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APENAS UMA VARANDA

29 de maio de 2010

A arquitetura moderna, com seus novos e ousados projetos está ficando, de certa maneira, empobrecida. Explico-me: cada vez mais se deixa de lado a construção de varandas nas casas que são projetadas.

Quem tem uma varanda em sua casa, bem sabe que é impossível dela se desfazer. É um dos melhores lugares da casa.  Paredes nos fazem pensar em prisão, são uma forma convencional de se isolar. Não ter paredes, muros, cercas, metaforicamente falando, garante “liberdade”.

Recordemos de nossas experiências em varandas ou nos imaginemos vivendo tal situação. Final de tarde, chegamos de nossas atividades diárias e queremos um bom lugar para descansar e ficar em paz. Logo se traz uma cadeira – pode ser o chão – para se sentar, e é na varanda que o corpo, cansado do labor do dia, se permite acalmar. Varanda: doce remédio para um bom e merecido descanso.

Gratuitamente o sol retorna a seu berço e nós, da varanda, contemplamos este momento belo que somente um fim de tarde pode proporcionar. A brisa, sem pedir licença, vai entrando e tomando conta do espaço, refresca nosso corpo, nos oferece mais vida. Interessante que a brisa é tão delicada que, às vezes, sem nos darmos conta, estamos de olhos fechados sentindo o carinho que ela nos faz ao nos tocar.

Da varanda passamos a observar tudo o que acontece diante de nossa casa. Vemos os vizinhos, as outras casas com outras varandas, as flores, a estrada, o verde, enfim. A paisagem humana e a paisagem natural diante dos nossos olhos.  Somente estando na varanda para se ver as coisas por inteiro. Olhar pela janela: corre-se o risco de sermos enganados pelo tamanho ou, na pior das hipóteses, pela sujeira que nela possa existir e nos fazer pensar que está do lado de fora e não do nosso lado. Olhar da varanda faz com que erremos menos. Quem está na varanda pode ver e ser visto. Estar na varanda é possibilidade de ser visitado ao avistar, e de avistar ao ser visitado.

É na varanda que começamos a conversar sobre o que aconteceu durante o dia. Na varanda nos encontramos com quem convive no mesmo espaço que nós. É na varanda que acolhemos quem à nossa casa chega.

Varanda é lugar de acolhida, mas é também lugar de despedida. A mãe ansiosa espera o filho na varanda, a mesma mãe com o coração apertado abraça o filho na despedida. Vai o filho, fica a varanda. É da varanda que se pode ver o desenho da estrada e é ali que a saudade toca os corações daqueles que amam e aguardam, ansiosos, a chegada de quem prometeu retornar.

Algo marcante na varanda é a roda de chimarrão (principalmente no Sul do país). Quem nunca tomou um chimarrão em uma roda de amigos ou familiares em uma varanda, por favor, se convide para participar de uma. Que experiência! As horas passam e a gente nem vê. Ali todo mundo é importante. Todos podem contar suas histórias, dar suas opiniões, mudar de assunto o quanto quiserem, não há protocolo, varanda é lugar de ser você mesmo. É oportunidade de conhecer e ser conhecido. Na varanda todos se sentem bem. O interessante da varanda é que ela não permite tristeza, pois ninguém permanece ali se não estiver bem. Ficar na varanda é sinal de que as coisas “vão indo bem” e, se não estão bem, é bom resolver logo, pois a varanda sempre espera e tem lugar para mais um.

Às vezes, diante de tantas maravilhas construídas, um sonho se insinua: ter apenas uma varanda.

RECEITA DE VIDA: AMAR O QUE HÁ DE MELHOR EM NÓS

22 de maio de 2010

Talvez todos nós, alguma vez, presenciamos pessoas partilhando desgraças (histórias trágicas pessoais, acontecimentos desgostosos, doenças, calamidades, etc.) em suas conversas diárias.

Interessante é que uma pessoa apresenta, detalhadamente, uma história de dor e o ouvinte, sem deixar por menos, logo se apaixona pela conversa e apresenta uma outra história, muito mais trágica e arrepiante. Assim se vivem longas horas de partilhas que partem nossos sonhos e, por vezes esvaziam nossas esperanças de vida nova e de um jeito novo de viver. Nosso jeito de partilhar a vida geralmente se dá assim, seja com desconhecidos em uma viagem de ônibus, seja na conversa com aquela pessoa mais próxima que conhece o nosso jeito, nossa história.

Estaria errada essa maneira de apresentar nossa vida à outra pessoa? Será que é a melhor maneira de nos aproximarmos de alguém e de apresentar nosso jeito de viver e encarar a vida e seus acontecimentos?

Nós somos mais do que as tragédias que nos acontecem. Somos mais do que a dor que nos desinstala.  Somos mais do que os medos que nos cercam e nos fazem tremer. Somos mais. Tudo vai depender da maneira como nos apresentamos ao problema, à situação vivida. Se olharmos com medo para aquilo que de ruim nos acontece, seremos aprisionados e não conseguiremos escapar das armadilhas do negativismo. Se contemplarmos, porém, com coragem, teremos possibilidade de aceitar e, principalmente, superar a situação que nos foi imposta no caminhar da vida.

Apresentar nossa história de vida sempre a partir dos fatos trágicos não serve para as pessoas, e nada serve para o mundo.

Diante de um poço que só apresenta água suja, sem possibilidade alguma da água permitir se purificar,  ninguém terá coragem de beber: vai matar a sede em outro lugar. Pessoas que apresentam sua vida apenas como um poço enlodado de desgraças tendem a ficar sozinhas, não por que não são amadas e queridas pelos outros,  mas, quem suporta por muito tempo tomar só água suja, barrenta? Só histórias tristes nos deixam tristes também. Águas que não se permitem passar por um processo de purificação apodrecem, abandonadas. Ninguém agüenta só ouvir mazelas, dores, tragédias.

É certo dizer: ninguém é tão mal que não tenha algo de bom para partilhar. Os fatos que acontecem em nossa vida, por piores que possam ter sido, não vão mudar, mas nossa vida em relação ao fato pode mudar, desde que olhemos com um jeito certo.

Como podemos ter esse olhar certo? Como nossas histórias, ao serem contadas, podem ganhar mais alegria e positividade? Como deixar de ser tão negativos diante da vida?

Nelson Mandela, o líder sul-africano que viveu 27 anos na prisão, em uma de suas cartas escreve: “Nascemos para expressar a glória de Deus que está em nós. Ela não está em apenas alguns de nós; está em todas as pessoas. E quando deixamos que esta nossa luz brilhe, inconscientemente permitimos que outras pessoas façam o mesmo. Quando nos libertamos de nosso medo, de nossas dores, nossa presença automaticamente liberta outras pessoas”.

É certo que somos luz e não trevas, que somos mais possibilidade do que limites, e se limites temos, são para nos impulsionar rumo ao mundo de novas possibilidades que reorganizam e promovem a existência. Somos um projeto infinito. É preciso se permitir “ver o lado bom das coisas”.

Nossa história pessoal de vida é carregada de acontecimentos, e somente nós podemos dar-lhes vida. No entanto, a vida que falamos é a que rima com sabedoria de ver que, em nossas potencialidades, há sempre a chance de sermos mais brilhantes, belos, talentosos, fabulosos. E quem disse que não podemos ser e nos apresentar assim? Somos filhos de Deus.

Filhos de Deus, não temos motivos para nos aprisionarmos naquilo que impede a vida de ser vivida de forma digna. Sendo filhos de Deus podemos ousar dizer “tenho todo direito de ser feliz e me realizar como pessoa”. Minhas qualidades e potencialidades expressam minha origem divina. Precisamos a cada dia nos divinizar, não para ser novos deuses, mas sim para sermos um com Deus. Sermos recriadores de espaços de alegria, de paz, de acolhida, de querer bem um ao outro, de fraternidade, de sensibilidade e gentileza.

Como seriam diferentes nossas atitudes, nossos jeitos, nossas palavras e histórias de vida se realmente nos déssemos a oportunidade de nos considerarmos como filhos amados de Deus e tornar nossas ações um prolongamento da vontade de Deus Pai. Olhe bem: a certeza é que nossas histórias de vida deixariam o porão das dores e sofrimentos e tomariam a alegria dos palcos onde não mais apresentaríamos a tragédia diária como arte, mas sim, toda a beleza que é viver.  E se as dores insistirem em nos acompanhar, serão apresentadas de um jeito certo, sem possibilidades de aprisionamentos e amarras. Estaremos, no palco da vida, apresentando o que há de melhor em nós.

EUCARISTIA – PÃO DA UNIDADE

13 de maio de 2010

Só participa, efetivamente e afetivamente, de uma festa quem abre o coração e deixa a alegria entrar. Corações livres se alegram e podem saborear tudo o que uma festa proporciona. Revitalizar a esperança, fortalecer a fé e crer, verdadeiramente, que a vida vale a pena ser vivida. A cidade de  Brasília está em festa, não só pelos 50 anos de fundação da cidade, como também pelo Jubileu da Arquidiocese de Brasília e pela realização de mais um grande evento eucarístico na capital federal: o XVI Congresso Eucarístico Nacional (CEN), de 13 a 16 de maio e tem como tema Eucaristia, pão da unidade dos discípulos missionários, e por lema: Fica conosco, Senhor! (cf. Lc 24,29).

O Congresso eucarístico vem confirmar que a Eucaristia é o pão da unidade. Na Eucaristia, Jesus é alimento que supera a divisão do mundo. Vive-se, nos dias atuais, situações que fragilizam, rompem, degradam, destroem as relações. Quanto sofrimento com as sementes amargas do preconceito, das divisões e da indiferença. São muitos os corações feridos. Coração de cada homem e de cada mulher que é excluído, de famílias que diariamente são bombardeadas por conteúdos que desfiguram os laços e colocam em dúvida a tão bela unidade querida por Deus, das comunidades que não são ouvidas, das nações que, exploradas pelos poderosos do mundo, são impedidas de viver democrática e participativamente seus direitos.

É na Eucaristia que encontra-se força para reatar os laços rompidos pelo mal que insiste em marcar presença em nosso meio. Jesus Eucarístico é dom aos filhos de Deus, “a fim de que todos sejam um” (Jo 17,21). Para viver a unidade é necessário e urgente cada discípulo missionário ser ungido pelo óleo da alegria que o Espírito Santo de Deus nos proporciona, e crescer nos cinco aspectos de sua vocação e missão: o encontro com Jesus; a conversão; o discipulado; a vida de comunhão e a missão apostólica (Documento de Aparecida 278). O Senhor nunca vem de mãos vazias ao nosso encontro: é só pedir e o Pai nos oferece tudo em sua graça e amor.

Fica conosco, Senhor!

O congresso fortalecerá  a convicção de que o Pão da unidade é vida dos Discípulos Missionários. Não há discípulo missionário solitário na missão. Ninguém irá sozinho. É pela Eucaristia que o homem e a mulher em sua missão são sempre mais eucarísticos porque, imitando o Mestre, fazem o mundo e toda a comunidade viverem uma transformação radical. Para viver no mundo das contraditoriedades, do individualismo, da concorrência e do lucro é necessário converter e convencer o coração de que é pelo caminho do serviço e do amor que a as situações desumanizadoras são vencidas.

Deus vence onde o discípulo e missionário faz as vezes de Jesus, isto é, está sempre preparado para abaixar-se e lavar os pés do irmão que mais sofre. Não há amor sem sacrifícios, não há amor sem sair de si. O amor acontece quando se vai ao encontro, quando a vida do outro está sendo cuidada e amada pela vida do discípulo missionário que não tem medo de perder a sua vida para salvar a vida de quem, todos os dias, morre aos poucos. Isso porque não tem espaço em uma sociedade que exclui e maltrata os pequenos e indefesos.

O Congresso chama a todos para, com fé e convicção, dizer: Fica conosco, Senhor. O cansaço chega, é verdade. Às vezes as sombras dominam e tudo fica embaraçado e não se reconhece o Senhor. Mas não se pode afastar da verdade que nos orienta e nos conduz: Jesus Cristo, vós sois o caminho, a verdade e a vida, ficai conosco.

