VIAGEM NO MUNDO DO PLANETA Nº. 141

A Cidade - Wols - 1946-47

O Planeta tem nome: carro nº 141. População: 91 habitantes, divididos em 45 sentados e 46 em pé. Não é ecologicamente correto, ou melhor, seus habitantes é que decidem não ser. Em alguns espaços, quando alguém sai, deixa sempre algo para trás. As imagens impressionam: garrafas de água, embalagens de variadas guloseimas e, quando não é propriamente material, faz apenas algumas rasuras nas costas do espaço que está à frente para, simplesmente, eternizar sua imagem ou pensamento – muitos crêem ser artistas com tal atitude – neste Planeta. Não é esse o comportamento de todos no Planeta nº 141, pois há atitudes dignas de louvor. Muitos oferecem seu espaço para alguém de idade avançada e necessita de ajuda para seguir viagem; outros conservam o que têm em suas mãos, e nada jogam ao chão, atitudes educadas que fazem nascer beleza e alimenta a esperança de que o feio nunca tomará o lugar do belo: “pequenas atitudes que mudam o mundo”.

Os espaços são pequeninos, no máximo 2 pessoas por terreno. Não existe vizinhança que viva tão perto. Quando há afinidade, a convivência é boa, quando não há, uma cara de quem está “suportando a situação”. Vale lembrar que, para muitos, independendo do que aconteça, tudo é motivo tristeza, estão vestidos com a capa do desgosto pela vida. É bem verdade: quem não olhar com amor nunca saberá alegrar-se pelo amor que floresce à sua frente, até mesmo a seu lado. Como canta a bela canção, “o amor pode estar do seu lado”.

A população nada tem de homogênea, diversidade pura. É incrível, aí está a beleza que Deus nos reservou. Não quer nada igual. Deus não é fabricante de produtos em série, ele é o Criador que deposita todo o amor em cada criatura. Tudo tem seu sentido, nada existe por acaso. Somos e seremos o que ainda não somos, porque fomos amados por Aquele Que É.

Neste Planeta No. 141 há pessoas que estão apenas por trabalho. Se os afastarem de sua atividade remunerada, vão desaparecer deste Planeta. Uns estão nervosos, pois não gostam de chegar atrasados e, sentados, batendo nervosamente o pé, esperam. Outros, angustiados porque ainda não receberam a chance de mostrar suas potencialidades e outros, apenas curtindo a passagem neste Planeta pequeno, para eles o bom da vida é passear.

A vida é desfiada no Planeta No. 141

Por toda a viagem no Nº 141há pessoas que reclamam de suas dores e decepções, fazendo adoecer quem está perto delas. Há aqueles que segredam suas maiores alegrias, e são tão espontâneos que o Planeta inteiro escuta, é uma alegria do “tamanho do mundo”. Tem gente que odeia a alegria dos outros e a esnoba. Existem aqueles que têm na ponta da língua discursos políticos revolucionários e, como se estivessem numa convenção partidária, tentam convencer quem está perto  que a “verdade” esta sendo apresentada naquele momento (são os revolucionários de fim de semana). Os críticos eternos estão presentes também, para eles nada serve, tudo está ruim: o preço que lhes foi imposto para a viagem, a ventilação abafada, quem movimenta o Planeta não tem muito senso de direção, ninguém sabe se comportar, tudo é falta de respeito, nada mais é como antigamente. Seria urgentemente necessário outro planeta para se viver melhor.

No entanto, em meio a tantas vozes e histórias diferentes, há aqueles que nada falam, nada querem segredar, escutar. São os homens do “eu e o meu profundo silêncio vazio”. O que lhes interessa é o horizonte perdido de algum lugar distante: por medo ou por total segurança é melhor permanecer calado, nada e ninguém parecem interessar, apenas o movimento que o mundo oferece, algo parecido com “onde a multidão for eu vou também”.

As idades neste Planeta também são variadas. As crianças, quando chegam a este Planeta não precisam pagar e todos que ali estão as julgam as “pessoinhas” mais lindas do mundo. Mas cresceu, ficou adolescente, jovem ou adulto “paga”, e só poderá continuar a viagem se tiver dinheiro. Caso contrário, não vai poder viver e conviver neste Planeta. Todos já sabem: sem dinheiro não há lugar. Bem, além das criancinhas, nem todos precisam pagar, porque acima dos 60 anos pode-se fazer economia, mas tem que provar a idade com uma carteirinha feita pelos comandantes do Planeta.

As últimas viagens são sempre um presente. Alguns explicam o porquê de os idosos não pagarem: não vão muito longe, vão a médico, apenas uma volta para espairecer. Há quem acredite nisso. Para falar bem a verdade, são esses que já não pagam que têm a alegria mais verdadeira no Planeta. É claro que eles não estão interessados em aparecer para alguém ou para todos, estão apenas alegres por estar vivos e andando por aí.

As formas de vestir das pessoas que habitam o nº 141 também são diversificadas. Algumas estão no básico. Outros, como se fosse a última vez que andariam em público, exagero total para marcar a mente das pessoas.

Não se pode negar que este Planeta é interessante. E nele, talvez, você já esteve diversas vezes, e também tem histórias para contar, para lembrar, para escrever… O Planeta Nº 141 é um ônibus que, em  pouco tempo de viagem, com um pequena população, carrega um mundo de histórias, significados, sonhos , projetos, alegrias…

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