EIS O TEMPO DE CONVERSÃO

Eis o tempo de conversão … Podemos nos perguntar: qual tempo? É o nosso tempo, no qual insistimos em imprimir nossas marcas em sua história.  Tempo de profundas transformações. Alguns chegam a declarar com total convicção: “eis aí a mudança de época”. As mudanças ocorrem, é verdade, em todos os campos, é impossível não perceber. Damo-nos conta de que as mudanças se iniciam já no campo da consciência e das cosmovisões. Há mudanças do “mundo das essências” (dos argumentos) para o “mundo da existência” (natureza, da física), e se apresentam com de forma real a passagem da consciência antropocêntrica (homem como centro) a uma consciência cosmocêntrica (mundo como centro).

Nunca foi tão importante pensar que tudo deve ser compreendido em relação ao todo, com o planeta, com o cosmos, etc.. Uma consciência planetária entra em cena nos tempos atuais.  Na economia, surgem mudanças significativas, com duas correntes que percorrem caminhos opostos em suas intenções: uma é a economia  que estabelece a interdependência do mercado (perspectiva de Davos), privilégio para poucos; como alternativa, o movimento da economia solidária (Fórum Social Mundial), esperança da grande maioria. Transformações visíveis ocorrem no campo científico-técnico, passando de uma civilização industrial a uma civilização cibernética (enxurradas de informações em diversificados e sofisticados meios), com pouca capacidade de síntese.

No campo social, cresce a concentração de renda nas mãos de poucos e aumento em grandes proporções da pobreza e da exclusão social. Mas, também é notório que cresce a consciência de cidadania, dos direitos que garantem a dignidade da pessoa humana. No campo da ética, há mudanças de suma importância. Cada um faz aquilo que quer sem estar preocupado com o outro que lhe está defronte e exige respeito à sua condição de ser humano privilegiado, como bem evidenciou Sartre: “bom é aquilo que é bom para mim; ruim é aquilo que é ruim para mim”.

No entanto, há aqueles que se descobrem parte do cosmos, assumindo uma postura de defesa da vida e de seus ecossistemas; pessoas que garantem relações de gratuidade, misericórdia e comunhão. Na esfera do religioso, há transformações significativas. Há uma sede de espiritualidade, há uma fome de sentido, nas palavras de Viktor Frankl, uma “vontade de sentido”.

É dentro desse mar de contraditoriedades que vamos mergulhar e, cada vez mais, precisamos fazer uma dupla reflexão, com a mente e com o coração. Precisa-se urgentemente reformar o jeito de pensar e para isso, temos a Quaresma, tempo oportuno para abrir o coração e deixar Deus fazer sua morada e nos ajudar a ser mais humanos. E, sendo mais humanos,somos convocados a sermos mais filhos e filhas de Deus e irmãos daqueles que conosco vivem, principalmente aqueles que mais precisam de nós neste mundo que tanto se desenvolve, porém, tantas vezes, deixando tantos rostos e histórias para traz.

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