Diante das fragilidades de nosso tempo, dos modelos de sociedade que não apontam sinais de esperança para um mundo melhor, de líderes que não pensam no  bem comum, em pregadores que exploram as consciências e torturam os corações de seus fiéis, diante de uma profunda mudança de época: Ficai conosco, Senhor! Que os olhos dos discípulos e missionários, pelo poder da Eucaristia, possam divisar um novo mundo. Sejamos encharcados pela esperança  de que em meio às sombras o ressuscitado permanece vivo no seio da humanidade.

A VOCAÇÃO OU, DEUS QUER NOS VESTIR COM SEU AMOR

8 de maio de 2010

Deus quer nos revestir de amor - Emile Salom

No filme: Preciosa – Uma História de Esperança (Precious, 2009), uma jovem de 16 anos, trazendo na sua pele as maiores agressões e humilhações que uma pessoa pode receber, teria todos os motivos para abandonar tudo e a todos, e se entregar ao doce veneno da morte simplesmente por não ver mais sentido em nada. No entanto, chega um determinado momento da história em que a jovem diz a si mesma: “eu preciso acontecer”. Ela, aos poucos, vai retirando toda a roupagem em que fora revestida no decorrer de sua história e vai se desnudando pra recomeçar uma nova vida revestida na certeza que a vitória irá chegar.

Quando dizemos: “sou vocacionado”, estamos convencidos de que é Deus que nos chama, e chama cada um pelo nome (Is 43,1), ele nos conhece mais do que nós a nós mesmos. O encontro acontece porque Deus vem, é ele quem deseja se encontrar conosco, na plenitude do seu amor. No seu saber esperar, Deus quer ouvir de nossa boca “Senhor, quero ser teu, contigo para sempre estarei”. Somos templo onde Deus nunca se cansará de estar presente porque nos ama e nos quer felizes sempre. Deus nos espera silenciosamente, sem barulhos e estardalhaços, para que nos entreguemos inteiramente em seus braços e deixemo-nos modelar por suas mãos amorosas.

Todo chamado exige uma resposta. Preciso ter a coragem de dizer: “eu quero acontecer em Deus”. Não quero ser a fonte de minhas forças: é necessário se entregar a Deus para que ele seja a fonte de onde jorra tudo aquilo que precisamos para nos mantermos firmes na fé, no amor e na caridade. Mas, para que essa certeza possa revestir nosso coração e todo nosso ser é preciso se desnudar de tudo aquilo que nos impossibilita sermos revestidos pela Graça, pelo amor de Deus por nós.

Mesmo na certeza de que fomos chamados e no sim que damos, é importante estarmos sempre atentos, pois o perigo de colocar vestes erradas é um risco sempre a nos acompanhar. O mundo oferece algumas vestes que, ao primeiro olhar, parecem ser como mantos usados pelos reis e nos permitiram muitas coisas interessantes: holofotes para ser destaque sempre, a necessidade compulsiva de ser celebridade, o viver pensando somente em si para não precisar cuidar de alguém, a busca incansável pelo prazer insaciável, o consumo compulsivo que escraviza, a ditadura da estética – estar bonito 24 horas, todos os meios químicos para rejuvenescer o físico sem dar atenção para o rejuvenescimento da mente e do coração. E ainda outras vestes que, no fim, se transformam em amarras a nos impedir viver e responder ao chamado verdadeiro de Deus que nos convida a sermos revestidos pelo seu amor e, ao vivermos neste mundo, descobrir a alegria de estarmos envolvido na certeza de sermos renovados em Deus. Só quem se permite ser revestido pelo amor pode amar.

Somente a Graça e a certeza da presença real de Deus nos fazem viver verdadeiramente a vocação. Podemos, ousadamente, sair a pregar e evangelizar povos e nações, mas corremos o risco de nos lançarmos ao grande mar e nada pescar, justamente por que estamos empregando nossas limitadas forças e capacidades e, quem sabe, descartando a presença e companhia de Deus. Somente ele nos reveste com seu amor e nos faz portadores da Palavra que liberta e devolve a vida. Se podemos transformar o mundo em um lugar melhor para se viver é porque Deus nos capacita para que esse sonho torne-se real.

