LAVAR OS PÉS – UM GESTO DIVINO DE AMOR

Jesus é  servo de Deus e dos homens. Toda sua vida foi um lava-pés, um serviço aos homens, a verdadeira Diakonia (estar a serviço). Jesus deu o exemplo de uma vida totalmente dedicado aos outros, uma vida feita “pão partido para o mundo”. Quebrou as regras de seu tempo, os tradicionalismos não engessaram seu amor, nos seus gestos as pessoas, de modo especial os discípulos, identificavam um poder superior a tudo o que eles já tinham encontrado na vida. Eram gestos que devolviam a dignidade, o desejo de continuar vivendo, de reencontrar o sentido das coisas simples, alimentar a esperança mesmo em meio à dor e ao sofrimento.

Para Charles de Foucauld, Jesus sempre “desceu”,  por toda sua vida ele só desceu, desceu ao encarnar-se, desceu ao fazer-se filho, desceu ao obedecer, desceu ao fazer-se pobre, abandonado, exilado, perseguido, supliciado, ao se colocar-se sempre no último lugar”. Ao lavar os pés dos seus discípulos, Jesus também desceu. Esta “descida”, o “abaixar-se” não pode ser entendido como humilhação, uma obrigação imposta pela situação vivida. Jesus, ao lavar os pés de seus amigos revela que toda sua vida se resume em “servir e amar”. Um amor que não se cansa (São João da Cruz); amor que só com amor se pode pagar.

Todo esse amor se revela nas palavras de Jesus: “Não há maior amor que dar a vida por aquele que se ama” (Jo 15, 13). É aí que nos convencemos que somente os gestos sinceros, altruístas, são capazes de decodificar o amor. O Filho de Deus, em toda sua Glória, revela-nos um Deus que só vem ao nosso encontro para amar. Ao se abaixar para lavar os pés dos discípulos, Jesus  apresenta a verdadeira face de Deus e mostra-nos qual o maior sonho divino: que todo homem seja curado, que todo homem seja puro e feliz, que nenhum ser humano viva na sujeira do pecado, que ninguém experimente apenas o amargor do desamor, que todos, homens e mulheres de todos os tempos, possam ser reconfortados e amados como foram os amigos de Jesus. Eles, homens tão simples e limitados, receberam um amor que nunca poderá ser ensinado por palavras, mas somente oferecendo aos outros aquilo que gratuitamente Deus, em seu filho Jesus Cristo fez: amou sem medida. Lavar os pés uns dos outros, sem escolhas, é possível somente para quem vive uma experiência de amor com Deus.

O lava-pés, sacramento do amor

Ao lavar os pés dos seus amigos (Jo 13, 1-20), sacramento do amor, Jesus ajuda-os a ser o que ainda não são, coloca-os em constante conversão. No gesto de amor de lavar os pés dos seus, Jesus faz com que a água vá purificando o coração, tornando-o mais sincero. Jesus não deixa margem para quaisquer tipos de indiferença porque, através deste gesto de amor, é impossível não querer se aproximar daquele que está com dor nos pés, aquele que está com a vida ferida, cansada. Quantas libertações no coração dos discípulos quando, mergulhados no amor do seu Mestre, viveram a experiência de ter os pés lavados (serem cuidados no mais profundo do seu ser) por ele! Quantas curas eles realizaram por saber que é somente lavando os pés do outro é que se restabelece a vida. O ser solidário com as necessidades do outro, romper as muralhas que impedem que se sinta a dor do outro aconteceu quando Jesus lavou os pés de seus amigos. Eles, os discípulos, só puderam amar verdadeiramente em suas comunidades porque sentiram o verdadeiro amor que os amava.

O amor aconteceu em suas vidas sempre de um jeito simples. Para Jesus, servo e Senhor, os discípulos, naquela noite, eram o motivo de seu amor. A partir daquele gesto de amor-doação, os discípulos sentiram o próprio Deus tocando seus pés, mesmo que no momento não entendessem tudo o que estava acontecendo.  Somente com o tempo descobrimos o alcance dos gestos de quem nos ama.

E nós, hoje, temos a certeza de que, ao contemplar o amor jorrado na noite do lava-pés, mesmo em coisas muito pequenas e simples não podemos deixar desconhecer o lava-pés de quem convive conosco. Despertemos em nós a sensibilidade de não ter vergonha de descer de nossos pedestais para lavar os pés de nossos irmãos e irmãs. Celebrar a vida é fazer acontecer aquilo que dá sentido à vida.  Como Jesus “desceu” nós também vamos “descer” para amar e amar sem medida.

E para que possamos amar se faz necessário, como o foi aos discípulos  deixarmo-nos ser amados e, para que essa vontade se torne verdade em nossa vida podemos assim rezar: “Senhor, lava-me os pés, que o meu coração possa te amar sempre, lava-me os pés para que eu seja sempre “teu”, que eu possa ter sempre a humildade de dizer-te: Sim, Senhor, “Lava-me os pés” para que eu seja cada vez mais unido a ti”.

Anúncios

Tags: , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: