A GRAÇA DO PERDÃO

21 de fevereiro de 2017

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Se dissermos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos,
e não há verdade em nós (1Jo 1,8).

O sacramento da Reconciliação 

A Quaresma é um tempo oportuno para que todo cristão-católico volte-se para sua condição existencial-espiritual, oportunizando a si mesmo uma reencontro com uma vivencia viva da fé.

Jesus concedeu à Igreja a graça do Sacramento da reconciliação – penitência, ao mostrar-se aos discípulos no dia da Páscoa, exorta-os: recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos. (Jo 20,22-23).

O pecado é a raiz de todos os males deste mundo, mas Jesus o “matou” com sua morte. O apóstolo Paulo ensina que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6,23), assim toda dor, sofrimento, exploração, divisão, tem no pecado sua causa primeira. É por isso que Jesus encarnou-se “para tirar o pecado do mundo”. Jesus conquistou o perdão para toda a humanidade com o seu sacrifício na cruz e, então, incumbiu a Igreja para distribuir este perdão a quem se arrepender de coração e tiver fé, como dizia São João Maria Vianey: “Depois de cada pecado reconhecido, ressuscitemos! Pecados, nem um instante os deixemos no coração” 

O Sacramento na voz dos Santos 

Santo Agostinho (354-430) bispo e doutor da Igreja:

“Se na Igreja não existisse a remissão dos pecados, não existiria nenhuma esperança, nenhuma perspectiva de uma vida eterna e de libertação eterna. Rendamos graças a Deus que deu à sua Igreja um tal dom”.

 São Leão Magno (400-461) Papa e doutor da Igreja:

“Deus em sua infinita misericórdia, preparou dois remédios para os pecados dos homens: o Batismo e a Penitência (confissão). Pelo Batismo nascemos para a vida da Graça; pela penitência recuperamo-los e tivermos a infelicidade de perdê-la. Todo cristão, portanto, devemos examinar a sua consciência, não adiando dia-a-dia a sua conversão. Ninguém espere satisfazer a justiça de Deus na hora da morte. É um perigo para os fracos e ignorantes adiar a sua conversão para os últimos dias de sua vida”.

São Padre Pio (1887-1968) um dos santos mais populares da Itália: 

“Não temas! Mesmo que tenhas cometido todos os pecados deste mundo, Jesus repetir-te-ia as palavras: os teus muitos pecados estão perdoados, porque muito amaste”

A graça de poder se confessar 

Papa Francisco, no livro “O nome de Deus é misericórdia” diz que é necessário pedir ao Espírito Santo o dom de “se envergonhar” dos pecados cometidos. É necessária uma santa humilhação. Entregar-se inteiramente, com o coração rasgado, a Deus. 

  • Desejar a confissão individual é se por a caminho para uma cura e libertação interior, que religa a pessoa à sua verdadeira condição: de ser amado sem limites por Deus.  
  • Confessar-se com um sacerdote é, através do sacramento da reconciliação, estar face a face com o Senhor, pois naquele momento, o padre (também pecador) em nome de Jesus Cristo acolhe, entende e perdoa pela graça do Espírito Santo.
  • Quando se vai confessar é a oportunidade que se dá de ser acolhido, amado e perdoado. É  um reencontro com a verdade, uma experiência de amor e um esperançar o futuro.
  • Na confissão tudo é realizado com amor incondicional, pois é o próprio Deus que ali está presente no sacramento, então tudo o que é confessado e rezado se mantém em sigilo, somente aqueles três corações que saberão o que foi confessado e perdoado: o penitente, o confessor e Deus.

Que neste tempo quaresmal você tenha a graça de ouvir: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e envio o Espiríto Santo para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz. E eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”.

Desejo Senhor, rasgar o coração diante de vós
Que sua infinita misericórdia o restaure
Que eu seja testemunho da novidade eterna que é o seu amor
Que nenhum pecado me estacione na vida
Mas que meu “andar existencial” seja para glorificar seu Nome
nas pequeninas obras de amor que tenho oportunidade de realizar

Que brilhe vossa luz em mim
Que esta mesma luz possa se espalhar
E clarear caminhos, mentes, corações e gestos

Pe. Ederson  Iarochevski

COMEÇAR BEM

26 de janeiro de 2017

Young people jumping on Mission Beach, San Diego, California, USA

Existe uma força interior que nos motiva a pensar o futuro próximo com maior esperança. Faz bem ao coração de qualquer pessoa, apesar das complicações encontradas na estrada da vida, dedicar-se a visualizar com ares renovados os dias que chegarão.

Um novo ano é sempre uma honesta possibilidade de continuarmos melhorando nossa condição existencial. Para que isso nos atinja de verdade é preciso fazer algumas pequenas escolhas que fortificarão nossos pensamentos, sentimentos e ações em relação a si, aos outros, à vida, a Deus.

Quem gosta de pescar sabe que é “preciso ter pressa para chegar e paciência para pescar”. Talvez diante do novo ano, tenhamos pressa para que chegue, mas, na verdade, precisamos ter paciência para colher os frutos que, de alguma maneira, estão reservados para nós. Paciência é um comportamento a ser treinado para que o fruto merecido seja recolhido no tempo certo.

Um dia de cada vez: administrar o tempo é uma riqueza existencial. Ter a plena consciência que para cada dia há conquistas e desafios. Não resolvemos tudo em um dia só, e também não perdemos tudo. É necessário bom senso diante da agenda. Fazer cada ação do dia com a qualidade que lhe é devida. Isto, para que nenhum dia seja um “peso”,  mas sim, a oportunidade de aproveitar o que é próprio do dia. Tomar um bom café; estar atento na reunião; cumprimentar com simpatia as pessoas que encontrar; evitar reclamações desnecessárias; evitar tomar refeição sozinho,  ir dormir mais cedo.

Ritualizar momentos importantes: faz muito bem ao coração ritualizar os momentos significativos da vida. Por exemplo, comemorar o aniversário, se alegrar pelo dom da vida na companhia de pessoas que lhe fazem bem. Se reunir, receber o afeto de quem o admira. O rito qualifica o que acreditamos. Se você acredita na vida, quer que tenha sempre um valor inegociável, então a celebre.

Encontrar-se com pessoas: além dos encontros “comerciais”, procure ter encontros especiais. Os encontros mais importantes não estão no rol dos negócios, mas sim dos afetos. Tomar um café na companhia de alguém que você quer bem; realizar uma caminhada com um amigo; assistir um bom filme, ir a uma festa, participar de uma celebração… encontrar-se com alguém que é importante na sua vida é revitalizar a alma. É recuperar a alegria de viver. Um bom encontro nos eleva e faz a vida mais leve.

Orar com o coração: orar é um movimento da alma. É um caminho seguro que faz o grande encontro acontecer: o humano com sua prece e o Divino com a sua Graça. Orar em qualquer momento e lugar durante o passar do seu dia faz com que o equilíbrio psíquico e emocional esteja ativado. No momento difícil, orar! Na alegria vivenciada, orar! Orar é viver a partir do interior para qualificar o exterior.

Pe Ederson Iarochevski

Começar…

Fazendo o bem
Cantando a paz
Ajudando o outro
Fortalecendo afetos
Orando a vida
Vivendo com mais simplicidade
Sendo feliz.

SOBRE PERDER E DESISTIR 

5 de dezembro de 2016

perder-e-desistir

Perder é um acontecimento na vida. Desistir é propor o fim da vida. Sempre haverá derrotas que abatem, entristecem e por alguns momentos furtam o sentido das coisas, mas não são motivo para não querer continuar. No entanto, desistir é desligar-se, não querer mais realizar, esconder-se, entrar em processo de definhamento onde o sentido e a importância de tudo o que confere vitalidade para a pessoa não interessa mais.

Perder um jogo, o emprego, uma promoção, uma pessoa querida vai fazer parte de nossa vida. E sabemos o quanto é dolorido perder, até porque na sociedade não se ensina a arte de apreender a conviver com as perdas que acontecem, mas estratégias em que sempre se possa ganhar. O verbo perder não combina com a nossa época, mas é uma experiência por que todos nós passaremos e, dependendo do tipo de perda, é um exercício sacrifical para restaurar-se e prosseguir. Perder pode se tornar a grande oportunidade de recomeçar e descobrir que os ganhos vindouros terão outros sabores, significados e importância na vida da pessoa. A perda qualifica o que, com o tempo, se ganha.

Diante de uma perda, podemos incorrer no risco de desistir, e a desistência aqui não é apenas mudar de rota, mas abandonar totalmente o caminho. Geralmente, quando se desiste de conviver, buscar novos projetos, realizações e aspirações pessoais e/ou comunitárias é porque a sombra da derrota é mais forte que a luz dos recomeços. Desistir é o estado vegetativo da alma. Geralmente, pessoas que dificultam a convivência com outras pessoas, que negativizam as realidades, os que posicionam-se contra tudo e todos, os que frustrados com algum tipo de enfermidade física, emocional, psíquica e até mesmo espiritual dão por encerrada a possibilidade de recomeçar. Preferem evitar as pessoas, abandonar os exercícios físicos e mentais, abandonam os tratamentos…

– É possível apreender a perder, sem desistir?

– Sim. É possível!

 Perder é parte de nossa condição: nosso estatuto humano confirma que somos limitados, temos esta realidade desconcertante: as perdas hão de ser uma realidade em nossa caminhada existencial. Portanto, faz bem para a mente e coração refletir, rezar e conversar sobre a possibilidade de perda. É tão interessante que, por mais que seja assustador, preciso me perguntar:  se eu perder aquilo como vou me sentir? O que vou fazer? Como vou continuar? Eis uma preparação.

Perder para ganhar: nesta vida, tudo é provisório, não é saudável carimbar como perene o que é passageiro. Portanto, tudo o que é bom passa, mas o que não é bom também passa, por isso, por mais dura que seja a perda, há de chegar uma nova oportunidade.

Na perda, aceitar ajuda: o que vitaliza a alma é a solidariedade. Quando nos permitimos ser ajudados somos humanamente tocados. Na solidariedade existe um processo de restauração. Perder pode se transformar em uma oportunidade de descobrir que a solidariedade é que devolve o sentido da vida para quem é alfinetado pela dor da perda.

Deus, de amor e bondade
Tu que aceitaste “perder” teu amado Filho para “ganhar” a todos nós
Ensina-nos que, nas tramas da vida
Por mais sofrida que seja a perda
Há de brilhar uma nova luz
Há de chegar uma nova oportunidade
Há de aparecer uma nova pessoa
Haveremos de conhecer, ainda mais, teu amor misericordioso
Que nos faz ganhar mesmo quando sofremos perda

Pe. Ederson Iarochevski 

CULTURA DA PAZ

11 de julho de 2016
Escravos pescadores resgatados na Birmânia

Escravos pescadores resgatados na Birmânia

Pensar numa cultura de paz em um mundo em conflito exige profunda jornada de honestas reflexões. A paz, para ser vivida, precisa ser pensada. A paz, para ser uma realidade, precisa ser sonhada. A paz, para ser verdadeira, precisa ser um bem compartilhado. Para isso, algumas referências que nos abrem o caminho para pensar a urgência de uma cultura da paz em situações locais e globais que forjam o preconceito, a indiferença, a discriminação e a negação do outro.

Na Carta da Terra (n° 16) há uma bela definição: “a paz é a plenitude que resulta das relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a terra e com o grande todo do qual somos parte”. Em 2001, no lançamento do Ano Internacional da Paz, o então secretario da ONU Kofi Annan dizia: “a verdadeira paz é muito mais do que ausência de guerra. É um fenômeno que envolve desenvolvimento econômico e justiça social; supõe a salvaguarda do ambiente global e o decréscimo da corrida armamentista; significa democracia, diversidade e dignidade; respeito pelos direitos humanos e pelo estado de direito; e mais, e muito mais”.

 A paz não nasce por ela mesma, ela é fruto de valores, comportamentos e relações que devem existir previamente. A paz é um bem tão ansiado nos tempos atuais porque há uma cultura dominante que se estrutura em vista de opções que são contrárias à paz. Onde há concentração de poder, patrocínio de conflitos sociais, violência contra a natureza, comercialização de tudo e de todos, a paz torna-se um artigo sem necessidade e não uma prioridade.