Estar nu diante da Palavra é viver o que o apóstolo Pedro viveu (Jo 21,1-13): a pesca só aconteceu a partir do momento em que ele reconheceu a presença de Jesus Ressuscitado em sua vida e deixou-se ser revestido pela Graça do Senhor. Ele se veste e se joga no mar. Se coloca a serviço e sabe que os frutos serão colhidos porque tudo o que está fazendo é fruto do estar revestido pelo amor, repleto de ternura e misericórdia de Deus.

Em nossa nudez, deixemo-nos revestir do amor divino. Nosso sim a Deus nos deixará sempre revestidos por sua Graça. E nossa vida acontecerá nas vestes que o Senhor nos oferece.

NAS FRAQUEZAS APRENDER A CONHECER O AMOR

1 de maio de 2010

Conhecer o Amor de Deus - Michel Ciry

O combate da fé, entendido como processo de conversão, comporta em si muitas lutas: contra a agitação, contra a inquietação, contra o stress e, sobretudo, contra a tristeza.

A tristeza parece ser uma evidente manifestação do amor próprio que corta pelas raízes a fé e a entrega. Não se trata somente daquela tristeza que nos invade no desenrolar das dificuldades do cotidiano, quando somos privados, parcial ou totalmente, de algo. Trata-se, mais ainda, da melancolia que nos aflige nas dificuldades espirituais, quando caímos, quando cometemos alguma infidelidade. A tristeza exerce um efeito paralisante sobre nossa fé.

Depois de uma queda, não devemos ficar abatidos, pois causaremos maior dor a Deus do que propriamente quando pecamos. Além disso, dizem os santos, depois de termos caído devemos esperar ainda maiores graças do que antes da queda. Segundo o Apóstolo Paulo “é na fraqueza que me sinto forte” (2 Cor 12,9).

Não podemos viver fugindo de nossas fraquezas. Precisamos assumir nossos limites para que não sejam eles a nos assumirem. A luta pela aceitação dos fracassos e insucessos de nossa vida deve abarcar todas as situações, mesmo as mais insignificantes. Um exemplo simples e fascinante é o de São Maximiliano Maria Kolbe: ao jogar damas com seus confrades, preferia perder.  Era seu “agir contra”, sua maneira de se desligar do amor próprio a fim de poder voltar-se inteiramente ao Senhor.

Quando se fala em perder, engolir alguns sapos, dar o braço a torcer não necessariamente se está falando em fraqueza e entrega dos pontos, mas sim, revelando um verdadeiro gesto de amor a Deus através dos gestos concretos com os irmãos.

Para não se entristecer com as limitações, as imperfeições, é  necessário olhá-las à luz da fé, na certeza de que Cristo Ressuscitado nos aceita tal como somos. Podemos e devemos ir ao seu encontro com todas as nossas misérias e fraquezas: ele ama, acolhe. O Amor perdoa sempre. É  ele, o Salvador, que nos reparará o mal que fizemos e suprirá  as nossas imperfeições.

Se te sentes fraco e pecador, tens especial direito de estar nos braços de Jesus: ele é o Bom Pastor que procura as ovelhas perdidas, fracas e desvalidas, as que não conseguem acompanhar o andamento do rebanho, mas são suas. Permite que Jesus te tome em seus braços, consente que te ame, crê no seu amor. Santa Teresinha do Menino Jesus gostava muito de confiar a Jesus as suas faltas e infidelidades. Dizia que, desse modo, procurava atrair a sua misericórdia, posto que ele veio para os pecadores e não para os justos. E ela expressa total confiança no Senhor que a ama dizendo: “num único ato de amor, mesmo não sentido, tudo é reparado”.

Então, para ter direitos de estar nos braços do Bom Pastor é necessário que haja em nós uma atitude de humildade, reconhecer e crer que somos fracos e pecadores: limitados. Mas, simultaneamente, é preciso acreditar no amor que o Senhor tem a nos oferecer. Devemos acreditar que Jesus nos toma pelos braços porque somos pecadores, fracos e limitados e que, por nós mesmos de nada somos capazes. Será a fé que vai gerar em nosso coração a gratidão pelo amor incessante que o Senhor nos dedica em nossa vida.


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