: contra a agitação, contra a inquietação, contra o stress e, sobretudo, contra a tristeza.

A tristeza parece ser uma evidente manifestação do amor próprio que corta pelas raízes a fé e a entrega. Não se trata somente daquela tristeza que nos invade no desenrolar das dificuldades do cotidiano, quando somos privados, parcial ou totalmente, de algo. Trata-se, mais ainda, da melancolia que nos aflige nas dificuldades espirituais, quando caímos, quando cometemos alguma infidelidade. A tristeza exerce um efeito paralisante sobre nossa fé.

Depois de uma queda, não devemos ficar abatidos, pois causaremos maior dor a Deus do que propriamente quando pecamos. Além disso, dizem os santos, depois de termos caído devemos esperar ainda maiores graças do que antes da queda. Segundo o Apóstolo Paulo “é na fraqueza que me sinto forte” (2 Cor 12,9).

Não podemos viver fugindo de nossas fraquezas. Precisamos assumir nossos limites para que não sejam eles a nos assumirem. A luta pela aceitação dos fracassos e insucessos de nossa vida deve abarcar todas as situações, mesmo as mais insignificantes. Um exemplo simples e fascinante é o de São Maximiliano Maria Kolbe: ao jogar damas com seus confrades, preferia perder.  Era seu “agir contra”, sua maneira de se desligar do amor próprio a fim de poder voltar-se inteiramente ao Senhor.

Quando se fala em perder, engolir alguns sapos, dar o braço a torcer não necessariamente se está falando em fraqueza e entrega dos pontos, mas sim, revelando um verdadeiro gesto de amor a Deus através dos gestos concretos com os irmãos.

Para não se entristecer com as limitações, as imperfeições, é  necessário olhá-las à luz da fé, na certeza de que Cristo Ressuscitado nos aceita tal como somos. Podemos e devemos ir ao seu encontro com todas as nossas misérias e fraquezas: ele ama, acolhe. O Amor perdoa sempre. É  ele, o Salvador, que nos reparará o mal que fizemos e suprirá  as nossas imperfeições.

Se te sentes fraco e pecador, tens especial direito de estar nos braços de Jesus: ele é o Bom Pastor que procura as ovelhas perdidas, fracas e desvalidas, as que não conseguem acompanhar o andamento do rebanho, mas são suas. Permite que Jesus te tome em seus braços, consente que te ame, crê no seu amor. Santa Teresinha do Menino Jesus gostava muito de confiar a Jesus as suas faltas e infidelidades. Dizia que, desse modo, procurava atrair a sua misericórdia, posto que ele veio para os pecadores e não para os justos. E ela expressa total confiança no Senhor que a ama dizendo: “num único ato de amor, mesmo não sentido, tudo é reparado”.

Então, para ter direitos de estar nos braços do Bom Pastor é necessário que haja em nós uma atitude de humildade, reconhecer e crer que somos fracos e pecadores: limitados. Mas, simultaneamente, é preciso acreditar no amor que o Senhor tem a nos oferecer. Devemos acreditar que Jesus nos toma pelos braços porque somos pecadores, fracos e limitados e que, por nós mesmos de nada somos capazes. Será a fé que vai gerar em nosso coração a gratidão pelo amor incessante que o Senhor nos dedica em nossa vida.

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Uma resposta to “NAS FRAQUEZAS APRENDER A CONHECER O AMOR”

  1. Jéssica Says:

    Essa parte muito serve para mim…
    (…) Não podemos viver fugindo de nossas fraquezas. Precisamos assumir nossos limites para que não sejam eles a nos assumirem. A luta pela aceitação dos fracassos e insucessos de nossa vida deve abarcar todas as situações, mesmo as mais insignificantes. Um exemplo simples e fascinante é o de São Maximiliano Maria Kolbe: ao jogar damas com seus confrades, preferia perder. Era seu “agir contra”, sua maneira de se desligar do amor próprio a fim de poder voltar-se inteiramente ao Senhor (…) O meus medos me enfraquecem, mas estou encontrando forças, e sabemos de onde ela vem!

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