Superar empecilhos, buscar a paz, sempre 

Pacifismo sem limites: em lugares com situações de extrema violência, agressões e guerras, surgiram pessoas e grupos que optaram pela paz sem limites. Preferiram deixar-se matar a agredir, e mesmo a defender-se: São Francisco, o médico e humanista Albert Schweitzer, o escritor russo Leon Tólstoi e o Marechal Rondon, grande pacificador dos indígenas brasileiros cujo lema era “antes morrer que matar”. Estes podem ser tidos como radicais pacifistas, renunciaram a todo tipo de agressão a qualquer ser.

Pacifismo Ativo: é a recusa extrema de usar o poder militar e a guerra, ou outro tipo de força negativa para solucionar os problemas. Esta maneira de agir é também chamada de “não-violência”, como praticada por Gandhi. O pacifismo ativo não é uma tática ou uma estratégia, mas sim uma convicção de que a verdade tem força e irradiação própria, capaz de se impor por si mesma. Napoleão Bonaparte dizia: “no mundo há duas forças, a da espada e a do espírito; a força do espírito acabará vencendo a força da espada”.

Pacifismo revolucionário: busca a causa de toda forma de violência. Objetiva-se a encontrar as conexões ocultas que levam pessoas, lideranças, grupos e nações a optar pela violência para alcançar seus interesses. Autodenomina-se revolucionáro não por pretender usar meios violentos, mas por buscar saber as razões geradoras de violência. Utiliza-se dos meios políticos, das articulações dos movimentos sociais, da mobilização das religiões e igrejas, e do envolvimento com grupos em práticas alternativas que ocupam-se com a geração de uma cultura de paz. Chico Mendes foi um adepto deste pacifismo, organizando com os povos da floresta para fazer frente aos avanços dos desmatamentos amazônicos e à exploração dos índios e seringueiros.

Você é um agente da cultura da paz? Questione-se um pouco:

  • Dou espaço para o diálogo?
  • Busco compreender a posição do outro?
  • Estou aberto a identificar os pontos em comum com os outros?
  • Estou disposto à concórdia e ao perdão?
  • As campanhas para a não violência (violência infantil, contra a mulher, trabalho escravo…e outras) te sensibilizam?
  • Em suas redes sociais, suas publicações e compartilhamentos incita à paz ou à violência?
  • Qual foi a sua ultima atitude em vista de uma cultura da paz?

Pe. Ederson Iarochevski

BEM AVENTURADOS…

Bem Aventurados os hospitaleiros porque, mesmo sem saber, podem estar hospedando o próprio Deus e seus mensageiros.

Bem aventurados quem convive em paz com o diferente porque está sendo enriquecido em humanidade.

Bem aventurados os quem mostrarem tolerância com os diferentes, pois seu coração bate no ritmo do coração de Deus que tolera a todos, bons e maus, justos e injustos.

Bem aventurados os que se sentam à mesma mesa para cear, porque estes viverão a alegria da comunhão no pão e na paz.

Bem aventurados os que promovem a paz, se querem bem, desarmam os espíritos exaltados, cultivam o respeito uns aos outros. Estes serão os primeiros cidadãos do novo céu e da nova terra.

Bem aventurados os que buscam amar sempre, estes serão envolvidos pelo amor eternamente.

 

MÃE – SONHO DE DEUS

23 de maio de 2016
Igreja São Floriano - Krnice - Eslovênia - a Virgem Maria com o Filho (detalhe)

Igreja São Floriano – Krnice – Eslovênia – a Virgem Maria com o Filho (detalhe)

O sonho de Deus se perpetua
cada vez que o ventre torna-se
“tabernáculo” de nova vida.

O sonho de Deus continua
quando, em sua sensibilidade materna
educa, orienta, encoraja e acalma.

O sonho de Deus segue se realizando
quando, em sua oração de intercessão,
todo filho que caminha na terra
é protegido por Deus.

O sonho de Deus acontece
porque é em seu coração
que todo filho tem segurança e afeto.

O sonho de Deus se realiza
toda vez que, diante da dor de um filho,
é capaz de doar sua vida por ele.

O sonho de Deus acontece
toda vez que uma mulher se faz mãe.

Padre Ederson Iarochevski


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